Mostrando postagens com marcador Mulheres. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mulheres. Mostrar todas as postagens

04 dezembro 2017

Frederico Füllgraf - A selvagem da motocicleta


Marie-Therese von Hammerstein: uma intrépida contra o nazismo

Ensaio

São nove da manhã, e a BMW de setecentas cilindradas cospe fogo na estrada. Annete Rosenbauer sente o escapamento esbraseado morder-lhe as canelas. A cento e vinte por hora, apesar do capacete de couro encaixado na cabeça, o vento metralha com rajadas geladas e afiadas como estiletes em seus ouvidos.
Depois de deixarem para trás Dresden, rumo à fronteira da Tchecoslováquia, a piloto faz um giro de vinte e cinco graus, para trás, e berra um aviso de que vai parar. Então a máquina resvala com marcha desacelerada para o acostamento.  

- Não aguentava mais! – diz Marie-Therese, desfazendo-se do capacete e das luvas, enquanto apeia. – Se não tiver a mesma pressa, fique de guarda, que eu volto já! – ela ajunta para sua passageira, divertida, já desaparecendo atrás de uns arbustos. 

Escrutinando a paisagem em busca de intrusos, e rindo, porque a única intrusa, ali, é ela, Marie-Therese desprende o cinto e arria a calça de couro, que arrasta consigo a calcinha até abaixo dos joelhos, e se agacha. 

Passarinhos saltitam e cochicham na galhada. Ao longe, ela divisa uma grande cegonha branca circunvoando um grupo de agricultores na seara – como é deslumbrante aquele vale do Elba! 

Quando retorna à moto, cujo motor crepita enquanto esfria, e ainda ocupada com afivelar o cinto da calça, Annete a contempla e se pergunta, intrigada, por que essa jovem, tão bonita, decidiu meter-se nessas aventuras mais que perigosas, ao invés de investir num “bom partido”.
Annete é descendente de judeus. Isto quer dizer que, desde 30 de janeiro de 1933, ela pertence a uma minoria acusada nos discursos do Reichs-Propagandaminister, Dr. Joseph Goebbels, de “raça odiosa e conspiradora”. Mas se ela, Annete, se sente como alemã, ora essa! Militante da Juventude Comunista, ainda por cima, agora ela também corre perigo de vida.
Nestes primeiros vinte dias de fevereiro de 1933, milhares de socialdemocratas e comunistas foram presos. Suas bancadas parlamentares, completas, no Reichstag, foram abduzidas para um novo tipo de prisão, cuja abreviatura é KZ, de Konzentrationslager – campo de concentração. Era uma invenção inglesa testada na África do Sul, mas os nazistas a tinham aperfeiçoado. 

Findo o mês de janeiro, estava morta a Democracia, enterrada a República de Weimar. O congresso do Reichstag, fechado; todos os partidos políticos, menos o nazista, declarados ilegais; a imprensa, amordaçada. Tudo temperado por uma avalanche de discursos ultranacionalistas e xenófobos.
Há vinte dias, na Alemanha o terror estava desatado, e o inacreditável em tudo aquilo era que as pessoas pareciam felizes, aplaudiam aquelas hordas vestidas de marrom, sempre marchando ao som de estrepitosos hinos marciais. Por isso, Annette e sua família tinham recebido o aviso para cair fora. 

Mas na Alemanha também era comum aquele adágio que dizia, “quem avisa amigo é!”. 

O bem informado pai de Marie-Therese não era propriamente um amigo de Annette. Mas sendo inimigo de seus inimigos, tornara-se seu amigo. Ela tivera apenas dois dias para organizar-se e cair na estrada. Então Marie-Therese, aquele anjo loiro da nobreza que não se vexava em fazer xixi na capoeira, lhe dissera, “junte sua tralha, que eu a levo pra fora do país!”.
Tudo o que Annette leva em sua mochila são duas trocas de roupa, o nécessaire e, bem..., alguns endereços, escondidos sob suas roupas íntimas, onde não teriam a audácia de a apalparem.
Enquanto fumam seus cigarros e bebem um gole do café ainda quente, da garrafa térmica, Marie insiste no último ensaio da conversa que elas deverão desfiar no momento em que cruzarem a fronteira. Ato contínuo as duas mulheres voltam a montar a moto, que dispara entre os grotões do Elba, estrada afora.
E tudo correra como mandara o figurino: passaram a fronteira como duas amigas a passeio de compras, em Praga. “Sabe como é, seu guarda, ver o sol sangrar sobre a Cidade Velha, e depois morrer... - Veneza não tá com nada!”.

A bandeira com a suástica drapejando ao vento, o oficial sapecara mesmo uma continência às duas, com um sonoro Heil, Hitler! Que Marie respondeu com um Scheiss Hitler! Mas aí a moto já estava longe da cancela.
Cinco horas mais tarde - cinco horas cravadas, porque na ida, quando a moto assomara ao campo de visão de sua guarita, com reflexo nele completamente involuntário, mas religioso, toda vez que se aproximava um veículo, o guarda consultara seu relógio de pulso, e eram onze da manhã - a BMW de Marie-Therese voltava a aproximar-se de sua cancela. 

O policial surpreendeu-se porque no lugar da passageira, apenas a embalagem de uma loja de departamentos ocupava a garupa. 

Então Marie-Therese inventou uma desculpa de família, obrigações imprevistas de sua amiga, coisas assim. Folheando o passaporte, por mero protocolo, tão inócuo quanto consultar o relógio toda vez que se aproximava algum veículo, desta vez o guarda de fronteiras não se conteve: - Quer dizer que a senhora., ... - ou devo dizer Fräulein? – insinuou, perscrutando a mão direita da jovem mulher em busca de alguma aliança.

- Quer dizer que estou diante da filha do preclaro General Von Hammerstein? Afinal, não é todo dia...
E percorrendo com um par de olhos vulgares aquele corpo que apesar dos couros pretos, todos, não conseguia esconder curvas e compleições que pediam, sempre, um segundo olhar de admiração, o milico lhe devolveu os documentos, teimando em uma prosa pegajosa. Por isso, Marie-Therese saltou para a BMW, e o Heil, Hitler!... o vento levou.
Tinha duzentos quilômetros de estrada pela frente; bastante chão para pensar. 

Uma coisa era certa: a partir daquele dia, ela não deveria mais transportar fugitivos, cruzando o mesmo ponto da fronteira. Logo chamaria atenção. Se fosse para Praga novamente, tinha que estudar alternativas no mapa rodoviário. A máquina roncando entre suas pernas, abocanhando vorazmente o alcatrão, negro, que se insinuava como risca de fuligem na paisagem incendiada pelo poente, ela lembrou-se daquele tarde, do final de verão, fazia cinco anos. Tinha recém completado dezesseis anos de idade quando aquele homem de estatura mediana e seu bigodinho, que o vulgo chamava de “freio de nhaca”, conversava com seu pai na varanda de sua casa. 

Fazia dez anos que a Grande Guerra tinha terminado, e Kurt von Hammerstein Equord, seu pai, era Comandante do Reichswehr, aquele exército encolhido, minguado, de cem mil homens, imposto à Alemanha mediante o Tratado de Versalhes, dos vencedores.
Do Gal. Von Hammerstein dizia-se que nascera predestinado para a vida militar, porque aos onze anos de idade o rebento de uma muito antiga cepa da nobreza renana fora internado na Imperial Academia Militar, que só teve a virtual permissão de abandonar quando já se diplomara como oficial de estratégia. Mas então já era tarde, porque eclodira a guerra, e Von Hammerstein batera-se nela, sobrevivendo-a como herói fartamente galardoado. Porém, naquela rotina castrense predominava a tal severidade prussiana dos instrutores, que consistia no persistente rebaixamento moral do indivíduo e na punição da tropa; tratamento que Von Hammerstein abominava, quanto mais no âmbito de sua própria família.
Von Hammerstein Equord não fazia o gênero do “tipo alemão”, trabalhador devoto e cidadão consciencioso. Comportava-se como hedonista, tinha estampa de playboy. Do que o general mais gostava era de gente, mas quando as pessoas o enfastiavam, o aporrinhavam além da conta, deixava o trabalho para amanhã e saía para caçar e conversar com seus botões. Casara-se com Maria von Luettewitz, filha de um general, em cujo entendimento lugar de filha bonita era em casa, e não na escola ou nos anfiteatros da universidade. Para compensar os vazios em sua alma de mulher discriminada, por isso Maria von Luettewitz-Hammerstein não vacilou um instante quando suas filhas saíram da adolescência, enviando-as, todas, para a universidade. Marie-Therese, a mais bonita de suas quatro irmãs, escolhera Medicina, mas para sua surpresa o pai-general reagiu com as palavras, “tá doida? Aqueles ferimentos, a sangreira, toda?”
Naquela Alemanha, que aturdida pelo desfecho da Guerra de 1914, e humilhada por escorchantes, porque impagáveis reparações, tentava reinventar-se, os mentores das tradições definidas como perenes pregavam impassíveis a submissão ao velho autoritarismo. Neste território dos incorrigíveis Von Hammerstein estabelecera sua muito particular ilha do liberalismo e do laissez-faire. O general negava-se a submeter seus sete filhos à voz única e ao rebenque da caserna, incentivando neles a natureza rebelde que logo lhes conferiu a má fama de “selvagens”.
Mas voltando àquela tarde de 1928. Kurt von Hammerstein tinha convidado Adolf Hitler para uma tertúlia em sua casa. Queria ver o sujeito de perto, como disse. O encontro fora articulado pelo empresário Bechstein, construtor do famoso piano. Como Winifred Wagner, sobrinha do célebre compositor de óperas, sua esposa era ardente admiradora do líder nazista. Perspicaz, era uma das distinguidas senhoras que se esmeravam em ministrar arguciosas aulas de etiqueta ao austríaco boquirroto: a composição de um smoking com os tecidos adequados, como beijar a mão de uma dama, a forma correta de abordar uma conversa, como destrinchar um salmão com os respectivos talheres, como brindar, e assim pro diante; cerimoniais e culto ao estilo que não raras vezes aproximavam de um ataque de nervos o ex-cabo austríaco. Sua tropa de choque migrara desde Munique, instalando-se na capital do Segundo Reich, mas com seu comportamento torpe, jargão bronco, e seu insuportável fedor a sovaco fazendo torcer os narizes da nobreza. Cujas reuniões de gala e jantares tornara-se necessário freqüentar, porque da simbiose entre nobreza e grande indústria saíam os apoios, principalmente as doações em dinheiro.
Há séculos instalada nos postos de comando das forças armadas, e embora enxergasse nos nazistas um bando de caipiras, estúpidos, uma notável fração daquela nobreza sentia-se irresistivelmente atraída pelo rude charme das falanges hitleristas, porque teimavam em reverberar até tornar verdade um insidioso boato: a tal lenda do “apunhalamento pelas costas”. Traduzida para os não-entendidos, a lenda afirmava que, sem perder a guerra em campo, a tropa fora “apunhalada pelas costas”, quer dizer: em casa, no instante em que o novo governo social-democrático assinara o termo de rendição.
Agora, Marie-Therese se lembrava das palavras do seu pai, à mesa do jantar, sobre a conversa com Hitler na varanda, queixando-se de que o líder nazista “falava demais e de forma confusa”, motivo pelo qual o deixara falando sozinho. Apesar do desprezo do general, Hitler se despedira não sem lhe presentear uma assinatura de um pasquim nazista que Von Hammerstein desdenhou, visivelmente enfastiado. Para sua surpresa, em 1930, o velho presidente, Von Hindenburg, o nomearia Chefe do Estado Maior das forças armadas, oportunidade em que o New York Times o elogiou como “um dos [homens] mais capazes e inteligentes” que naqueles dias vestiam farda.
Naqueles dias, como grande refúgio acolhedor de judeus perseguidos no Leste Europeu, Berlim se tornara palco de enorme efervescência do jovem movimento sionista que sonhava com o “retorno à terra prometida” - o desembarque na Palestina. Algumas jovens alemãs, entre elas Magda Ritschel, futura Sra. Goebbels, freqüentavam aqueles círculos sionistas. Outra delas era Marie-Therese von Hammerstein. Como Magda, ela se sentira seduzida em emigrar para a Palestina. Trancando a matrícula de seu curso de Medicina, começou a trabalhar como aprendiz de jardinagem: “me sentava no meio de uma plantação de batatas, e com meu microscópio eu contava cromossomos”, ria-se de seu repente.
General Von Hammerstein
Então o inevitável aconteceu: Marie-Therese se apaixonou por um jovem judeu, de nome Werner Noble, e engravidou. Mas a Alemanha, ela ruminara com seus botões, não era um lugar onde as pessoas devessem criar filhos. E sem que o futuro pai pudesse reclamar direitos, do jeito que engravidara, Marie-Therese abortou. O relacionamento se esfarelou, mas logo em seguida a filha do Comandante do Estado Maior encetava novo romance. A escolha recaiu mais uma vez ditada, não por seu coração, mas por sua cabeça, teimosa: Joachim Paasche tinha um não se sabia quantos avos de sangue judeu. O comportamento da moça começou a chamar atenção, parecia birra. Liberada aos seus vinte e um anos de idade sabia-se que Marie-Therese tinha um fraco por homens vigorosos e determinados. E Paasche era tudo, menos a encarnação do macho que não vacila numa encruzilhada e dá o norte. Era neto do antigo vice-presidente do Congresso, e filho de um intelectual e fazendeiro, pacifista, recém-assassinado em sua própria fazenda por mercenários dos Freikorps; milícias revanchistas que aderiram majoritariamente ao partido nazista.
Joachim Paasche não conseguia ou queria recuperar-se do choque da morte brutal do pai, tornando-se enfermiço, fraquejando pela vida, odiando a política. Amava Marie-Therese, sentia-se perdidamente atraído por sua “força primal, amazônica”. Por outro lado, resistia a depender dela emocionalmente, porque “ela é única, e é provável que me machuque muito, caso venha a perdê-la. Por isso é melhor nem pensar em atar-me a ela”, resignou-se o neto indisposto do antigo vice-presidente do Reichstag. Nas entrelinhas, aquelas palavras ecoavam uma tolerância ditada pelo medo do abandono, com homens malhados e determinados na vida e na cama de Marie-Therese.
Do modo como surpreendeu muitos alemães, que só se descobriam “judeus” à medida que eram perseguidos, Paasche teve seu curso de Direito interditado pelos nazis, e resolveu mergulhar no aprendizado de línguas exóticas para a época; o mandarim e o japonês. Marie-Therese, em contrapartida, tornara-se sionista convicta. Em seguida, os dois resolveram casar-se. Registros da crônica familiar atestam que o Gal. Von Hammerstein sentia-se muito pouco entusiasmado com a figura do genro, não comparecendo à cerimônia das bodas, realizadas em março de1934. Por que, diabos, então, a filha do general insistia naquele casamento? Seria para contrariar Maria von Luettewitz-Hammerstein, sua mãe, sabidamente anti-semita? Ou porque Joachim era filho e neto de dois alemães tão dessemelhantes daquela choldra que acabara de tomar o poder?
Marie-Therese, ao que tudo indica, ansiava em inscrever sua biografia numa outra História, talvez fosse isso.
Em outubro de 1934, o casal Paasche-Von Hammerstein deixava a Alemanha, rumo à Palestina. Nos kibutz que proliferavam nas recém-criadas colônias sionistas, os judeus europeus se obstinavam em subjugar as areias do deserto, arrancar leite de pedras. Poucos meses depois, o delicado Joachim Paasche admitia que o forcejar literalmente bíblico era um custo alto demais para converter-se em judeu, e o casal retornou à Alemanha. Mas então Marie-Therese foi detida e interrogada pela Gestapo. Novamente grávida, desta vez resolvera dar à luz, mas não na Alemanha nazista. Foi quando Joachim se lembrou que já sabia falar japonês, e os dois embarcaram para o distante Japão. Logo para o Japão? As decisões do casal faziam pouco sentido para quem estava alinhado no campo da resistência antifascista. Mas despedindo-se de seu pai, no final de 1935, Marie-Therese apostava que o nazismo duraria mais dois anos no máximo, e ela estaria de volta.
Enganava-se mais uma vez, e nunca mais voltaria a ver seu pai. Não fosse ele, e ela jamais teria desembestado pela geografia a bordo de sua BMW de setecentas cilindradas, comprada com uma parcela da herança deixada por uma tia.
Apesar de empossado na chefia do Estado Maior das forças armadas era segredo público que Kurt von Hammerstein Equord detestava os nazistas, que não raras vezes taxou de “bando de criminosos” ou de “porcos imundos”. Logo após a sua vitória nas eleições de janeiro de 1933, o general alertara o Presidente Von Hindenburg ao perigo que Hitler representava para a democracia. A resposta do marechal de campo, relapso e senil, foi liberar o general de suas atribuições, mas mantendo-o na ativa. Von Hammerstein percebeu que estava isolado no corpo de oficiais e resolveu aproveitar suas prerrogativas para agir em surdina. Respeitado apesar de suas posições excêntricas, mantinha excelente relacionamento com os serviços de inteligência, que começaram a abastecê-lo com relatórios sobre oposicionistas ameaçados pelo regime.
Criativo, mas ardiloso, como quem não queria nada, durante o café da manhã, o general infiltrava conversas de intenções eloqüentes: - Vocês conhecem fulano de tal? Pois eu soube que o sujeito está sendo observado. São favas contadas que vão prendê-lo....”. E mirando firmemente nos olhos cada um de seus filhos, estes não vacilavam em decifrar o código, terminando de servir-se e deitando mãos à obra. O que queria dizer, correr para alertar os ameaçados, ou até mesmo transportá-los para lugar seguro.
Por isso Marie-Therese era conhecida como a “selvagem da motocicleta”.
Menos de dez meses após a tomada do poder por Hitler, Kurt von Hammerstein Equord renunciava a todos os seus cargos, tentando preservar algum espaço que lhe permitisse ajudar os perseguidos. Fez isso durante seis anos, mas não aderiu à resistência ativa. Reativado em suas funções, em setembro de 1939, e delegado para o comando de tropas no delta do Reno, chasqueou entre amigos que sentia vontade de deitar as mãos em Hitler. E escreveu um convite ao Führer, pretextando que sua visita ao seu quartel-general serviria para estimular o moral da tropa. Vaidoso, Hitler aceitara o convite, mas depois, desconfiado, comunicara súbito impedimento. A História não explica se Hitler temia algum atentado, mas garantiu-se, sumariamente demitindo o respeitado general de suas novas funções. Desde então Von Hammerstein caíra no ostracismo.
Gravemente afetado por um câncer, no início de 1943, subitamente Kurt von Hammerstein Equord sentiu-se assaltado por seu velho espírito de justiceiro: - Se me dessem uma divisão eu conquistaria até mesmo o inferno, para arrastar lá de dentro o demônio encarnado em Adolf Hitler!“ Um mês depois, o egrégio general morria. Para evitar seu sepultamento com o esperado, mas hipócrita cerimonial nazista, sua esposa decide antecipar-se, enterrando-o rapidamente. Não conseguiu evitar a insistente coroa enviada por Hitler, mas a bandeira com a suástica, que deveria cobrir o caixão, foi desleixadamente “esquecida” num saco de papel, encontrado numa estação de metrô.
Conta a crônica que os filhos Kunrat e Ludwig deram prosseguimento à resistência encoberta do pai, participando da “Operação Valquíria“, o frustrado atentado à bomba de 20 de julho de 1944, para matar Hitler, no qual estavam envolvidos o Mal. Erwin Rommel e alguns oficiais do Estado Maior; todos condenados à forca, à decapitação, ou ao suicídio, como o de Rommel. Kunrat e Ludwig escaparam, mantendo-se na clandestinidade, o primeiro escondido por algum tempo no porão de uma farmácia, em companhia de um grupo de judeus, e Kunrat, fugindo para a Renânia. Em represália, o regime deitou mãos em Maria von Luettewitz-Hammerstein e seus dois filhos mais jovens, que são atirados nos campos de concentração de Buchenwald e Dachau, de onde foram libertados pelos americanos, um ano depois.
Sessenta e cinco anos após sua morte, feito um Chico Xavier tedesco, o escritor Hans Magnus Enzensberger “fala” com Kurt von Hammerstein Equord no além (Hammerstein oder der Eigensinn. Eine deutsche Geschichte. Frankfurt, 2008)



Mas será o Benedito! Como é admissível que nunca acertaram o Hitler! lhe cobra Enzensberger. 

Será que não havia um único oficial naquele pomposo exército, bom de pontaria? 

A “psicografia” preenche páginas e mais páginas, numa penosa tentativa de garimpar conhecimento dos bastidores daquele corpo de oficiais engessado, de seus pensamentos, planos. 

A propósito: existia mesmo um plano de golpe e instauração de um governo militar, com Hitler fora de circulação? 

Sim, confirma Von Hammerstein, mas confessa sua imensa letargia. Por vezes a questão era “ter saco”. 

Era perfeitamente admissível, deduz Enzensberger, que a queda de Hitler não se efetivara mediante um golpe de seus generais, devido a atitudes insólitas como a preguiça. Atitude que não consta das páginas da História, mas que é capaz de escrevê-la.
Naqueles dias da conspiração, tardia e desencontrada, Marie-Therese vivia no Japão em companhia do marido, Joachim, e dos quatro filhos, nascidos um a cada ano. 

Apesar de súditos de um país aliado do Eixo, os Hammerstein-Paasche eram encarados com desconfiança no Japão. Em 7 de novembro de 1944, os japoneses tinham levado à forca Richard Sorge, jornalista alemão e espião da NKWD, que em 1941 alertara os soviéticos a dois acontecimentos insuspeitos que estavam por vir: que os japoneses não atacariam a URSS, mas que Hitler a atacaria. Para Stálin, Sorge não batia bem da cabeça, mas o Gal. Sukhov resolvera levar a sério seu alerta, deslocando colossais efetivos militares da distante Sibéria para o cinturão de defesa de Moscou, virando o jogo. Fora o começo do fim de Hitler. Por isso, Berlim tinha insistido tanto, pedindo a cabeça do maldito Sorge. Já os alemães residentes em Tóquio eram majoritariamente seguidores do regime, de modo que isolaram os Hammerstein-Paasche. Para não definharem de fome, durante muitos meses, a jovem de sangue azul e o neto do egrégio vice-presidente do Reichstag se alimentaram de plantas silvestres e fungos.
Não há registros de sua reação ao lançamento das bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945. Mas é significativo que só em 1948 o casal alemão e seus quatro filhos, que falavam japonês, conseguiram permissão para emigrar aos EUA. Observados na Alemanha, no Japão tratados como suspeitos até aviso em contrário, recém-desembarcados nos EUA, iniciava-se seu fustigamento pelo FBI.
Para os Hammerstein-Paasche a guerra, agora fria, parecia não ter fim: durante quarenta anos afora o casal de alemães e seus filhos vegetaram na mais infame pobreza, só atenuada, na década de 1970, quando Joachim Paasche conseguiu um emprego na divisão de língua chinesa da Biblioteca do Congresso, em Washington. Foi quando finalmente decidiu converter-se ao judaísmo, pelo qual tanto sofrera. “Talvez fosse hora de fazer uma tentativa” disse ao filho, Gottfried. Até então Joachim vegetara seus dias como operário de fábrica.
Inteligente, bonita e generosa; nobre, militante antifascista e democrata convicta, a Marie-Therese von Hammerstein os Aliados, vitoriosos, não dispensaram generosidade maior - ou mais mesquinha, como se queira - do que obrigá-la a gastar o resto de seus dias como reles faxineira e cozinheira do american way of life. 

Morreu, pobre, em 2001, numa casa de repouso judaica, em San Francisco, Califórnia. 

Mas só fora admitida porque havia transportado em sua motocicleta e salvado a vida de alguns judeus.

Fotos: em sentido decrescente, Marie Therese, e seu pai,
Gal. Kurt Von Hammerstein Equord


24 fevereiro 2012

Frederico Füllgraf - Soledad Barret, por Benedetti e Viglietti



Memória

No dia 8 de janeiro de 1973, morria em Recife, assassinada pela ditadura militar brasileira, a guerrilheira Soledad Barret Viedma. Era neta do ilustre escritor hispano-paraguaio, Rafael Barret, e tinha 28 anos. Hoje, início de 2012, Soledad, se viva estivesse, completaria 67 anos de idade, e contaria suas aventuras a seus netos, sentados em seu colo.

Sua brutal execução pelas mãos do famigerado delegado Sérgio Fleury -  torturador cínico, assassino frio -  causou profunda comoção entre os que a conheceram, mas também espanto com a beleza daquela moça de leve sotaque hispânico, que trabalhava como vendedora em uma casa de modas do Recife.

Durante aqueles anos de trevas e chumbo, em que estavam mergulhados os países sul-americanos, a família Barret-Viedma refugiara-se no Uruguai. Dois uruguaios apaixonados por la muchacha Soledad - o poeta e escritor, Mario Benedetti, e o cantor e compositor, Daniel Viglietti - dedicaram-lhe versos devotados .

Fleury a executou, mas o mentor sinistro do assassinato foi seu próprio companheiro, o espião e delator, Cabo Anselmo. 

Foram duas as mortes de Soledad: ela estava grávida de cinco meses. Da besta Anselmo.



Muerte de Soledad Barret  
Mario Benedetti


Viviste aquí por meses o por años
trazaste aquí una recta de melancolía
que atravesó las vidas y las calles

hace diez años tu adolescencia fue noticia
te tajearon los muslos porque no quisiste
gritar viva hitler ni abajo fidel

eran otros tiempos y otros escuadrones
pero aquellos tatuajes llenaron de asombro
a cierto uruguay que vivía en la luna

y claro entonces no podías saber
que de algún modo eras
la prehistoria de Ibero

ahora acribillaron en recife
tus veintisiete años
de amor templado y pena clandestina

quizá nunca se sepa cómo ni por qué


los cables dicen que te resististe
y no habrá más remedio que creerlo
porque lo cierto es que te resistías
con sólo colocárteles en frente
sólo mirarlos
sólo sonreír
sólo cantar cielitos cara al cielo

con tu imagen segura
con tu pinta muchacha
pudiste ser modelo
actriz
miss paraguay
carátula almanaque quién sabe cuántas cosas

pero el abuelo rafael el viejo anarco
te tironeaba fuertemente la sangre
y vos sentías callada esos tirones

soledad no viviste en soledad
por eso tu vida no se borra
simplemente se colma de señales

soledad no moriste en soledad
por eso tu muerte no se llora
simplemente la izamos en el aire

desde ahora la nostalgia será
un viento fiel que hará flamear tu muerte
para que así aparezcan ejemplares y nítidas
las franjas de tu vida

ignoro si estarías
de minifalda o quizá de vaqueros
cuando la ráfaga de pernambuco
acabó con tus sueños completos

por lo menos no habrá sido fácil
cerrar tus grandes ojos claros
tus ojos donde la mejor violencia
se permitía razonables treguas
para volverse increíble bondad

y aunque por fin los hayan clausurado
es probable que aún sigas mirando
soledad compatriota de tres o cuatro pueblos
el limpio futuro por el que vivías
y por el que nunca te negaste a morir.


Soledad
Daniel Viglietti

La  duda lleva mi mano hasta la guitarra,
mi vida entera no alcanza  para creer
que puedan cerrar lo limpio de tu mirada;
no existe  tormenta ni nube de sangre que puedan borrar
tu clara señal.

La  soledad de mi mano se da con otras
buscando dejar lo suyo por los  demás,
que a mano herida que suelta sus armamentos
hay  que enamorarla con la mía o todas que los van a alzar,
que  los van a alzar.

Una cosa aprendí junto a Soledad:
que  el llanto hay que empuñarlo, darlo a cantar.
Caliente  enero, Recife, silencio ciego,
las cuerdas hasta olvidaron el  guaraní,
el que siempre pronunciabas en tus caminos
de  muchacha andante, sembrando justicia donde no la hay,
donde no la  hay.

Otra cosa aprendí con Soledad:
que la patria no  es un solo lugar.
Cual el libertario abuelo del  Paraguay
creciendo buscó su senda, y el Uruguay
no  olvida la marca dulce de su pisada
cuando busca el norte, el norte  Brasil, para combatir,
para combatir.

Una tercera cosa nos  enseñó:
lo que no logre uno ya lo harán  dos.
En algún sitio del viento o de la verdad
está  con su sueño entero la Soledad.
No quiere palabras largas  ni aniversarios;
su día es el día en que todos  digan,
armas en la mano: "patria, rojaijú".

03 janeiro 2012

Mujeres y cambio climático



Rebeca Ramos Rella *



El Programa de Naciones Unidas para el Medio Ambiente, en ocasión de la 17 Conferencia sobre Cambio Climático, celebrada en Durban Sudáfrica, presentó un breve pero contundente diagnóstico sobre el perjuicio de este efecto global sobre la situación de las mujeres. En el Informe “Mujeres en la primera línea del Cambio Climático. Riesgos y esperanzas desde la perspectiva de género” se concluye que cuando sufrimos desastres naturales, -sequías, hambrunas, inundaciones extremas- son las mujeres las peor afectadas; además de niños y niñas.

Las mujeres que sufren estragos del cambio climático, además de tragedias, destrucción, muerte y dolor, se ven obligadas a buscar refugios y desplazarse, a sobrevivir en contextos de alta inseguridad social y personal, quedando a merced de grupos criminales que aprovechan su desgracia, la confusión que impera en momentos de devastación y la ausencia de estructuras sociales, leyes y autoridades que protejan sus derechos humanos. En base a promesas y mentiras, el crimen organizado ofrece soluciones inmediatas frente a desesperación y pérdidas materiales de mujeres y sus familias, por lo que ellas son susceptibles de ingresar a los hondos, oscuros y deleznables laberintos de la trata y explotación sexual.

Acentúa que las mujeres del sur del globo, “son especialmente vulnerables en situaciones de desastre por culpa de sesgadas relaciones de poder y de la desigualdad inherente a normas culturales y sociales”. Las mujeres y niñas solas, asiladas o huérfanas en medio del caos, excluidas del aprendizaje de estrategias y habilidades de supervivencia; segregadas por su condición de género, son presa común de la trata y explotación. Según la INTERPOL, el flagelo ilícito se dispara entre 20% y 30% cuando hay emergencias naturales.

El Informe del PNUMA revela la gran paradoja de este fenómeno repudiable, como un círculo vicioso del que las mujeres nada más no logran salir. Por un lado “las mujeres son fundamentales para crear opciones de adaptación sostenibles, gracias a sus
conocimientos, responsabilidades diversas y simultáneas y a los papeles que desempeñan en las áreas productivas(…)como agricultura, pastoreo, biodiversidad y explotación de los bosques; cuidado del hogar, obtención de ingresos, búsqueda de sustento. Según cálculos, alrededor del 43% de la mano de obra agrícola mundial corresponde a mujeres” –en Asia y África llega al 50%-.

Sin duda son ellas el sector estratégico de la población en el que descansan sostenibilidad medioambiental y seguridad alimentaria, dos pilares vitales que están bajo grave riesgo, por el cambio climático. Pero poco se hace para reconocerles este rol sustancial. En países afectados por el fenómeno medioambiental es “normal” que las mujeres no cuenten con pleno acceso a educación; hay discriminación en reparto de alimentos; inseguridad alimentaria; limitación en acceso a recursos; exclusión de instituciones y procesos políticos y en toma de decisiones. La marginación social, el machismo, la misoginia, la desigualdad de género, les regatean no sólo reconocimiento justo de su participación fundamental en el manejo y cuidado de recursos naturales, sino también, la indiferencia frente al abandono que las deja indefensas a su suerte, sin opción de solventar sus requerimientos básicos y los de sus familias afectadas por desastres. Si a este escenario deleznable, agregamos la discriminación e invisibilidad en tareas de gobierno, en ámbitos comunitarios, el recrudecimiento de violencia, acoso y todo tipo de maltrato contra ellas, que se ha probado, se genera mayormente en el seno de sus hogares y que llega hasta el feminicidio, el escenario es aún más desolador en medio de la devastación medioambiental.

Afirma el Informe que esta madeja de nudos ciertamente obstaculiza la adaptación de las mujeres a situaciones extremas y a cambios drásticos del entorno, por lo que los gobiernos están obligados a integrar y aplicar la perspectiva de género, en respuesta responsable y eficaz y les plantea siete recomendaciones:

1.- “Diseñar programas de adaptación en materia de seguridad alimentaria, agricultura, pastoreo y gestión de los recursos naturales de forma sensible y teniendo en cuenta los múltiples papeles que mujeres y hombres desempeñan en los distintos ámbitos de la gestión de los recursos naturales, así como en sus hogares, comunidades, formas de sustento e instituciones y relaciones consuetudinarias y legales (a nivel local, nacional, regional e internacional). Los programas deberían centrarse en las mujeres y en la igualdad de sexos”.

2.- “Mejorar los medios de vida de las mujeres y potenciar la adaptación garantizando que estas tengan el acceso, el control y la propiedad de los recursos (tierra, ganado, bienes y oportunidades de obtener ingresos), así como acceso a recursos para el desarrollo, como créditos, información, formación, difusión y tecnología”.

3.- “Invertir en tecnologías verdes que tengan en cuenta las cuestiones de género, se adapten a cada cultura y permitan ahorrar trabajo, tales como sistemas de recogida y almacenamiento de agua, sistemas de riego y combustibles sustitutivos de la madera”.

4.- “Efectuar un análisis sistemático del cambio climático desde la perspectiva del medio ambiente, del desarrollo y de la igualdad entre los sexos”.

5.- “Propiciar un entorno que posibilite una mayor participación y aportación de las mujeres en los procesos de toma de decisiones y adopción de políticas en las instituciones locales, comunitarias, nacionales, regionales e internacionales, así como en los procesos, las negociaciones y las políticas relacionadas con el cambio climático”.

6.- “Garantizar que los programas de educación, formación, concienciación e información aborden la vulnerabilidad y la violencia de género, los abusos sexuales y la trata de personas en el contexto de las regiones montañosas y, especialmente, en las áreas con un riesgo elevado de inundación, sequía y otros desastres naturales”.

7.- “Colaborar entre los cuerpos nacionales de policía, las autoridades aduaneras, las ONG que combaten la trata de personas, las instituciones de investigación y la INTERPOL para
detectar, interceptar y combatir el tráfico nacional y transfronterizo de mujeres, niños y niñas”.

No obstante, en la COP 17 de Durban, los acuerdos alcanzados a marchas forzadas de 190 países y sobre el hastío del juego de vencidas entre Estados Unidos y China, principales potencias contaminantes con el 40% de emisiones globales, que nada más no transigen, no hay acciones definitivas para abatir efectos del Cambio Climático y por consecuencia, para solucionar la problemática que perjudica y pone en peligro, tanto a mujeres como a niñas y niños.

Pero algo es algo. Aprobaron ampliar a un segundo periodo de compromiso, el Protocolo de Kioto –que expira en diciembre de 2012- y que demanda reducción de gases de efecto invernadero. Les dieron prórroga a 2017 o 2020. Así que tienen años para seguir debatiendo sin asumir responsabilidades. Sin embargo, se logró el diseño del Fondo del Clima Verde, -unos 100 mil millones de dólares anuales que a partir de 2020, los países ricos aportarán para ayudar a los países en desarrollo, para financiar acciones que mengüen sus emisiones de CO2-aunque no se especificó de dónde saldrá ese dinero.

Los delegados festejaron que los “sucios renegados”, ricos y emergentes, firmaran una hoja de ruta para llegar al gran acuerdo global, que mejore al Protocolo de Kyoto y que debe estar listo para el 2015 y entre en vigor en 2020; así que no habrán compromisos jurídicamente vinculantes hasta entonces y por lo pronto el planeta se seguirá calentando con riesgo de subir más allá de los 2°C, que significa la irremediable catástrofe.

El Informe del PNUMA concluye que si los gobiernos efectivamente transformaran políticas públicas con enfoque de género, en acciones definitivas para afrontar y menguar los efectos destructivos del cambio climático, una de las herramientas indispensables para atacarlo, es precisamente reconocer a las mujeres en su magnífica capacidad y conocimiento de adaptación en contingencias e integrarlas al trabajo de desarrollo internacional al respecto, como genuinas protagonistas estratégicas y de pleno derecho.

Insiste. Son las mujeres, las lideresas en el desarrollo de la gestión del medio ambiente en sus países. Y sentencia: “son la mayor esperanza de cara al futuro”. De manera que los gobiernos nacionales y en los otros órdenes, deben tomar nota y acción, independientemente de los obstáculos en la arena internacional. Hay que actuar.

Por lo pronto, en México, en días pasados, el Senado ya aprobó la primera Ley del Cambio Climático, que establece una política nacional contra emisiones de gases contaminantes; estipula que dependencias y entidades de la administración pública estatal y municipal llevarán a cabo políticas y acciones de Mitigación tendientes a fomentar prácticas de eficiencia energética y promover el uso de fuentes renovables; más inversiones en construcción de ciclo vías o infraestructura de transporte no motorizado; aplicación de políticas públicas de protección al ambiente y de preservación y restauración del equilibrio ecológico; plantea reducir causas del efecto invernadero y disminuir la vulnerabilidad de población y ecosistemas; se elaborará y actualizará el Atlas Nacional de Riesgo.

Nuestra Ley crea al Instituto Nacional de Ecología y Cambio Climático para “coordinar y desarrollar la investigación científica y tecnológica con la política de bioseguridad, desarrollo sustentable, protección al medio ambiente y cambio climático”. Bien. Ojalá vaya en serio, se cumpla y se aplique. Sin embargo, falta el enfoque de género.

Mientras persistan desigualdad, discriminación e invisibilidad de las mujeres; escaso o nulo reconocimiento al ejercicio de sus derechos; meros discursos mediáticos hacia la igualdad, no violencia, no trata, tan incongruentes en las acciones de gobiernos; leyes que no se cumplen; remilgos en presupuestos para políticas públicas y programas con perspectiva de género, también los efectos nocivos e irreversibles del cambio climático continuarán destruyendo nuestros hogares y estructuras institucionales.

En tanto los gobiernos no promuevan ni se cercioren de apego a la legalidad y efectividad en los hechos y realidades, de los programas y acciones que incidan en conductas colectivas de respeto, reconocimiento e inclusión hacia las mujeres, desde la discriminación y desigualdad que padecemos, ya nos alertan, seguiremos destruyendo nuestro planeta y sepultando nuestra sobrevivencia.


*  Rebeca   Ramos Rella é  assessora política 
da Secretaria de Turismo  de Vera Cruz, 
 analista e cronista politica mexicana. 

Fonte: Al calor politico - México,dez. 2011


Fotos: divulgação