11 março 2015

Frederico Füllgraf: Matadouro de mulheres





Frida Khalo - Unos cuantos piquetitos (1935)



Reportagem para o programa “Resonanzen”, Radio WDR3 (Köln), 31/07/2012
(versão em Português do original em Alemão)

“Umas poucas espetadelas” é o título do quadro desconcertante, pintado em 1935 pela artista plástica mexicana, Frida Khalo, que exibe uma mulher nua, prostrada de costas sobra uma cama; esfaqueada. A densidade da cena percebe-se na moldura salpicada de sangue, querendo tanto dizer do grau de violência aplicada à vítima por seu algoz, como da perturbação e do asco da autora pelo episódio imaginado.
Parado ao lado da cena de sangue, com a arma do crime na mão, é emblemática a expressão imperturbável no rosto do assassino: a da "justiça" feita mediante a “honra lavada”.

Elemento detonador do quadro foi a própria mortificação de Khalo devida às intermináveis traições de seu marido, o também artista plástico e célebre muralista, Diego Rivera – desta vez com Cristina, a própria irmã da pintora. Discreta, ao contrário da maioria de seus auto-retratos repletos de alegorias da dor e da nudez (ou: da dor como experiência de desnudamento), Khalo preferiu diluir sua própria consumção em um registro do noticiário policial daqueles dias de 1935: um mexicano enciumado esfaqueara com mais de vinte golpes sua própria mulher e, levado a juízo, para espanto da corte declarara com o mais  desbragado caradurismo, que aplicara “apenas algumas espetadelas” à vítima. Com este título macabro, a célebre e alquebrada artista mexicana expressava à sua maneira o abomínio de uma das mais hediondas tradições da “cultura” masculina ibero-americana: a da “defesa da honra”, mediante a qual o machismo transformou o quarto de casal em matadouro.

Oitenta anos depois, a literal matança de mulheres grassa mundo afora e de forma virulenta na América Central, África do Sul, Rússia e países do Cáucaso. Mas também em países da civilizada União Europeia, como a Espanha – com 192 mil casos de maus tratos contra mulheres registrados em 2010 –, e até em nações tão insuspeitas como o anglosaxão Canadá, onde em anos recentes desapareceram duzentas mulheres de etnias indígenas, sem pestanejar  definidas como “meras prostitutas”, desse modo rebaixando seu direito à vida.
A estatística do assassínio em série causa vertigem: na pequena Guatemala, contando 13 milhões de habitantes, três mil e quinhentas mulheres foram trucidadas nos últimos cinco anos. Entre 2000 e 2010, 45.000 (quarenta e cinco mil) mulheres e garotas deixaram suas vidas no Brasil: apunhaladas, abatidas a tiros ou pauladas, como animais de caça – a população de uma cidade de porte médio obliterada da face da terra.

Um estranho sentimento de inferioridade parece habitar e explodir na alma masculina, e incitá-la à violência, suspeita a atriz e produtora cultural, Lorita Rivera: “O Homem se sente inferior, porque é uma coisa histórica, isso. O homem é o provedor da casa, o homem é aquele que traz o dinheiro. Portanto, o homem é que tem que ter o poder. E aí o que acontece? É um jogo de poder. Por ser esse jogo de poder que ele não vai poder alcançar, aí parte para a violência! Eu sinto isso como forma de compensação. Então ele vai desqualificar, vai inferiorizar a esposa, para que ela se sinta de alguma forma menor do que ele.”

Mas como isso combina com a crescente conquista de espaços no mercado de trabalho, nas instituições e no âmbito político, pelas mulheres na América Latina como um todo? No Brasil, por exemplo, 45% dos postos no mercado de trabalho já são ocupados por mulheres, e na Argentina 38% dos assentos no Congresso Nacional são preenchidos por mulheres; no Senado, e acima da média mundial, 43% dos mandatos argentinos pertencem a mulheres. 

A também atriz e produtora teatral, Eloah Petreca, desconfia da qualidade do avanço: “Na verdade, a mulher está tomando um espaço que era dela, e que era só ocupado por homens. Antes era bem isso. E também volto de novo àquilo: ela pode estar ganhando mais do que o marido, porque agora ela pode galgar. Mas ainda assim, a gente sabe que mulheres ocupando o mesmo cargo de homens, ganham menos, são poucas as empresas que pagam a mesma coisa que pra homens. Então, tá aí a violência de novo, até mesmo intelectual – enfim... Mesmo ela sendo até melhor, ela não vai ganhar como o homem ganharia.”

Femicídio ou Feminicídio é como atende pelo nome a exaltação sanguinária da velha misoginia, originária da Grécia Antiga, como expressão do ódio masculino à feminilidade. O conceito - Femicide – foi empregado pela primeira vez em 1976, pela feminista norte-americana, Diana Russel, perante a Corte Internacional de Combate ao Crime contra a Mulher, em Bruxelas. 

A antropóloga e escritora mexicana, Marcela Lagarde, foi quem cunhou a expressãoFeminicídio, observando que o conceito do Femicídio restringira seu olhar à violência e o homicídio de gênero ao âmbito da família, à portas fechadas, advertindo que estas foram sistematicamente escancaradas com o assalto do espaço público pelo assassinato de mulheres. Segundo Lagarde, a esta generalização, irrestrita, da agressão mortal às mulheres, adere um elemento de grande significado político, pois com sua banalização, fazendo pouco caso do trucidamento de mulheres, Governos e Justiça acabaram por estimular o que se transformou em fenômeno de inegável abatedouro, comparável ao Genocídio – daí a propriedade do nome “Feminicídio”.

Pano de fundo desse rigor conceitual, que nada tem de retórico, mas tudo a ver com a descrição do território do não-Direito, foi a apuração feita por Lagarde da abjeta violação e matança de mais de 800 (oitocentas) jovens mulheres, cujos corpos, geralmente mutilados, foram encontrados em esgotos, lixões e no deserto às portas de Ciudad Juárez (México), junto à fronteira com os EUA, entre meados dos anos 1990 e a década dos anos 2000.

Os assassinos dessas mulheres, em grande parte operárias de montadoras multinacionais, tais como Nike, Sanyo, Microsoft e outras, jamais foram levados a juízo, o que, segundo Marcela Lagarde, configura obstrução da Justiça, impunidade dos assassinos e, com isso, a co-responsabilidade do Estado pelos crimes cometidos. Em outras palavras: Feminicídio é crime capital e crime contra o Estado. A tese faz sentido.  Mata-se a mulher porque ela é mulher – ora, e o que vale uma mulher? Feminicídio é isso: um sistema de execução de mulheres.

Em plano paralelo, o silencioso, não apenas justo, mas imperativo avanço das mulheres, em todos os terrenos da atividade humana, sobretudo econômica e política, poderia insinuar que estão contados os dias de vida do velho machismo: onze anos de escolaridade é o que 61 por cento das mulheres em posições dirigentes oferecem à Economia Brasileira; os homens, em comparação, somam apenas 53 por cento. 21 por cento dos empreendimentos no Brasil são dirigidos por mulheres com titulação universitária, que apenas 14 por cento dos colegas masculinos consegue ostentar.

A profissionalização, a independência financeira, a mais discreta manifestação de comportamento emancipado, parecem ter mergulhado o velho e hipócrita sistema patriarcal em sua mais profunda crise.

A redistribuição do poder no tabuleiro dos papéis tradicionais tornou-se prato indigesto aos machões, estimulando sua disposição à violência. Desde então, matam à torta e à direita, a faca, o “berro” e o cacete atravessando em diagonal as classes sociais.

A cada 31 horas, uma mulher é trucidada na Argentina; no Brasil, a cada duas horas.

O decadente sistema patriarcal, a confraria dos machos protege os homens - Mas quem, afinal, Sras. Presidentas, protege as mulheres?




12 fevereiro 2015

Frederico Füllgraf - Oskar Huth, el falsario de Berlín - Una crónica de Año Nuevo


Con mi agradecimiento a Louis Casado por la revisión del Español.



Nota de Louis Casado en POLITIKA CHILE, 6 de enero 2015:                     
Ya lo hemos dicho, POLITIKA tiene el privilegio de contar con colaboradores de buena pluma. Frederico Füllgraf es uno de ellos. El texto que presentamos aquí, con el subtítulo "Una crónica de año nuevo", es notable. Notable por el personaje descrito, por la calidad de la escritura, por las referencias musicales, literarias y lingüísticas, por el tono, por la justicia que le rinde a un perdulario heroico que, en medio de la guerra, jugó a salvar vidas, olvidando la suya...


Los poetas mueren de sobredosis: de versos, droga o locura; en casos extremos, de hambre o de un tiro de revólver del marido de la amante.

Ya Oskar Huth, el ebrio virtuoso, patinó sobre una partitura y se cayó en un foso, entre una clave y un si-bemol. En vida fue lo que los berlineses llaman un
Original: viajado, erudito, amante de la buena tertulia, y, sobre todo, vagabundo; subentendido no como una transgresión criminal, sino un atributo de persona, digamos, algo adversa al trabajo.

Bohemio, Huth era una especie de Baudelaire prusiano. Llevaba en sus venas el mapa de avenidas y alamedas, de las columnas y de las estatuas, de los arcos y viaductos y, sobre todo, de los Kneipen, los bares y botiquínes.

No andaba, parecía deslizarse sobre la ciudad, con los ojos cerrados.

Lo conocí cuando ya bordeaba los sesenta años de edad. Una noche Irrumpió en el bar Litfass, del también nostálgico portugués Antonio, trajeado de modo incombinable, chillona corbata color naranja sobre una camisa de color verde, desaliño acentuado por la chaqueta violeta, desgastada por el uso.

Le gustaba espolvorear mala educación, moda anti-autoritaria de la época, con implacable protocolo, pero sin soberbia: no se resistía al hábito de saludar a las damas, besándoles las manos – actitud extemporánea, que en ellas rescataba al despreciado (pero, ¡Ay!, tan deseado) Caballero a la moda antigua – reforzando la colorida, etílica y divertida decadencia de la entonces ciudad intramuros.

Contumaz, en este mismo tono fin-de-siglo (del XIX, porque estábamos en 1980), a pesar de mi irritación, Oskar me saludaba como “mein Freund vom Oberen Orinoco” (mi amigo del alto Orinoco), rudo equívoco territorial que recordaba aquella ignorancia geográfica de las películas de serie B de Hollywood, en los que chiquitas-bananas bailaban rumba en Coupakébéna...

¿Carmen Miranda? – ¡Oh, nein, gringos jamás!

En aquel chispeante momento bolivariano Herr Huth reincorporaba la odisea del noble Humboldt a las “regiones equinocciales del nuevo continente”.

Con todo, su embrujo no brotaba sólo de sus modos educados, fuera de orden, sino de su aura de alemán marginal, cuyo coraje era cuchicheado en prosa y en verso, en aquellos tiempos (fuera de Ché Guevara ) tan carentes de héroes.

Cuando, inspirado, se ponía al sebiento piano de teclas amarillentas por el humo de los cigarros de muchos años, parecía una réplica perfecta del “El Borracho”, vinilo muy tocado en las fiestas de mi país, en mi infancia, ilustrado en la carátula con un pianista ebrio junto a un piano ídem. Del cual Oskar conseguía arrancar armonías oblicuas para asombro de la platea: solemnes fugas de Bach, aquellos estertores de Billie Holiday (“He is my maaaan…”), una lacrimosa chanson de la Piaf.

En estos concerti buffi jamás faltaba una rubia cuasi fatal, derramada sobre el piano, como un falsete de Greta Garbo trazando con los ojos John Gilbert al piano, en Flesh and the Devil.

Aposté que un día se adentraría en el bar en medio de una depresión astral y – de staccato a furioso – atacaría algo de Hindemith; sólo para contrariar.

El “borracho con arte”

Pero Oskar era movido por un inquebrantable buen humor. Cuando llegaba recién despierto, con profundas ojeras oscuras, despeinado y con barba de tres días, se disculpaba con deferencia, recuperando en el cielo de plomo los tormentos de la noche anterior : “me pasé de la cuenta, Brüderchen (“hermanito”), me bebí el río entero, me encharqué hasta el alma”, alegoría emprestada del Spree, río que corría de este a oeste, por debajo del Muro, imperturbable ante la división de la ciudad. Y saber beber para Huth era un arte, que por eso se definía como Kunsttrinker, un “borracho con arte”.

Antes de mi regreso a Brasil teníamos acordada una entrevista para un semanario brasileño, que tendría lugar en la gavia del Obelisco de la Victoria (victoria sobre Francia, en 1870), una columna bismarckiana que culminaba en un gigantesco y brillante ángel dorado, que Wim Wenders llevó a la historia del cine como ícono de “Las alas del deseo”.

Indisciplinado, alemán al revés, Herr Huth no llegó. Me dejó baboseando por la narrativa hasta el próximo encuentro - en el bar. Ciertamente porque el ángel no servía bebidas, sólo unos excelsos, insípidos hálitos, sin alcohol, sobre el arte de elevarse a las alturas; esas bizantinidades aleteantes de querubines y aeronautas.

Hijo de músico, acompañaba al padre a bordo de una carreta, desde la más tierna edad en misión profesional. Viajaban por Berlín y la provincia de Brandenburgo, reparando y afinando órganos de iglesias, devolviéndole la alegría a padres y pastores, recibiendo a cambio su pro-labore y la promesa de una vida eterna.

Fue así que la música entró en el paso terrenal de Oskar, quién sabía como pocos que la eternidad, pues, ¡se arrebata en el instante!


El falsario eternizado por la Literatura

Lo que haría su biografía digna de un largo metraje fue la 2ª guerra mundial, que silenció sus Lieder, sustituyéndolos por el silbido tenebroso de los bazucas, tanques y bombarderos, cubriendo el cielo sobre Berlín.

Periodistas y escritores alemanes ya compararon su aventura y sus modales a la de “El valeroso soldado Švejk”, es decir: hacerse el tonto, idiota, como táctica astuta para la sobrevivencia.

Huth venia estudiando artes plásticas y técnicas de impresión en Berlín, entre 1936 y 1939, cuando explotó la II Guerra Mundial y el debería presentarse para el frente de batalla. Pero burló al alistamiento militar con el pretexto de “disturbios motores” y se escapó.

Era el año 1941, cuando más y más amigos judíos de Oskar eran apresados y deportados para campos de concentración y el pintor bohemio decidió desaparecer, ingresando a la clandestinidad, en la que sobrevivió con astucia hasta el final de la guerra, en 1945.

Equipado con una imprenta, alegaba producir importantes documentos de guerra, pero en realidad imprimía documentos sí importantes para la sobrevivencia de clandestinos: carnés de identidad, pasaportes, bónus alimentarios – todo falsificado gracias a su perícia como artista plástico y diseñador.

No trabajaba por dinero apenas, se desempeñaba como activista dedicado a judíos perseguidos y combatientes de la resistencia anti-hitlerista. Para evitar preguntas inoportunas y controlos en el metro y trenes de Berlín, el falsario los evitaba, preferiendo entregar su “mercancia en domicilio”, lo que hacía sacrificándose y caminando interminables horas, a veces en círculos, a través de la capital del Reich.

Su “cliente” quizás el más celebre de todos fue el general Ludwig von Hammerstein, que había participado del fracasado atentado del 20 de julio 1944 contra Hitler, y que por eso vivía clandestino en la residencia de la farmaceutica Hertha Kerp, en Oranienstraße 33. Alli Oskar Huth y el general demócrata compartieron algunos días como enemigos cazados por la Gestapo de Hitler. Cuando Huth le ofreció algunos de sus bónus alimentarios, que permitían comprar comida racionada, el militar no las quizo acceptar, pero al final el impostor lo convenció, diciendo, "tómelos tranquilo, yo mismo los fabriqué”, a lo que se siguió tremenda carcajada – así se lee en “Hammerstein o el tesón” (Anagrama, 2012), la biografía fictícia del poeta Hans Magnus Enzensberger sobre el padre del general Ludwig, Kurt von Hammerstein, ex Jefe del Ejército Alemán, anti-fascista como su hijo.

Uno que siempre estuvo fascinado por su historia fue el Premio Nobel, Günter Grass, que finalmente lo inmortalizó en su novela “Años de Perro” (reeditada por Alfaguara en 2013), la monumental disecación del nazismo por el autor-personaje.

Oskar Huth sobrevivió a los seis años de guerra como falsario, emergiendo de su bunker el día de la conquista de Berlín por las fuerzas aliadas. Interrogado por norteamericanos, les habría recomendado una “receta” para su país en ruinas: ¡divídanlo en cuarenta partes y nunca más habrá guerra!

Los yanquis se miraron, rieron abrumados y prometieron pensar en la propuesta: en 1948 Alemania estaba dividida en dos y Berlín “en cuatro patas”, digo: dividida en cuatro “zonas” de dominio militar – geografía e historia, hoy superadas – pero de autoría reivindicada por Oskar, que reía, mañoso, ajustándose la corbata torcida, insinuando solemnidad. Se divertía con el pasmo de los cristianos ante sus fanfarronerías y apostaba a su perpetuación como mito.

El teclado aerodinámico

E intentando arrancar de la música el inmortal Oskar, el Airoso, tramó un invento inmejorable, primoroso: un piano con “teclado aerodinámico”.

Revolucionario porque profundamente ergonómico, su concepto se basaba en la observación de que, durante un concierto de una duración media de noventa minutos, un pianista aplica varios centenares de kilos de fuerza en el teclado.

– El recital fue una apoteosis, ¡aunque el pianista estaba hecho mierda! – Protestaba, el cabello despeinado.

Sustituyendo el teclado convencional, fijo, por otro, acostado sobre un colchón de aire, el espirituoso borracho pretendía imprimirle la “sostenible levedad del toque” al arte de conducir el piano.

Patentó su idea, y una confraternidad de amigos creó el “Fondo Oskar Huth”, dotado de 10 mil marcos, destinado al desarrollo tecnológico de la creativa artimaña. Había, no obstante, una condición: ningún centavo del fondo debía ser malversado, ni usado para fines que no fuesen “estrictamente pianísticos”

Crónica ebria, anunciada hace mucho tiempo, la subversión del teclado murió en la cáscara, digo: en el trago.

Mal interpretando la clausula del contrato, Oskar confundió fondos con fondo de botella: cierta noche buceó en el lecho abisal de una botella de caña y de allí nunca volvió. Se inmortalizó en el arte de la fuga…

Publicado originalmente em: http://www.politika.cl/2015/01/04/una-cronica-de-ano-nuevo/



Frederico Füllgraf, Harald Neuber: Das Brasilien der deutschen Medien


Das Brasilien der deutschen Medien


Ein Gespräch zwischen Frederico Füllgraf und Harald Neuber über Medien in Brasilien, die deutsche Presse über Lateinamerika und die Regierung von Dilma Rousseff
Blicke auf Brasilien: ein glückliches Samba-Land
Blicke auf Brasilien: ein glückliches Samba-Land
QUELLE: INCLUSI.CO
Am heutigen 1. Januar tritt Brasiliens Präsidentin Dilma Rousseff eine neue Amtszeit an, nachdem Sie sich in der Stichwahl gegen den Konservativen Aécio Neves durchgesetzt hatte. Amerika21-Redakteur Harald Neuber sprach über die Wahlen, das deutsche Brasilien-Bild und die Medien mit Frederico Füllgraf, Korrespondent der brasilianischen Zeitschrift Jornal GGN. Dort erscheint das folgende Gespräch parallel auf Portugiesisch.

Frederico Füllgraf: Ein provokativer Einstieg: Deutsche lieben Caipirinha, brasilianische Strände und brasilianische Frauen. Sie verstehen es, mit ihren Unternehmen in Brasilien viel Geld zu verdienen. Für das gleiche Land aber hat die Mehrheit der deutschen Medien nur Spott und Hass übrig. Ist das nicht eine schizophrene Spaltung im Brasilien-Bild der Deutschen?
Harald Neuber: Das ist in der Tat provokant zugespitzt. Ich glaube, dass wir nicht von dem einem Brasilien-Bild der Deutschen per se sprechen können. Es gibt in der öffentlichen Meinung mehrere Bilder und Diskurse von und über Brasilien. Zum einen haben wir das klassische Brasilien-Bild, das stark von Tourismus und kulturellen Erfahrungen geprägt ist: die Strände und der Bossa Nova als frühe Form einer globalisierten Musik mit autochthonen Wurzeln. Auf der anderen Seite gibt es den Blick auf das aufstrebende, moderne Brasilien als Teil der BRICS-Staatengruppe. Ein Land, das eigene Entwicklungsinteressen vertritt, die in zunehmenden Widerspruch mit den Interessen der G7 stehen. Dieses moderne Brasilien wird tatsächlich kritisch kommentiert.
Dieses Phänomen der überlappenden Diskurse, der unterschiedlichen Medienrealitäten sehen wir übrigens auch im Fall von Kuba. Man kann das als schizophren betrachten: Auf der einen Seite reisen jährlich tausende Menschen nach Kuba und auch Brasilien und erleben funktionierende Staaten. Auf der anderen Seite kehren die dann zurück und lesen, dass diese Länder kurz vor dem Kollaps stehen. Sie haben die Realität erfahren und werden zu Hause mit einer konstruierten Medienrealität konfrontiert. Gegenfrage: Was kann ein Land wie Brasilien tun, um Mediendiskurse zu beeinflussen und ist der Regierung in Brasilien das Problem überhaupt bewusst?
Frederico Füllgraf: Das Problem ist der Regierung nicht nur chronisch bewusst, sie ist gerade mal wieder Opfer eines medialen Attentats geworden. Am vergangenen 25. Oktober, ein Tag vor der Stichwahl zwischen Dilma Rousseff und Aécio Neves, ging die Wochenzeitschrift "Veja" mit einer Collage an die Öffentlichkeit. Zu sehen waren finstere Fotos von Rousseff und Ex-Präsident Luiz Inácio Lula da Silva neben dem Titel "Sie wussten alles" – sollte meinen, sie wussten und vertuschten den Korruptionsskandal in der halbstaatlichen Erdölgesellschaft Petrobras. 
"Veja" berief sich dabei auf eine angebliche Aussage des in Haft befindlichen Devisenschmugglers und Kronzeugen Alberto Yousseff, der 2004 mit einem zwölf Milliarden US-Dollar-Coup den Zusammenbruch der staatlichen Landesbank Banestado in Paraná herbeiführte. Die Aussage aber wurde wenige Tage später wieder von seinem Anwalt dementiert. Es gibt keinen einzigen Hinweis, geschweige denn Beweise, dass Lula und noch weniger Dilma Rousseff die Korruption in der Petrobras gefördert oder gedeckt hätten. Das räumte die Zeitschrift auch selbst in ihrem Text ein, griff aber eine – ich wiederhole: vom Anwalt des Kronzeugen dementierte – Anschuldigung aus der Luft und erhob sie zur Titelgeschichte.
Die Vorverlegung des Erscheinungsdatums von "Veja" um zwei Tage (die Zeitschrift erscheint seit 40 Jahren nur an Montagen) verfolgte das eindeutige Ziel, die Wahl zugunsten Aécio Neves’ zu beeinflussen und stellt nach einhelliger Meinung eine Attacke nicht nur gegen Rousseff und die Arbeiterpartei (PT) dar, sondern auch gegen die Verfassung und den Rechtsstaat. Dilma Rousseff verlangte innerhalb von 24 Stunden eine gerichtlich erwirkte Gegendarstellung in der Zeitschrift selbst und verklagte die Verlagsgruppe "Abril", Herausgeberin von "Veja", wegen übler Verleumdung. Sieben weitere Ermittlungsverfahren gegen "Veja" wurden von Lula, der PT und der Regierung eingeleitet. Die Untersuchungen der Staatsanwaltschaft laufen auf Hochtouren. 
Der "Veja"- und nicht der Petrobras-Skandal kann wohl als die kriminellste aller Handlungen der brasilianischen Medien gegen den Rechtsstaat in den vergangenen vier Jahrzehnten bewertet werden, und hat für die Handlanger des Umsturzversuchs gravierende Folgen.
Die erste Konsequenz ist der Aufschrei der Öffentlichkeit mit der Forderung nach der "Lei de Mídias", also einer – im übrigen in Deutschland seit über 50 Jahren bestehenden – Gesetzregelung zur Bekämpfung der Presse- und Medienkonzentration, folglich der Demokratisierung der Medienlandschaft. Ich habe ausführlich in meinem Essay "Großgrundbesitzer im Äther" das brasilianische Medienszenario dargestellt. 
Die Medienlandschaft im 210 Millionen Einwohner großen und vielfältigen Brasilien wird von sieben, maximal zehn Familienunternehmen monopolisiert, nicht nur in der Menge, sondern vor allem durch Überkreuz-Besitz von Tageszeitungen, Zeitschriften, Radio, Fernsehen und Internet-Angeboten. Die Einstellung dieser Medien ist zu 90 Prozent regierungsfeindlich und sie betreiben seit der ersten Amtszeit Lulas (2003-2007) eine systematische "Demontage" der – weltweit als erfolgreich anerkannten – PT-Regierungen. 
Geradezu grotesk und perfide ist die Tatsache, dass gerade diese zehn Familienkonzerne 70 Prozent der Werbemittel der Regierung – zumeist Anzeigen und Bekanntmachungen von Sozialprogrammen – auf sich vereinen, während 2.990 Einzelmedien sich mit den restlichen 30 Prozent von insgesamt 161 Millionen Reais, also etwa 60 Millionen Euro, begnügen mussten. Das ist aber nur eine Fußnote zum eigentlichen Geschäft mit Werbeaufträgen der Regierung, denn die Werbeausgaben der staatlichen Konzerne belaufen sich auf umgerechnet etwa 700 Millionen Euro pro Jahr. Das heißt, die Medienmonopole, allen voran die Globo-Gruppe, bereichern sich an den Staatsausgaben, schießen aber hinterrücks auf ihre Geldgeber. Die Regierung finanziert ihre schlimmsten Feinde!
Nun aber zurück zur deutschen Berichterstattung über Brasilien. Das Jahrzehnt 2003-2013 war im Durchschnitt von einer sympathischen, brasilienfreundlichen Berichterstattung in den deutschen Medien geprägt. Diese Tendenz aber vollzog eine radikale Wendung hin zu einer zunehmend einseitigen, Dilma und PT-feindlichen Berichterstattung. Wie ist das gegenwärtige Brasilien-Bild in Deutschland?
Harald Neuber: Das ist eine interessante Beobachtung, das war mir so nicht präsent. Wie gesagt, in dem Maße, wie Interessen in den Industriestaaten beeinflusst werden, verändern sich die Diskurse und die Berichterstattung. Das sehen wir ja vor allem im lateinamerikanischen Kontext. Venezuela ist unter dem extrovertierten und angriffslustigen Präsidenten Hugo Chávez geradezu ein Hassobjekt westlicher Medien geworden. Das heißt nicht, dass man an der politischen und wirtschaftlichen Entwicklung des Landes nichts kritisieren darf. Kaum ein westlicher Journalist hat sich aber die Mühe gemacht, hinter die Kulissen zu schauen, Medienrealitäten zu hinterfragen und selbst vor Ort zu recherchieren.

Frederico Füllgraf
QUELLE: PRIVAT
Eine Ausnahme war mein leider zu früh verstorbener Kollege Manfred Bleskin vom Nachrichtensender n-tv, der übrigens hervorragend Portugiesisch sprach und morgens oft portugiesisches Radio hörte. Manfred war vor einigen Jahren nach Bolivien gereist, kam zurück und sagte: "Mein Bild dieses Landes und des Prozesses hat sich völlig verändert." Ein solches Hinterfragen sehe ich heute in den Medien kaum noch. Daher können politische und wirtschaftliche Interessen in der Berichterstattung über Brasilien einen solchen Niederschlag finden.
Frederico Füllgraf: "Der Spiegel" war Anführer einer wütenden und verlogenen Pressekampagne gegen die Fußball-WM in Brasilien ("Tod und Spiele", 12.06.2014), der das totale Fiasko vorausgesagt wurde. Der Ablauf der WM, die unverkennbare Publikumssympathie für Brasilien und seine Menschen lehrte den "Spiegel" und sämtliche übrigen Kritiker eines Besseren: Das WM-Fiasko fand allein für die Medien statt. Was für Interessen gaben nach Ihrer Meinung dem "Spiegel" Antrieb zu derartig miesem Journalismus?
Harald Neuber: Ich kann nicht für ein Medium antworten, für das ich nicht arbeite. Ich denke aber, dass man ein Großevent wie die Fußball-WM durchaus hinterfragen kann. Vor allem die Rolle der FIFA. Man kann und muss schon die Frage stellen, wem eine solche Veranstaltung zugute kommt. Die Frage ist, mit welchem Ziel eine kritische Berichterstattung verfolgt wird. Während der WM hatte ich teilweise den Eindruck, dass westliche Korrespondenten über lange Zeit hinweg geradezu auf der Suche nach Belegen für ein Scheitern waren. 
Ein BBC-Korrespondent widmete eine ganze Reportage einer wackeligen Treppe vor dem Maracanã-Stadion. Und noch mal: Ich sage nicht, dass das kein Thema ist. Aber diese Problem-Berichterstattung überwog über lange Strecken hinweg, während die meiner Meinung nach legitime Kritik sozialer Organisationen an der FIFA und dem Fußball-Business kaum eine Rolle spielte. Aber stand die brasilianische Regierung mit der Ausrichtung der FIFA-WM nicht auch zwischen allen Stühlen? Der umstrittene Fußball-Verband geht mit Milliardengewinnen nach Hause. Was bleibt aber für die Armen in Brasilien? Hätte dieses Thema von der PT-Regierung nicht viel offensiver angegangen werden müssen?
Frederico Füllgraf: Die brasilianische Regierung stand mit der Ausrichtung der FIFA-WM gewiss zwischen einigen, nicht aber zwischen "allen" Stühlen. Ich habe von Ihnen auch keine ausschließliche Verurteilung des "Spiegels" erwartet, sondern Inhalte des deutschen Magazins angesprochen, die sehr wohl unter jedem Niveau waren, nämlich in der berechtigten Kritik an der WM gleich eine arrogant herab blickende Generalabrechnung mit angeblichem Wirtschafts-Versagen und "brasilianischer Inkompetenz" servierte. 
Aber ich verstehe Ihren Einwand. Zurück zur Fußball-WM: Diese war ja von Lula nach Brasilien geholt worden, ebenso die 2016 in Brasilien auszutragende Sommer-Olympiade. Es gib mehrfachen Konsens darüber, dass diese Initiativen Lulas der politischen Imagepflege Brasiliens sehr zugute gekommen sind, also außenpolitisch gesehen von hochgradigem Wert waren und im Grunde den brasilianischen Anspruch auf einen permanenten Sitz im Weltsicherheitsrat ein für allemal untermauern konnten. 
Die Entscheidung für Brasilien als Austragungsort für WM und Olympische Spiele war sozusagen die außenpolitische Krönung des Wachstumsbooms von sieben Prozent, der die Erteilung der Ehrenurkunde des Wirtschaftsforums von Davos an Lula und seiner Ernennung zum "Mann des Jahres", von der Times über El País bis Forbes vorausgegangen waren. Dieses Szenario war 2013 unter Dilma Rousseff längst Vergangenheit, die Euphorie war verblasst. Ihr Amtsantritt 2011 fiel zusammen mit der weltweiten Rezession als Folge des Banken-Crashs von 2008. Mit stolzem 300 Milliarden US-Dollar Devisenüberschuss und steigender inländischer Verbrauchernachfrage als Folge der weit über der Inflation von anfänglich fünf Prozent erhöhten Mindestlöhne setzte die Präsidentin auf Vollbeschäftigung, Beibehaltung der Sozialprogramme zur Armutsbekämpfung und Aufbau der landesweiten Infrastruktur, wozu auch der Großteil der WM-Bauten gehörte.
Die innerbrasilianische Argumentation einiger NGOs, die dann von den Medien kolportiert wurde, dass Brasilien mehr für die FIFA-WM als für Sozialprogramme ausgegeben habe, ist Nonsens. Die Kritiker verkennen zum Beispiel dass Brasilien jährlich 5,7 Prozent des BIP allein für die Bedienung des Schuldendienstes ausgibt – mehr als die 5,3 Prozent für das Erziehungswesen. In Zahlen ausgedrückt entspricht ein Prozent des BIP 44,0 Milliarden Reais, also rund 14 Milliarden Euro. Doch 5,7 Prozent sind schwindelerregende 83,6 Milliarden Euro im Jahr zur Zahlung von Zinsen. Doch darüber sprach und spricht kein "seriöses Medium". Dass nun die Profite der WM vor allem von der FIFA und den brasilianischen Baulöwen kassiert wurde, das ist meine eigene Hauptkritik an dem ganzen Spektakel. 
Doch das war der Preis, den die Regierung zu zahlen bereit war. Die Proteste vom Juni 2013 erreichten die Straßen als die Inflationsrate bereits sechs Prozent erreichte und die Menschen allgemein mehr Mitspracherecht abverlangten – eine berechtigte Bewegung, die sehr rasch von Rechtsextremisten mit ihrem Ruf nach "Fora PT" (Raus mit der PT) unterwandert wurde, die jetzt nun, nach dem Wahlverlust der Konservativen, frech und aggressiv die Rückkehr der Militärs fordern. 
Doch nun wieder zurück zur Arbeitsweise der deutschen Medien.
In den 1970ern, bis hinein in die 1990er Jahre arbeitete in Südamerika (B. Aires, Rio, São Paulo) eine Gruppe seriöser, sehr kritischer deutscher Korrespondenten. Ich nenne aus der Erinnerung u.a den fast legendären Romeo Rey (Frankfurter Rundschau), Carlos Widman (Süddeutsche), Klaus Eckstein (ZDF), Peter Laudan (WDR Radio, B. Aires). Sie schärften den Blick für die Menschenrechtsverletzungen der Diktatur und scheuten keine Kritik an den Machenschaften deutscher Konzerne in Südamerika. Drei Fragen: Was schreiben die heutigen Korrespondenten der gleichen Medien? Worauf ist heute das Augenmerk dieser Medien gerichtet? Wie geht es zu in den Redaktionen, woher beziehen die Lateinamerika- oder Brasilien-Fachleute ihre Informationen?
Harald Neuber: Wenn ich Vorträge über die Lateinamerika-Berichterstattung deutscher Medien halte, sage ich oft: "Schauen Sie sich einmal die Internetseite der Tagesschau an. Dort können Sie aus dem Archiv die Sendungen von vor 20 Jahren sehen. Damals haben Korrespondenten in den kleinsten mittelamerikanischen Ländern von vor Ort berichtet." Heute wird von Mexiko-Stadt, Buenos Aires oder aus Rio de Janeiro über den ganzen Kontinent berichtet. Ich möchte damit nicht sagen, dass die Kolleginnen und Kollegen einen schlechten Job machen. 
Aber natürlich hat die Rationalisierung die Qualität der Berichterstattung verschlechtert. Statt vor Ort zu recherchieren wird oft die nationale Presse in den entsprechenden Ländern ausgewertet. Das ist aber tückisch. Denn nicht nur in Brasilien wenden sich Medienkonzerne gegen die neue Wirtschafts- und Sozialpolitik der Regierung. In Venezuela, Bolivien oder Ecuador nehmen die Medienkonzerne mehrheitlich nicht nur eine regierungskritische, sondern eine regierungsfeindliche Haltung ein, weil sie mit anderen Wirtschaftszweigen verknüpft sind und die wirtschaftlichen Interessen dieser Konglomerate betroffen sind. In Venezuela haben Medien 2002 einen Putsch mitgetragen, aus privaten Medien ist eine Partei entstanden.

Harald Neuber
QUELLE: PRIVAT
Wie sieht das in Brasilien aus? Wird die Regierung von Dilma Rousseff im Falle eines Wahlsieges das Thema der Medienkonzerne in Angriff nehmen? Wird es neue Mediengesetze geben wie unter anderem in Venezuela und Argentinien?
Frederico Füllgraf: Dilma Rousseff hat die Wahlen mit 3,3 Prozent, also knapp 3,5 Millionen Stimmen gewonnen. Wie ich oben bereits skizziert habe, ist eine demokratische Medienregulierung nun Programm der zweiten Amtszeit Rousseffs. Franklin Martins – Minister für Kommunikation unter Lula – ist Urheber des ersten Entwurfs einer "Lei de Mídias" und der Forderung nach einem Bundesrat für Journalismus (ähnlich dem Deutschen Presserat für die sogenannte Selbstkontrolle). Doch die Verleumdungskampagne der zehn Familien und des Interamerikanischen Presse-Vereins der Verleger mit Sitz in Miami/USA (SIP) – die die PT der Einführung der "Pressezensur, Meinungsdiktatur und Untergrabung der freien Marktwirtschaft" bezichtigten – war derart heftig, dass der Entwurf zurück gezogen werden musste.
Dilma Rousseff äußerte sich 2011 zunächst gegen die Initiative ihres Vorgängers. Doch jetzt hat sie die Dringlichkeit erkannt und wird sehr bald ihren Regulierungsantrag im Parlament einreichen. Ich vermute, 2015 wird im Licht einer neu entfachten und scharfen Debatte über das anstehende Mediengesetz stehen, wofür übrigens seit 2013 hunderte von Bürgerinitiativen und Regionalmedien, wie das "Projeto de Lei de Iniciativa Popular para a democratização das comunicações no Brasil" mobil machen.
Mich interessiert nun, wie Sie die Berichterstattung über die Regierung Dilma Rousseff in den deutschen Hauptmedien beurteilen. Zu Beginn ihrer Amtszeit wurde sie als "ehrenhafte Ex-Guerillera" beschrieben, die ihr Leben im Kampf gegen die Diktatur riskiert habe, heute wird sie als "Versagerin" in der Wirtschaftspolitik karikiert. Moniert wird, dass Brasilien 2014 ein schwaches Wirtschaftswachstum von 0,4 Prozent erreiche, als ob es die marode EU und die Schrumpfung des deutschen Wachstums (von 1,8 Prozent auf 1,3 Prozent bzw. 0,8 Prozent) nicht gäbe. Ist das noch seriöser Journalismus? 
Harald Neuber: Sehen Sie, eben das meine ich mit dem notwendigen Blick hinter die Kulissen. Natürlich kann und sollte man als deutscher Journalist die wirtschaftliche Entwicklung Brasiliens beleuchten. Die Akzentuierung auf den Einbruch des Wachstums aber wirkt inmitten der Wirtschaftskrise der EU schon skurril. Dahinter steht meiner Meinung nach auch eine gezielte Beeinflussung der Berichterstattung durch Meinungsmacher. Ich gebe Ihnen dafür zwei Beispiele.
In Deutschland sind an der Gestaltung des Lateinamerika-Bildes maßgeblich die parteinahen Stiftungen beteiligt. Sie verfügen – anders als viele Medien – über enge Netzwerke in den Ländern des Südens. Dadurch können sie Experten für Interviews zur Verfügung stellen. Dabei gerät aber aus dem Blick, dass ein Vertreter etwa der CDU-nahen Konrad-Adenauer-Stiftung in der eigenen Analyse natürlich eine ganz spezifische, politisch geleitete Meinung vertritt. Besonders deutlich wurde das im Fall der FDP-nahen Friedrich-Naumann-Stiftung, die den Putsch im mittelamerikanischen Honduras 2009 gutgeheißen hat. Das Problem zumindest haben die deutschen Wähler inzwischen gelöst: Die liberale FDP ist von der politischen Bildfläche fast vollständig verschwunden.
Neben den Parteistiftungen gibt es in Deutschland eine Reihe von staatsfinanzierten Forschungseinrichtungen wie die Stiftung Wissenschaft und Politik oder das GIGA-Institut in Hamburg. Mitarbeiter dieser Institutionen stehen ganz oben auf den Interviewlisten hiesiger Medien. Sie alle werden aber teilweise oder vollständig von der Regierung bezahlt. Wie objektiv kann da die Analyse sein?
Frederico Füllgraf: Wie beurteilen Sie selbst die Regierung Rousseff und das PT-Programm im lateinamerikanischen Kontext? 
Harald Neuber: Das gesellschaftliche Projekt der PT ist ein integraler Bestandteil der linken Reformbewegungen in Lateinamerika. Zugleich spielt Brasilien unter den BRICS-Staaten eine wichtige Rolle. Ich denke aber auch, dass die PT – wie die parteipolitische Linke weltweit – über das bürgerlich-parlamentarische System hinaus denken und handeln muss. Auch nach Gesprächen mit Kollegen in Brasilien sehe ich da Defizite unter Dilma Rousseff. Das ist ja sicher auch ein Grund, weshalb die Stichwahl in diesem Jahr so knapp ausfiel. 20 Prozent Wahlenthaltung und knapp sechs Prozent leere Stimmzettel – weist das nicht auf eine erhebliche Enttäuschung hin?
Frederico Füllgraf: Allerdings, mit rund 30 Millionen absenten Wählern war die Wahlenthaltung (20,1 Prozent) relativ hoch. Dazu kommen aber noch die entwerteten Stimmzettel, die 4,63 Prozent, also 5,2 Millionen Protestwähler zählten. Das sind aber nur zum Teil Reaktionen nicht nur gegen die Rousseff-Regierung, sondern auch gegen das absurde Parteien-Spektrum, das mittlerweile 26 Parteien umfasst. Hier mischte sich der Verdruss gegen Regierung und Parteien allgemein mit dem Protest gegen die Wahlpflicht, denn jede Enthaltung muss schriftlich begründet werden. Aber was soll man zum Beispiel im Vergleich zur Wahlenthaltung in Chile sagen? Die erreichte 2013 bei der Wiederwahl Michelle Bachelets 45 Prozent! Ich sehe dieses Verhalten als Ausdruck einer weltweit grassierenden Entpolitisierung der Menschen. Ein wachsendes Desinteresse an Politik allgemein greift um sich, weil die repräsentative, liberal-konservative westliche Demokratie unfähig ist für Innovation, vor allem beim Angebot von Partizipation. 
Die Menschen haben das Gerede der "Profis" satt. Deshalb hat Rousseff jetzt die "Conselhos Populares Consultivos" (Gemeinderäte in beratender Funktion) als Komplementärinstanz zum Parlamentarismus ins Gespräch gebracht. Ihr Antrag zur gesetzlichen Anerkennung der Räte wurde in der ersten November-Woche bereits vom Abgeordnetenhaus in Brasilia mit der Begründung abgeschmettert, die Räte bedeuten eine – Zitat! – "Sowjetisierung" und steuern auf – Zitat! – "venezolanische Zustände" hin. Wirtschaftspolitisch blickt Brasilien wohl einer eher positiv zu beurteilenden nahen Zukunft entgegen, innenpolitisch steuert das Land jedoch auf eine Zerreißprobe der Demokratie entgegen. Die Konservativen wetzen ihre Messer, sie wetten auf Konfrontation.
Erzähle uns nun abschließend ein wenig über die Arbeit und Resonanz von amerika21 in Deutschland.
Harald Neuber: Das Lateinamerika-Nachrichtenportal amerika21 ist im Sommer 2007 entstanden und wird vom gemeinnützigen Verein Mondial21 e.V. getragen. Mit amerika21 haben wir ein Novum in der deutschsprachigen Presselandschaft geschaffen. Das Portal soll dazu beitragen, den kommunikativen Austausch zwischen globalem Süden und Norden zu erleichtern, indem es die Informationskluft zu überwinden versucht. Deshalb werden im Internet Informationen aus Lateinamerika auf Deutsch und in professioneller Aufbereitung zur Verfügung gestellt – offen zugänglich und kostenlos.
Amerika21 ist dabei zu einer professionellen Online-Redaktion herangewachsen, die täglich mehrere Stunden Arbeitszeit in Anspruch nimmt und quer durch alle politischen Lager wahrgenommen wird. Amerika21 hat sich auch als ein Referenzmedium in der deutschsprachigen Lateinamerikaberichterstattung etabliert. Dies ist das Ergebnis des derzeit ausschließlich ehrenamtlichen Engagements unserer Mitarbeiterinnen und Mitarbeiter – sei es in der Redaktion, beim Recherchieren und Verfassen von Artikeln oder beim Übersetzen. Zunächst entstand amerika21 als Nachrichtenblog mit einigen Beiträgen pro Woche. Zu unserem vierten Geburtstag im Juli 2011 erscheinen zwischen drei und fünf Artikel täglich. Inzwischen greifen laut Piwik täglich über 1.800 Leserinnen und Leser auf die Seite zu und die Zahl steigt kontinuierlich.

19 janeiro 2015

Frederico Füllgraf - Isabelle Eberhardt, a vagabunda europeia convertida ao Islã (Parte 2)

 

Ensaio


A vagabunda reinventada

Essa vagabundagem começara após a morte da mãe, Nathalie. Quando mãe e filha se dirigiam a Bône, norte de Argélia, em maio de 1897, abrira-se uma nova e dramática etapa na vida de Isabelle. 

Compartilhando uma casa modesta do bairro árabe, ela e a mãe convertem-se ao Islã. Seis meses depois de instaladas, sua mãe também morre fulminada por um ataque cardíaco, em seguida se suicida seu meio-irmão, Wladimir. 

Suas tendências depressivas impelem-na à fuga, para longe dali, pois alguém dissera que “viver não é necessário, mas partir é preciso". Para Isabelle, muito pelo contrário, partir é viver.

Por um estranho efeito de retorno, ali, onde a mirada só pode pendurar-se em nada mais que no horizonte, a viagem se faz interior: "El Ued [curso de água no deserto] me alcançou como revelação de beleza visual e de profundo mistério, o apossamento de meu ser errante e inquieto por um aspecto da terra que não havia suspeitado", escreve ela. 

Nesse oásis, em agosto de 1900, encontrará o homem de sua vida, Slimane Ehnni, e receberá o rosário dos iniciados pela Qadriya. Com natureza predisposta, aprende as técnicas sufis do êxtase místico e chamar-se-á Si Mahmoud Saadi; pseudônimo que sobressairá sobre os demais e que recorda o poeta viajante de Shiráz, na Pérsia, quem, segundo Isabelle, no séc. XIII enaltecia no amor "a renúncia e a arte de domar-se a si mesmo".

A descrição de sua conversão ao Sufismo é muito lacônica em seu seus textos, referida apenas numa carta enviada à Dépêche Algérienne, de 6 de julho de 1901. 

Na verdade, frequentara três zaouïas – conventos súfis – diferentes em El Oued, e os menciona perante um juizado para contextualizar a tentativa de assassinato perpetrado contra ela por um seguidor fanático da zaouïa rival de Tidjanya. Ela o perdoa, mas o árabe é condenado a pena gravíssima, e ela, expulsa da Argélia. 

Mulher européia, de comportamento impensável para os padrões do mundo árabe, Isabelle impõe-se à sociedade islâmica e à ritualística súfi, pois os homens da Qadriya oferecem-lhe as novas vestimentas, tanto femininas, como masculinas, que terá liberdade de usar do modo que mais lhe apetecer – generosidade incomum, sibila-se, porque muito provavelmente com seu mestre a vinculara algo mais que amizade espiritual, apenas.

George Sand e Mata Hari

Isabelle Eberhardt é um misto do travesti Georges Sand e da glamurizada espiã Mata Hari,  transplantados aos confins do Saara meridional

Incensada por uns, devido às suas audaciosas andanças como mulher européia desacompanhada - no Saara, mas também no coração de sociedades fortemente machistas e excludentes do feminino - por outros, Eberhardt é lembrada como a jovem ocidental escapista, que incorpora a dolorosa experiência, mas também o prazer pervertido dos relacionamentos incestuosos, fincado na personalidade de uma mãe traidora e insegura, atraída por relacionamentos no mínimo exóticos, e fortalecida ainda pelo papel de uma irmã dominadora e de dois meios-irmãos, também de paternidade duvidosa; um deles, incestuosamente vinculado a Isabelle.

“Eu não sou mais que autêntica, uma sonhadora que deseja viver longe do mundo, viver a vida livre e nômade, para em seguida tentar expressar o que viu e talvez comunicar a alguns poucos, o frisson melancólico e charmoso que experimentou na contemplação dos tristes esplendores do Saara”, ela escreve na dolorosa tentativa de exorcizar o passado boêmio iniciado em Genebra, quando frequentava círculos anarquistas. 

Em Bône, na Argélia, envolve-se em encontros amorosos ditados por colonos franceses, invasores que costumam receber apenas ”nativas” para seu consumo de ”carne fresca”. 

Agora acaba de retornar de Túnis, de noites turbulentas vividas entre amigos e amantes árabes. 

A promiscuidade cobra seu preço, e por vezes ela intui que a sífilis infectou seu fruto. 

O Islã proíbe o consumo de bebidas alcoólicas aos seguidores de fé, mas Isabelle contrabalança seu alcoolismo com dosagens de profundas convicções religiosas. Por momentos é capaz de experimentar o êxtase, e não raramente gostaria de perder-se na mera contemplação do deserto.

Expulsa da Argélia, à raiz de um processo criminal, mas com evidente intenção política (a Argélia era uma colônia francesa, há mais de oitenta anos invadida e anexada por Napoleão), ela só conseguiá regressar ao deserto graças ao seu casamento com Slimène Ehni, suboficial de dupla nacionalidade. 

Mas o vínculo com o exército francês levanta suspeitas: por acaso suas incursões aos territórios (aqui definidos no mais estrito senso geográfico) interditados aos europeus no Saara, dissimulavam missões de espionagem para o exército francês? 

Alguns argumentos baseiam-se sobretudo na inexistência de qualquer reflexão profunda sobre o Sufismo nos escritos de Eberhardt, especulando tratar-se de uma convertida de fachada. Outro argumento, irrefutável, é a lembrança de sua estreita amizade como o Gen. Hubert Lyautey. 

Publicado em 1994, em seu ensaio ”Colonialism, Transvestism, and the Orientalist Parasite” (”Belated Travellers” - Durham & London, Duke University Press), Ali Behdad reitera a colaboração de Isabelle com o poder colonialista francês no Saara.


Gen. Lyautey
Filha de Rimbaud?

”De quem é mesmo filha, Isabelle Eberhardt, cuja vida novelesca já começara como mistério?”.

Sem rodeios, já em 1943  Pierre Arnoult atribuia em sua biografia "Rimbaud" (Éd. Albin Michel) a paternidade de Isabelle ao autor de "Uma estação no inferno”, baseando-se em três indícios algo frágeis para conformar prova documental:

1) as semelhanças das compleições físicas de Isabelle e Rimbaud; 
2) a presença do poeta na região do lago Lemans, em junho de 1876, a cujas margens jaz Genebra, onde naqueles momentos vivia Nathalie de Moerder; 
3) o nome Isabelle Wilhelmine, da recém-nascida, segundo Arnoult inexplicável pelo lado dos Moerder-Trophimowsky, mas vinculável a Rimbaud por intermédio de sua irmã preferida, Isabelle, que também era o nome da rainha da Holanda, em cujo exército Rimbaud acabara de alistar-se.

Contudo, em "Vie d´Isabelle Eberhardt", Francoise d'Eaubonne, além de corroborá-los, agrega a tais indícios um misterioso juramento da cavaleira do deserto, endossado pelo testemunho de várias pessoas: "Morrerei convertida em muçulmana, como meu pai!". 

Aqui, Isabelle jamais poderia estar se referindo ao monge anarco-islâmico, Trophirnowsky, afirma d'Eaubonne, reiterando que não resta remédio que assombrar-se diante do estranho tropismo que o Islã conseguira obrar nos destinos, tanto de Rimbaud, como de Isabelle Eberhardt, porque ambos teriam sido conversos sinceros. Com essa justificativa rebatendo a tese de uma conversão superficial da loira aventureira, travestida de homem.

Apocalipse em Aïn-Sefra

Em 21 de outubro de 1904, internada num hospital da pequena cidade de Aïn-Sefra, para tratar de uma malária que a assaltava periodicamente, têm desenlace trágico as andanças da teuto-russa-suíço muçulmana: uma tempestade que parecia o fim do mundo, rapidamente transforma os baixios do lugarejo em torrente furiosa de barro e escombros. 

Os casebres modestos são varridos do mapa como fossem raminhos de palha. Percebendo o perigo, Isabelle arranca o marido da casa, mas retorna para apanhar um manuscrito e, quando tenta sair pela porta, a casa se derruba sobre ela; seu corpo encontrado somente dias depois. 

Quando faleceu, Isabelle tinha vinte e sete anos.

Com sua morte inicia-se o resgate de sua biografia, e sua reputação é objeto de distorções gritantes, contra as quais logo se insurge o escritor norte-americano, Paul Bowles, um dos re-descobridores de seus textos e autor de "O céu que nos protege". 

Exceção feita a artigos esparsos, publicados em jornais sem destaque, Isabelle não conseguira publicar nada em vida. "Mas a quê referir-se, se grande parte do que ela escreveu, foi recolhido após sua morte [pelo general] Lyautey, e talvez já naquele primeiro momento submetido a censura problemática?" – questiona o jornalista argelino, Beghdadi Boutkhil (”Lyautey et les oeuvres d’Isabelle Eberhardt”, Le Quotidien d'Oran, 20-21/10/2004), advetindo: “Deve tomar-se por obra efetiva ou faltante aquilo que o general enviou para publicação ao senhor Barrucand, redator-chefe doe jornal L´Akhbar? Estes fatos são notórios: em 1906, Barrucand retocou, corrigiu e censurou os manuscritos [de Isabelle] destinados à publicação”.

Referindo-se ao Maghreb, Isabelle Eberhardt disse certa vez: “Eu queria possuir este país, e este país acabou me possuindo”.

A obra póstuma

● Eberhardt, Isabelle & Barrucand, Victor: À l'ombre chaude de l'Islam, Arles, Actes Sud, 1996 ;
● Pages d'Islam, París, Fasquelle, 1908 ; 
● Notes de route, París, Fasquelle, 1908 ;
● Mes journaliers, París, La Connaissance, 1923 ; 
● Mes journaliers, París, Les Introuvables, 1985;
● Isabelle Eberhardt racontée par ses lettres et journaliers, (présentation et commentaires: Aglal Errera) Arles, Actes Sud 1987; 
● Écrits sur le sable. Oeuvres complètes. vol. I, París, Grasset, 1988. Oeuvres complètes. vol. II. Edição, notas e apresentação: Marie Odile De la Cour et Jean René Huleu. Prefácio: Edmond Ch. Roux, París, Grasset, 1990. 
● Un voyage oriental: "Sud oranais", (De la Cour, M.O.; Huleu, J.R.: Edición) París, LGF, 1991. Crônica. 
● Un désir d'Orient et Nomade j'étais, (biografía por Edmonde Charles-Roux) Livre de poche, 1997. 
● Écrits intimes: lettres aux trois hommes les plus aimés, (De la Cour, M.O.; Huleu, J.R.: Presentación) París, Payot, 1991. Reed., Payot, 1998. Correspondencia. 
● Notes de route "Maroc, Algérie, Tunisie" (Jean Marie Durou), Arles, Actes Sud, 1998. 
● Au pays des sables (nouvelles inspirées par un séjour au Sahara en 1902), París, Joëlle Losfeld, 2002. 
● Mes journaliers (cartas e diários íntimos), París, Joëlle Losfeld, 2002. 
●Isabelle Eberhardt / L'Écriture de sable, Alger, Barzakh, 2002. 
● País de arena, (Inmaculada Jiménez) Madrid, del Oriente y del Mediterráneo, 1989. Edición revisada y corregida, del Oriente y del Mediterráneo, 2000.

● The oblivion Seekers, 13 peças de Eberhardt traduzidas ao inglês por Paul Bowles, 1972.

16 janeiro 2015

Frederico Füllgraf - Ano Novo - Mensagem aos leitores


Fotografia: ⒸF. Füllgraf


Meu sincero agradecimento a todos os leitores - antigos, frequentes e acidentais - por sua fidelidade ao Füllgrafianas ao longo de 2014.

Minhas não menos sinceras desculpas aos que do blog esperavam reação imediata à atualidade política e aos que, mais introspectivos, alimentaram expectativas quanto ao seu aprimoramento cultural.

Aqui registro o compromisso editorial: misto de palco político e artístico-cultural, ao longo de 2015, o blog sofrerá ajustes em sua formatação e conteúdo para melhor atender aos seus leitores em todo o mundo.

"Todo mundo" não é descuido de linguagem, por desleixo ou exagero: monitorado pelo sistema de registro de origem, Füllgrafianas tem leitores em todos os continentes, acompanhado em aproximadamente 25 países e lido, mediante auxílio de (rudimentar) tradução online, em pelo menos 20 idiomas, incluindo o russo, o árabe e o mandarim.

De março de 2010, data de lançamento do blog, a 31 de dezembro de 2014, o ranking dos países mais conectados é:

1 – Brasil
2 – Estados Unidos
3 – Alemanha
4 – Chile
5 – Portugal
6 – Rússia
7 - Argentina
8 – França
9 – Espanha
10 - Ucrânia

A todos os estimados leitores, um Ano Novo abençoado - iluminado, fraterno e justo.

Frederico Füllgraf

Manoel de Andrade - Poetas não morrem


Neste mês de janeiro são lembrados na Nicarágua os 45 anos da morte do poeta e combatente sandinista Leonel Rugama e, no Peru, os 73 anos do nascimento do poeta e guerrilheiro Javier Heraud.

Mortos respectivamente aos 20 e 21 anos, Heraud e Rugama são os exemplos mais precoces, na América Latina, de poetas que caíram em combate, dando a vida por um sonho.