Mostrando postagens com marcador Michelle Bachelet. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Michelle Bachelet. Mostrar todas as postagens

15 junho 2014

Frederico Füllgraf - A trégua da Copa: conversas ao pé do ouvido entre Dilma Rousseff e Michelle Bachelet



Santiago do Chile - Menos de 48 horas após as primeiras e gigantescas manifestações pelo Ensino Público e Gratuito, que na terça-feira, 10 de junho, voltaram a mobilizar dezenas de milhares de estudantes nas ruas das principais cidades do Chile – com 90 manifestantes presos e 6 policiais militares feridos - a presidente Michelle Bachelet realiza sua primeira visita de Estado desde sua posse em março último, para ratificar sua aliança estratégica com o Brasil.
Embora tenha reiterado que cumprirá sua promessa de devolver ao país um sistema de ensino que não penalize a classe média e os trabalhadores – punidos, sim, desde a ditadura Pinochet, com  impagáveis dívidas bancárias por mensalidades entre 400,00 e  1.000,00 dólares, até mesmo nas universidades estatais – agora Bachelet enfrenta também a oposição do Colégio (Federação de Sindicatos) de Professores do Chile, que rejeita frontalmente o projeto do ministro da educação, Nicolás Eyzaguirre, e conclama uma greve geral do setor de Educação a partir do dia 25 de junho.
Abancadas no Itaquerão, talvez durante o intervalo após um tedioso primeiro tempo do jogo inaugural, Brasil-Croácia, as presidentes Dilma Rouseff e Michelle Bachelet tenham trocado confidências e desabafado uma no ombro da outra.
A presidente brasileira por ter se tornado alvo predileto de uma sórdida campanha de mídias, nacionais e internacionais, que a culpabilizam desde torneiras que não doam água em algum estádio terminado às pressas, até as nuvens negras sobre a Economia do país, cujas sombras escrevem a palabra “estancamento”. Isso, sem falar no refrão “não vai ter copa!”, reverberado dentro e fora do país por grupúsculos entre si dessemelhantes, porém acampados na lateral direita das assim chamadas “redes sociais”. E sindicatos oportunistas – aeroviários, metroviários et allii – que se lixam um cazzo com vésperas de Natal, Carnaval ou Copa do Mundo, eventos de confraternização universal, aos quais os grevistas soem antepor reivindicações muitas vezes justas, mas que cobradas com truculência e na hora errada são mesmo atitude boçal.
Cruzada contra o “Santo Gral”.
Porém, se Dilma foi sincera, haverá confessado à compañera Michelle, que se arrepende de uma lição de casa não feita. Como bem lembrou Luis Nassif, em recente coluna, tivesse refletido e tornado ação política a sábia frase do esperto Confúcio - “Mais vale uma imagem do que mil palavras!” - e o estrago midiático teria sido evitado com respostas à altura: as literais imagens das obras. Afinal, o Planalto tem motivos, não para disparar rojões de soberba, mas contrarestar a campanha com dados e indicadores de inclusão social  irrefutáveis. Tëm motivos para dizer, mas não diz, e deixa seus adversários desdizerem. Então, ninguém menos que Jim Young Kim, presidente do Banco Mundial, teve que sair em socorro de Dilma Rousseff, carregando nas tintas: “O governo brasileiro conseguiu implementar o ´Santo Gral´, com investimentos que unem o bem-estar social, a educação e a saúde, através  de programas como o conhecido Bolsa Família e o Brasil Sem Miséria!” (Young Kim em Brasília, 02/06/2013).
Exatamente o que o México de Peña Nieto e o Chile de Bachelet agora imitam com outros nomes: “Oportunidades”, ou “Bono de las Famílias”. 
São modestas, mas exitosas ferramentas de inclusão social primária, forjadas pelos ferreiros da socialdemocracia latino-americana.




Fotos:  divulgação

Aquém e além Andes, a ressaca da crise de 2008
O que terá cochichado Michelle Bachelet no ouvido de Dilma Rousseff?
Em primeiro lugar, que lhe fazem a mesma crítica: a do estancamento da Economia. Reverberado mundo afora como pupilo-modelo do projeto neoliberal em escala global, cujo PIB vinha crescendo acima dos 7,0% desde a década dos anos 1980 – ao custo de truculenta “desregulamentação” (desestatizações e privatizações a rodo)  e “flexibilização” do mercado de trabalho (esquartejamento dos sindicatos, liquidação da estabilidade, terceirização de mão-de-obra e privatização da seguridade social) - em 2013, último ano da administração Sebastián Piñera, a taxa de crescimento do Chile caiu para 4% e não deverá superar os 3% em 2014.
Então o refluxo não é um fenômeno exclusivo, “made in Brazil”, e “culpa da Dilma”? Não, não é. Bancos Centrais, banqueiros, UNCTAD e OECD são unânimes em seu prognóstico de uma retração em bloco nas Economias da América Latina em 2014, como ressaca da grande quebradeira global de 2008. É a sina dos exportadores de commodities, como o Chile, mas grupo ao que, apesar do diversificado perfil de industrialização, o Brasil ainda pertence.
Mas estará essa socialdemocracia promovendo reformas estruturais, capazes de desafiar a dominação dos mercados, com modelos sócio-econômicos efetivamente profundos e não apenas paleativos?
Eyzaguirre, o “socialista arrependido”
Apesar das boas intenções, com suas hesitações, os nem tão novos ferreiros socialdemocráticos teimam em dar uma cravo, e outra na ferradura, isto é: namorar os pobres, sem trair “os mercados”. Exemplo disso é a turbulenta reforma educacional cobrada pela sociedade chilena nas ruas.
Estudantes e, agora, os professores insistem que, apesar do diálogo mantido com o ministro da educação, Nicolás Eyzaguirre, o projeto de reforma elaborado pelo governo não contempla suas demandas, pois prevê um “parcelamento” inaceitável de medidas, das quais a mais esperada é o ensino público universal gratuito. Prometido apenas para 2026, até lá Inês é morta!
Contudo, o pivô da crise entre estudantes e professores de um lado, e o governo, de outro, é o inabalável credo de Eyzaguirre na redenção pelo mercado.
De raízes democrata-cristãs, o ministro foi membro dos partidos Esquerda Cristã e Comunista durante o governo da Unidade Popular de Salvador Allende. Obrigado a refugiar-se após o golpe civil-militar de 11 de setembro de 1973, decidiu exilar-se nos EUA. Engenheiro comercial diplomado pela Universidade do Chile, Eyzaguirre doutorou-se em Macro-Economia e Comércio Exterior na Universidade de Harvard, instituição que, segundo tem afirmado, alterou radicalmente sua visão de Economia, pois ali adotaria sua crença nos princípios do “livre mercado”, reconhecendo seu “erro”, ao abraçar anteriormente o ideário socialista. De Harvard para as instituições reguladoras foi um pulo, pois tempos depois Eyzaguirre chefiava o Departamento para o Hemisfério Ocidental do FMI-Fundo Monetário Internacional, de onde foi guindado para o ministério da fazenda no Governo do socialista Ricardo Lagos (2000-2006).
O lucrativo business da educação
Com seu perfil declaradamente neoliberal, mal fora empossado por Bachelet, e Eyzaguirre bateu de frente com os estudantes: ele promete a reforma, mas adverte que os “sostenedores” (patrocinadores) privados das redes pública e privada de ensino querem garantias de retorno seu “investimento”.
Quem são estes “patrocinadores”?
São empresas privadas, autorizadas pela ditadura Pinochet (1973-1990) para gerenciar  colégios e universidades. Apesar dos 25 anos do retorno da democracia, o sistema pinochetista sobrevive: a educação pública chilena é oferecida pelos municipios e os assim chamados "sostenedores". Que não tiram dinheiro do próprio bolso, mas recebem fundos do Estado para a administração do ensino em caráter privado.
Uma aberração!
Mas Eyzaguirre propõe a sobrevida do “sistema misto”, no qual o Estado faz uma “oferta de conhecimento” e os estudantes registram sua “demanda”. Ao que, com razão, os estudantes respondem nas ruas: “Basta à mercantilização da educação!”.
Fogo amigo
Com a adesão do Colégio de Professores do Chile ao movimento pela reforma educacional autêntica, abriu-se nova trincheira não apenas em frente ao ministério da educação, mas dentro da própria coligação do Governo Bachelet.
Apoiado pela Central Unitária de Trabajadores (CUT), à qual é filiada, a federação sindical dos professores é presidida por Jaime Gajardo, que com Bárbara Figueroa, presidente da CUT, integra o Diretório Nacional do Partido Comunista, que é integrante do Governo Bachelet, e cujo ministo da educação é o socialista arrependido Nicolás Eyzaguirre.
Ex-preso político da ditadura Pinochet - que no Estádio Nacional, em 1973, viu morrer o lendário cantor Víctor Jara, e que sofreu expulsão da universidade - o matemático Gajardo é taxativo: “Acreditamos que este projeto, ao caminhar de forma parcelada, não aborda problemas que são estruturais... e que a coluna vertebral deste sistema - que é o financiamento competitivo, por assistencia média  - deve ser quebrada, porque do contrário a educação pública se debilitará ainda mais”.
Como advertência ao governo, no próximo dia 25 de junho os professores do Chile cruzarão os braços: ou Eyzaguirre, que insiste no diálogo, escuta de verdade seus pares, mudando conteúdo e abreviando prazos da agenda, ou uma greve geral com duração indefinida paralisará o setor de Educação no Chile.
Hoje, numa emblemática sexta-feira, 13, Michelle Bachelet desembarca emCuiabá, onde, em companhia do governador Silval da Cunha Barbosa, visitará uma  exposição fotográfica arranjada em última hora: “Chile–Brasil unidos pelo futebol”.
Às 17:30, no Estádio Arena Pantanal, a mandatária assistirá então o enfrentamento da “roja”, a seleção do Chile, com a Austrália.
Se há poucos fenômenos memoráveis que unam  Chile e Brasil, no futebol une-os a paralisia: o Chile também pára com a Copa.
Será que em sua trégua, longe das trincheiras escaldantes, Bachelet ligará para Eyzaguirre, dizendo: “É bom parar para pensar”?
Publicado originalmente em 



13 dezembro 2013

Frederico Füllgraf - Michelle Bachelet entre “os mercados” e o clamor das ruas

Ilustrações: divulgação

A direita, que em menos de um ano escalou três candidatos, dos quais dois renunciaram – o último deles, o pinochetista Pablo Longueira, afetado por grave crise de depressão – disputa o páreo com Evelyn Matthei, filha de um general que durante catorze anos integrou a ditadura Pinochet, e que nada fez para impedir a prisão e a morte de seu colega de farda, Brigadeiro Alberto Bachelet, pai da candidata de centro-esquerda, falecido nas masmorras da ditadura chilena em março de 1974. Indiferente à derrota que sua candidata sofrerá no próximo domingo, 15, Sebastián Piñera, dono de patrimônio avaliado em 2,5 bilhões de dólares, retorna aos seus negócios, distribuídos entre línhas aéreas, o clube de futebol Colo Colo, administradora de cartões de crédito e supermercados.
Para Evelyn Matthei o páreo se encerra em 15 de dezembro, já para a virtual Presidente Bachelet a arrumação do país começa no dia seguinte. Seus desafios são enormes: o  Chile não apenas vive sob  uma democracia amordaçada pelo legado pinochetista, com uma Constituição e leis ordinárias permeadas pelo estado de exceção, mas é também um país assimético, ultra-centralizado em Santiago, com notável dívida à diversidade e autonomia das províncias, e sobretudo um país imensamente desigual.
As 50 medidas dos primeiros 100 dias de governo
A duas semanas de assumir o poder, Bachelet terá que arrebatar a Sebastián Piñera e sua bancada direitista no Congresso, a garantia de disponiblidade orçamentária para financiar as primeiras 50 medidas que pretende implementar nos primeiros 100 dias de seu governo. A grosso modo, seu programa de governo, dilatado em quatro anos, está focado em três grandes eixos: as reformas tributária, do ensino e da Constituição. Contudo, um amplo leque de medidas emergencias tem por objetivo reduzir imediatamente  parte da dívida social acumulada. Entre elas estão a entrega dos primeiros 500, de um total de 4.500 novos berçários em todo o Chile; a criação de duas novas universidades públicas regionais, uma delas na explosiva província de  Aysén; convênios para criação das 5 primeiros escolas públicas regionais de Formação Técnica; implementação do Fundo Nacional de Medicamentos, conveniado com todas as municipalidades do país; contratação de 750 novos médicos especialistas para o sistema de saúde pública; projeto de lei que cria, a partir de  2014,  o Aporte Familiar Permanente, subsídio de combate à pobreza no valor mensal de 40.000 Pesos (equivalente a R$ 175,00) que beneficiará 2,0 milhões de famílias; programa de Formação e Capacitação Profissional para aumentar a participação feminina no mercado de trabalho,  beneficiando 300.000 mulheres, e assim por diante.
São medidas com sabor paliativo, poder-se-ia argumentar, porque a expectativa da maioria do eleitorado de Bachelet, situado à esquerda, é de que a Presidente dê mostra de vontade política para desmontar o arcabouço neoliberal inaugurado pela ditadura Pinochet, que catapultou o Chile ao topo das economias latino-americanas de maior crescimento nos últimos vinte anos, mas instalando-o também no ranking dos países socialmente mais desiguais, onde ocupa a nada invejável 6ª posição, um pouco atrás do Brasil.
“Neoliberalismo configurou corações e mentes”
Alberto Mayol, jovem sociólogo da Universidade do Chile e autor de “El derrumbe del modelo. La crisis de la economía de mercado en el Chile contemporáneo”  (Editorial LOM), campeão de vendas em 2012, alerta que “a pobreza, efetivamente, é um assunto premente, mas a desigualdade é uma manifestação que não tem semelhança imediata com a pobreza, e no Chile nunca mereceu atenção do poder constituído”.
Comentando o alto índice de abstenção no primeiro turno da eleição presidencial, Mayol assinala que o país chega à disputa “com um ciclo de impugnação agudo, no qual são objetados os valores culturais dominantes e fundamentais desse modelo de sociedade”. Ter elegido em 2010 o bilionário Sebastián Piñera, foi para o sociólogo “o tirunfo cultural do lucro como suposta forma de sociabilidade e mecanismo político”, mas ao final do quatriênio de seu mandato, a percepção dos chilenos seria de que “o lucro é coisa de Satanás”, tamanha a indignação popular com a súbita riqueza e opulência de poucos e a exclusão social de muitos (leia também deste autor, “A face perversa do ´modelo chileno”). Por isso, segundo Mayol, confirmada a tendência de sua vitória no próximo domingo, Michelle Bachelet deveria governar com protagonistas do movimento social, como a comunista Camila Vallejo, ou o deputado da Esquerda Autônoma, Giorgio Jackson, ambos ex-líderes estudantis recém-eleitos deputados.
A rigor, antes de nada mais, a nova presidente deveria promover uma revolução espiritual e cultural, porque “o neoliberalismo não apenas semeou um modelo econômico e político, mas também configurou corações e mentes”, advertiu com pena áspera e doída, Cristian Zúñiga, na edição de 11 de novembro do jornal Clarin, chileno. Segundo o articulista, o senso comum no Chile contemporâneo está contaminado por uma concepção neo-conservadora da vida, onde o individualismo, a competição desenfreada e a violência são pão de cada dia.
Os mercados e os ministeriáveis de Bachelet
Essa subcultura do “quem pode mais, chora menos”, do “vale tudo” legado pelo pínochetismo, foi a marca da transição e impulsionou a formação desenfreada das novas grandes fortunas no país, por isso é motivo de preocupação de influentes pesquisadores e jornalistas chilenos, que suspeitam “mais do mesmo”: a continuação do “modelo” das desigualdades sociais.
É fato que, desde seu retorno ao Chile, no início de 2013, quando abdicou em Nova York ao cargo de Diretora Executiva do Programa ONU-Mulheres, Michelle Bachelet vem sendo assediada por representantes dos grandes grupos econômicos do país, tais como operadores do Grupo Luksic (com 17,4 bilhões de dólares, segundo o ranking Forbes 2013, a maior fortuna do Chile e uma das maiores das Américas), da ONG Paz Ciudadana, fundada por Agustín Edwards como forum conservador que discute e emite propostas da iniciativa privada no combate à criminalidade, e até mesmo personagens de comprometedora reputação política, como Alberto Kassis, membro do Conselho Protetor da Fundação Pinochet.
O assédio é articulado com jantares, encontros privados e declarações de apoio, e sinaliza duas intenções. Reconhecendo em Bachelet a candidatura potencialmente vitoriosa, o grande empresariado quer descolar sua imagem do pinochetismo, mas também exercer sua influência, recomendando “prudência” e “governabilidade”, vocabulário restritivo que já contamina o próprio discurso da candidata socialista.
Carregando nas tintas com o título “Los personajes del terror del nuevo comando de Bachelet”, em sua edição de 14/07/2013 o jornal esquerdista “El Ciudadano” advertiu para umthink tank chamado Espacio Público, criado em 2012 por Eduardo Engel, economista e colunista dominical do jornal “La Tercera”, de propriedade do empresário atacadista de origem árabe, Alvaro Saieh, dono de um patrimônio de 3,0 bilhões de dólares (Forbes 2013) e, junto com o Grupo El Mercurio, controlador de 90% da imprensa escrita no Chile.
Na mesma linha, Ernesto Carmona, prestigiado articulista da velha guarda e autor de “Los duenõs de Chile” (Ed. La Huella, Santiago, 2002), assinalou na edição de 24/07/2013 do jornal “Clarin”, chileno, que o próprio comando programático de Bachelet era frequentado por “uma gama de veteranos habituados a atravessar com  desenvoltura a porta giratória entre o ´serviço público´e os negócios privados. Os integrantes mais relevantes e de maior influência no time, têm como denominador comum levar em seu DNA  a ideología neoliberal”. “No insigne trato editorial de seus jornais, “La Tercera” e “Pulso”, destinado ao setor empresarial, o apoio de Saieh a Bachelet é notório”, dizia Carmona.
O temível “engenheiro da previdência”
Talvez o personagem mais polêmico do comando programático da futura presidente socialista seja  mesmo Alberto Arenas, ex-diretor executivo do Orçamento no primeiro governo de Bachelet, onde se desempenhou como artífice de uma reforma previdenciária que, segundo os analistas, não tocou nos interesses dos grandes grupos privados, depois do que Arenas mudou-se para a Grupo Luksic como diretor do Canal 13 de TV, de propriedade do grupo de origem croata.
Em seu ácido artigo de julho, o “El Ciudadano” recorda que “o militante comunista e dirigente estudantil, Alberto Arenas, depois de formar-se em engenharia comercial na Universidade de Chile, abandonou as camisetas com a estampa do Ché Guevara, afrouxou o  punho cerrado e em 1991 assumiu a gerência de estudos do Banco Sud Americano. Dos anos depois, fez doutorado na Universidad de Pittsburgh, onde iniciou suas pesquisas sobre a reforma previdenciária realizada por Pinochet”.
Ligado ao senador Camilo Escalona, do Partido Socialista, agora Arenas está de volta como autor do projeto de reforma tributária de Bachelet, que pretende alocar 3% do PIB (aprox. 8,2 bilhões de dólares),  extinguir o Fundo de Utilidades Tributáveis (FUT), aumentar o imposto de renda das empresas, de 20% para 25%, e baixar a alíquota máxima para pessos físicas de 40% para 35%.
Os 3% do PIB deverão financiar a reforma da educação, mas Arenas já advertiu em entrevistas que não se alimente ilusões e que tudo seja feito com “prudência”, “seriedade” e“responsabilidade”.
Desde o primeiro governo Bachelet transcorreram cinco anos, e até mesmo Joaquín Vial, ex-presidente do fundo privado de pensões Provida, admitiu em 2012 que 60% dos pensionistas afiliados aos fundos privados, que dominam 90% do “mercado de pensões”, recebem hoje uma aposentadoria abaixo de 150 mil Pesos (aprox. R$ 650) mensais. Segundo a OCDE (2012), em torno de 20% dos chilenos de terceira idade vivem na pobreza, superando a média dos países signatários, que é de 12,8%.
Resistir e impor-se à pressão dos mercados, manter-se fiel ao diálogo com as ruas - eis o maior desafio de Michelle Bachelet.