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12 abril 2013

Frederico Füllgraf - O chofer de Pablo Neruda


Foto Manuel Araya: F.Füllgraf




Pablo Neruda´s driver


Semanas atrás, na casa do líder pescador, Cosme Caracciolo - personagem principal do filme “Camarada Océano”, que está sendo rodando no Chile, Equador e Espanha - foi-me apresentado um senhor que, encontrado na ruas de São Paulo, de Lima ou de Santiago do Chile, não chamaria atenção: moreno, de estatura abaixo da mediana, calvo, com expressão ligeiramente tímida no rosto, ele se confundiria com milhões de latino-americanos à sua semelhança.

Contudo, quando Manuel Araya, que não tem qualquer parentesco com seu duplo - o “Loco Araya”, lendário goleiro do futebol chileno - começa a falar, sua expressão contida se revela mera defesa diante do desconhecido, e dela brotam a espontaneidade e jovialidade sincera que os campesinos trazem no sangue. Não, diz ele, “a mi no me gustaba el campo, porque los dueños de fundos maltrataban mucho a los campesinos, y yo no quería ser maltratado, por eso mi familia se mudó para la ciudad”.

Ele foi chofer, segurança e mensageiro do Prêmio Nobel de Literatura, Neftalí Ricardo Reyes Basoalto, popularmente conhecido por Pablo Neruda, por obséquio do Partido Comunista chileno, do qual Neruda era membro histórico e candidato à Presidência; candidatura da que abriu mão para favorecer Allende.

Araya mora a poucas quadras da casa de Caracciolo, em San Antonio, tradicional “caleta” (baía) de pescadores, distante 100 km de Santiago e
60 km de Valparaíso, hoje, o mais importante porto de contêineres do Chile.

Um pescador pede que escrevam um livro

Então Araya juntou-se à mesma mesa de almoço, onde, dois anos atrás, Caracciolo o convencera de “botar pra fora” a estória de sua solitária luta: a exumação dos restos mortais de Pablo Neruda – ou “el compañero Don Pablo”, como diria Don Manuel, para, finalmente, provar que o poeta não morrera de morte morrida e, sim, matada.

Caracciolo conhecia o jornalista investigativo Francisco Marín, correspondente no Chile do jornal “Proceso”, do México e, juntando Araya e Marín em torno da mesma mesa, escreveram o livro de reportagem "El doble asesinato de Neruda" (vide capa), que prontamente recomendei à Geração Editorial, de Luis Fernando Emediato.

O livro é uma denúncia contundente contra a Clínica Santa María, onde desapareceu a ficha médica de Neruda, lá internado no dia 18 de setembro de 1973, uma semana após o sanguinário golpe do general Augusto Pinochet, que deprimira o poeta.

Golpe militar, prisão de Araya e morte de Neruda

Em companhia da ex-bailarina de Chillán e terceira esposa de Neruda, Matilde Urrutía, no 18 de setembro de 1973, Araya subira de Isla Negra para Santiago trazendo a bordo a Neruda, que não se sentia bem. Em trama paralela, o embaixador do México no Chile articulara entre seu governo e os golpistas chilenos a saída de Neruda para o exílio no México. Neruda aceitara, relutante, a saída do Chile “porque no quería abandonar a su pueblo”, me contou Araya, ali à mesa. Finalmente, Neruda acabou aceitando a ideia do exílio, afinal de contas em frente à praia de Isla Negra estacionara uma nave da marinha chilena e apontara seus canhões para a casa do poeta. Canhões contra a poesia - inacreditável!

Com o telefone cortado, isolado e ameaçado, Neruda resolvera internar-se na clínica de Santiago, para exames, porque no dia 22 de setembro, aterrissaria um avião do Governo Mexicano, especialmente fretado para buscá-lo e decolar no dia 24 de setembro. Na tarde do dia 23, o médico que atendia Neruda, pediu a Araya que fosse comprar alguns medicamentos. Araya partiu rumo a uma farmácia e nunca mais voltou: no caminho, o Citroën de Neruda foi fechado, Araya arrancado dele aos pontapés e coronhadas e, depois de levar um tiro na perna esquerda, conduzido ao famigerado Estádio Nacional, onde permaneceu durante longos meses. No dia seguinte, 24 de setembro, um párroco lhe contou que Neruda havia morrido.

Quando reconquistou a liberdade, em 1974, iniciou seu mergulho nas circunstâncias da morte de seu patrão e protetor (Araya é filho de camponeses pobres) e foi documentando tudo o que lhe parecera estranho: o estranho pedido para que fosse comprar medicamentos, o laudo médico apontando o câncer de próstata em estágio benigno como causa-mortis, o desaparecimento da ficha médica de Neruda, e tantas, tantas outras irregularidades e mistérios. E pasmemos: assombrosamente, na mesma clínica, faleceria 8 anos mais tarde o ex-presidente democrata-cristão, Eduardo Frei Montalva. Transcorridos 30 anos, seus familiares pressionaram a Justiça e conseguiram sua exumação. Esta confirma que Frei foi mesmo assassinado; o Presidente, por envenenamento, Neruda com uma injeção letal no estômago. Ambos nas mãos do mesmo médico. Somando 2+ 2, então Araya convenceu-se de um atentado.

O Partido adere à causa de Araya

Observadores incrédulos, mas também o jornalista investigativo, perguntam-se, por que Araya demorou 40 anos para fazer a denúncia. Mas a pergunta não procede, ele vem denunciando o suposto assassinato do poeta desde 1974. Que não tenha tido o respaldo necessário, deve-se à ditadura que durou até 1991, e depois dela, ao medo ainda persistente, pois no Chile não é como na Argentina: salvo algumas exceções, os assassinos estão soltos. Mas houve também dois antagonistas que barraram as revelações de Araya: Matilde Urrutía, mulher avessa à militância na esquerda, e a Fundação Neruda, que detém todos os direitos sobre a obra do Nobel e é acusada gravemente de corrupção e mercantilização do nome de Neruda.

Em 2011, finalmente, a luta de Araya ganhou a adesão do PC, cujo advogado, Eduardo Contreras, é autor da ação criminal presidida pelo Juiz Mario Carroza, que determinou a exumação ocorrida no último dia 7 de abril.

Nesta data, junto à casa de Neruda em Isla Negra, iniciamos as filmagens de “O chofer de Neruda”, com estreia prevista para 2014.



Nerudas Fahrer 
German version 


Während der Drehvorbereitungen für einen Dokumentarfilm über nachhaltige Fischerei in Chile, im Hause Cosme Caracciolos, der Hauptfigur des Films, lernte ich vor einigen Monaten in der Hafenstadt San Antonio, ca. 100 km von Santiago entfernt, Nobelpreisträger Pablo Nerudas ehemaligen Fahrer und Bodyguard, Don Manuel Araya, kennen.

Araya ist die Schlüsselfigur Nerudas neuerlicher Exhumierung; die dritte seit seinem Tode im September 1973.

Als Spross einer armen Landarbeiterfamilie, die in den 1950er der Zukunftslosigkeit entgegen blickte und sich mit einem UmzugJahren in den Fischereihafen San Antonio bess´re Tage erhoffte, wuchs er wenige Kilometer entfernt von Nerudas Domäne in Isla Negra auf.

Nach zweijähriger Amtszeit als Botschafter Chiles in Paris, kehrte Pablo Neruda 1972 überraschend nach Chile zurück, wo er enger mit der Regierung Salvador Allendes, dem er 1970 seine eigene Präsidentschafts-Kandidatur geopfert hatte, zusammen arbeiten wollte.

Manuel Araya war damals gerade 26 Jahre alt, diente dem chilenischen Parlament und wurde Ende 1972 in dieser Fuktion von der Kommunistischen Partei Chiles ihrem erlauchtesten Mitglied, Pablo Neruda, zugestellt.

Die Begegnung von Fahrer und inzwischen vielübersetztem und weltberühmten Dichter war schnell von einer Verbundenheit geprägt: Die gemeinsame Herkunft aus armen Verhältnissen. Neftalí Ricardo Reyes Basoalto war als Sohn eines einfachen Bahnarbeiters, José del Carmen Reyes Morales, 1904 im zentralchilenischen Parral geboren worden und ohne Mutter, der kurz nach seiner Geburt verstorbenen Volksschullehrerin Rosa Basoalto Opazo, aufgewachsen. Als Hommage an den Prager Novellisten des XIX. Jh., Jan Nepomuk Neruda, hatte er sich bereits als Heranwachsender den Pseudonym „Pablo Neruda“ zugelegt und später als offiziellen Namen urkundlich gemacht. 1906 zogen Vater und Sohn nach Temuco, in Araukanien, wo Neruda seine ersten Gedichte schrieb. Doch auch die Rückehr in die Provinz Maule verbesserte das Leben der Reyes nicht, Aussichten auf eine verdientere Zukunft beseelten Neruda erst im fernen Santiago.

Als nun der junge Araya zu ihm stiess, wusste Neruda wovon sein Fahrer sprach, wenn er sagte, „a mí no me gustaban las humillaciones – ich liebte die Demütigungen nicht“. Die Armut als gemeinsame Jugendgefährtin förderte ihre Freundschaft.

Und dann passierte es: Am 14. September 1973, einen Tag nach dem Militärputsch, überfielen sie Nerudas Haus; zuerst das Heer, dann die Marine. Jede Menge teurer Mitbringseln aus dem Ausland liessen die Militärs mitgehen, Nerudas Eigentum wurde geplündert. “Angeblich suchten sie nach Waffen und Führern der KP, die Neruda vesteckt haben sollte“, erzählt Araya im Ton der Aufregung, so als wäre er gerade erst aus dem Albtraum erwacht. „Als Nobelpreisträger und Diplomat, dachte ich, sei Neruda unantastbar, aber das Vorgehen der Militärs belehrte mich eines Neuen!“.

Am 18. September 1973, bekamen Matilde Urrutía, Nerudas dritte Ehefrau, und Araya es mit der Angst zu tun: Ein Kanonenboot hatte vor dem Strand von Isla Negra Position bezogen und seine Geschütze auf des Dichters Haus gerichtet. „Da er ausserdem deprimiert war über Allendes und des Sängers Victor Jaras Tod, beschlossen wir ihn in die Prestigeklinik Santa María, in Santiago, einzuliefern.“

In einer Nebenhandlung, hatte Mexikos Botschafter, Gonzalo Martínez Corbalá, Vorbereitungen für Nerudas Exil getroffen: am 22.September landete eine offizielle Maschine der mexikanischen Regierung auf dem Santiagoer Flughafen Pudahuel, um Neruda am nächsten Tag auszufliegen; das Unternehmen war offenbar mit den Putschisten abgesprochen. „Zunächst wollte der Dichter nicht, er sagte, er könne doch nicht  sein Volk im Stich lassen“, erinnert sich Araya. Doch am 21.September willigte Neruda ein und bat Matilde, sie möge nochmal nach Isla Negra fahren, um Bücher, Bilder und Garderobe einzupacken. Matilde fuhr mit Araya die Sierra herunter. Doch schon am nächsten Morgen liess Neruda sie ans Telefon eines Nachbars rufen, sie sollten umgehend zurück in die Klinik kommen, es ginge ihm schlecht.Apúrese Manuel que la inyección le hizo mal a Pablo – Beeilen Sie sich, Manuel, die Spritze ist Pablo schlecht bekommen", drängte Matilde Urrutía den Fahrer auf der überstürzten Rückfahrt nach Santiago.

Ausser Atem vor dem Bett Nerudas stehend, habe der Dichter Araya einen Spritzeneinstich auf Magenhöhe gezeigt und gesagt, die Spritze habe Schmerzintensivierend gewirkt. War es Dipirona? Man weiss es bis heute nicht, Nerudas Behandlungsschein ist spurlos verschwunden – der Ungereitmheiten blosse Vorgeschichte, die Arayas Misstrauen schärfte.

Doch der Fahrer wurde vom wachhabenden Arzt in eine Apotheke geschickt, um neue Medikamente zu holen. Kaum war er wenige Häuserblocks abgefahren, wurde Nerudas Citroën von zwei Zivilfahrzeugen gerammt, Araya unter Fusstritten und Kolbenschlägen aus dem Wagen gezerrt und, auf  dem Boden liegend, ins linke Bein geschossen. Blutend, wurde er zum Massen-KZ improvisierten Estadio Nacional in Santiago verschleppt. Am nächsten Tag, den 24. September, erzählte ihm ein  Kirchenmann, Neruda sei tot. Araya wurde indes mehrere Monate lang weiter misshandelt.

Als er 1974 seine Freiheit erlangte, stürzte er sich in die Untersuchung der Umstände vom Tod seines Arbeitgebers. Die Verdachtsindizien verdichteten sich: Nerudas Behandlungsakte war in der Klinik verschwunden, der nach der Spritze angetroffene Arzt, Dr. Sergio Draper, hatte die Spritze aber nicht selbst verabreicht, die Anwesenheitsliste des am 23.September 1973 in der Klinik tätigen Personals war nicht mehr aufzufinden, der Name des eingespritzten Medikaments blieb ein Rätsel, und einen gewissen „Dr.Price“, der Neruda die Injektion verabreicht haben soll, gab es weder in der Klinik, noch im gesamten  Chile. „Dr.Price“ war das Neruda-Phantom.

Den Höhepunkt der Ungereimtheiten bildete der Sterbeschein der Klinik: Neruda habe nur noch 40 Kg gewogen, hiess es in der Urkunde. „Völliger Irrsinn!“, entgegnet Araya: „Neruda wog in jenen Tagen 123 Kg, so  habe ich ihn in Erinnerung - wie sollte er in wenigen Stunden 80 Kg ´abgenommen´ haben!“. Dann meldete sich der damalige Botschafter Gonzalo Martínez Corbalá zu Wort und attestierte Pablo Neruda während seinem Besuch in der Klinik exzellente Laune und gute körperliche Verfassung, von einer akuten Entwicklung des Prostata-Krebses könne keine Rede sein.

Doch Chile wurde hellhörig, als im Januar 1982 in der gleichen Klinik und in den Händen des gleichen Arzets, der christdemokratische, von der Konrad-Adenauer-Stiftung gestützte, ex-Staatspräsident Eduardo Frei Montalva auf unerklärlkiche Weise verstarb.
Matilde Urrutía aber schlug Arayas Attentats-These in den Wind, und kündigte sein Arbeitsverhältnis. „Sie schenkte mir Nerudas Citroën und sagte, ´auf daß Sie nie wieder behaupten, Pablo sei ermordet worden!´.  Vielleicht fürchtete sie um ihr Leben“. Matilde Urrutía verstarb 1985 im unfesten Glauben, Neruda sei an den Folgen des bereits in Paris diagnostizierten, doch kontrollierten Prostata-Krebs´ gestorben. Es war unfester Glaube, auch sie war inzwischen skeptisch geworden. Achtmal habe er dann die KP auf seine Vermutungen angesprochen, seufzt Araya, doch selbst dort wollte ihm keiner so recht folgen.

Für Araya verstrichen die Jahre in einsamer Pein.

Doch der Fischer Cosme Caraciollo hatte einen plötzlichen Einfall: Er brachte seinen Nachbar Araya mit dem Journalisten Francisco Marín, Korrespondent der mexikanischen Wochenzeitung „Proceso“, zusammen, und Marín schrieb jenen Artikel vom 31.Mai 2011 – „¿Mataron a Neruda?“ – der mit dem Buch „El doble asesinato de Neruda“ (Ocholibros, 2012) den Stein ins Rollen brachte.
Nun wurde auch der Santiagoer Anwalt Eduardo Contreras hellhörig und erstattete bereits nach seinem ersten Gespräch mit Araya Anzeige wegen Mordverdacht. Dem schlossen sich auch Nerudas Verwandte aus der väterlichen Reyes-Linie an und forderten von Richter Mario Carroza, der bereits die Umstände Salvador Allendes´ Tod aufzuklären versuchte, die Exhumierung des Dichters.

Neruda war im September 1973 sofort auf dem Zentralfriedhof in Santiago beigesetzt worden – ohne jegliche Autopsie. Siebzehn Jahre später wurden seine angeblichen, sterblichen Reste von Santiago nach Isla Negra umgebettet.

Die These Arayas - der sich Marín, Contreras und Rodolfo Reyes, Anwalt und Neffe Nerudas, anschlossen - besagt, die Militärs um Pinochet hatten es sich anders überlegt als sie begriffen, daß Neruda eine Exil-Regierung mit weltweiter Unterstützung ausrufen würde, die das rasche Ende der blutigen Diktatur besiegelt hätte. „In vier Monaten ist Pinochet von der Macht weggefegt!“ - dieses Szenario habe ihm Neruda selbst noch auf dem Krankenbett zugeflüstert, behauptet Araya.

Der Kampf Manuel Arayas hatte es an sich, er ist der Wahrheit einen gewaltigen Schritt näher gekommen. Jedoch, daß es nach all diesen Jahren und Umbettungen technisch möglich sein dürfte, festzustellen, ob Chiles grossem Dichter  Medizin oder Todesmittel – und sei es die Überdosis eines Schmerzlindernden Mittels – injiziert wurde, scheint kaum noch eine realistische Hoffnung zu sein.

26 novembro 2012

Frederico Füllgraf - Mit den FARC lässt sich kein Staat machen



Zu den kolumbianischen Friedensverhandlungen in Havanna


Am 19. November wurden in Kuba die Friedensverhandlungen zwischen der kolumbianischen Regierung und den FARC-„Revolutionäre Streitkräfte Kolumbiens“ fortgesetzt. Der Auftakt dazu fand am 18. Oktober im Hotel Hurdal, am Rande Oslos. statt.

Das Treffen in Havanna war ursprünglich auf den vergangenen 15.November anberaumt. Die Vertagung auf den 19. November, so heisst es aus Regierungskreisen in Bogotá, sei schliesslich mit „technischen Details“ begründet, womit jedoch eine in letzter Minute zugelassene Internet-Seite gemeint ist, wo nun die Menschnrechts-Organisationen Kolumbiens die Verhandlungen per Liveticker verfolgen können.

Die Initiative zu den Verhandlungen war 2011 von der Guerrilla ergriffen worden. Aus trifftigem Grund: Während der achtjährigen Regierung Álvaro Uribe wurde die Kampfstärke der seit 1966 aktiven FARC von 16.000 Mann auf nahezu die Hälfte zusammen geschossen und bombardiert-, ihre vollzählige Gründergarde – Manuel Marulanda, alias „Tiro Fijo“, Negro Acácio, Raúl Reyes, Alfonso Cano, Iván Ríos und Mono Jojoy – in den vergangenen Jahren in Gefechten getötet worden. Obwohl stur von der FARC-Führung bestritten, liegt nahe, daß die letzte Guerrilla Lateinamerikas eingesehen hat, daß der Krieg mit militärischen Mitteln nicht mehr zu gewinnen ist.

Als Ort der Zusammenkunft hatten FARC-Emissäre der seit 2010 amtierenden Regierung Juan Manuel Santos eine Pufferzone auf kolumbianischem Territorium vorgeschlagen, doch Santos´ Unterhändler lehnten ein „zweites Caguán” ab, und schalteten die als Konflikt-Mediatorin weltweit respektierte norwegische Regierung ein – so kam es zu Oslo.

Die Warnung vor einem „zweiten Caguán“ hat es auf sich, sie meint die 2002 gescheiterten Friedensbemühungen der Regierung Andrés Pastrana. Ihr Kernstück war eine entmilitarisierte Zone in San Vicente de Caguán, tiefstes Amazonien. Entgegen den damaligen Absprachen, überranten die FARC das Niemandsland, bar jeder militärischen Kontrolle, und errichteten dort ihre uneingeschränkte Herrschaft über Zivilbevölkerung und Wirtschaft. Die FARC hatte den Friedensplan verraten, die Kriegshandlungen wurden weitere zehn Jahre fortgesetzt.

Vierter Friedensversuch seit 1998, werden diesmal Gespräche über ein 5-Punkte-Programm in Havanna aufgenomnen. Verhandelt wird über die Einstellung der Kriegshandlungen, eine Agrarreform, die eventuelle Anerkennung der FARC als legale Partei, lindernde Strafmassnahmen für begangene Verbrechen und die Garantie der Nicht-Auslieferung an Drittstaaten. Letzterer ist für die FARC ein Überlebensgesetz, gegen die gesamte Führung liegen im In-und Ausland Haftbefehle vor. Für die Auslieferung Chefunterhändlers Luciano Arango, alias "Iván Márquez“, bietet das US State Department z.B. 55 Mio. Dollar - http://www.state.gov/j/inl/narc/rewards/115279.htm.
Der stolze Preis ist mit den schweren Verbrechen (Mitglied einer als „terroristisch“ eingestuften Vereinigung und massiver Drogenschmuggelin die USA) Arangos begründet. Also musste die Regierung Santos eilends den USA eine Jagdpause abhandeln, damit Arango et alii unbehelligt ausreisen durften – so kam die Guerrilla nach Oslo.

FARC: nichts dazu gelernt“

Sollten die Konfliktparteien Einigung erzielen, könnte Kolumbien noch vor Jahresende den langersehnten Frieden zellebrieren, nachdem 200.000 Menschen im fünfzigjährigen Zermürbungskrieg das Leben verloren.


Doch das, was sich Arango in Oslo leistete als Auftakt zum Dialog, war eine Absage an elementare Diplomatie. Er schien lange Zeit nach der globalen Bühne gedürstet- und seine theatralische Ansprache im fernen Dschungelversteck auf Betonung und Gestik geprobt zu haben: Vor einer Hundertschar Journalisten verliess Arango den leidlich vereinbarten Fahrplan, und ging auf´s Ganze: Der Friede müsse mit einem radikalen „Umbau der kolumbianischen Wirtschaft“ erkämpft werden. Humberto de la Calle, Ex-Vizepräsident und Chefunterhändler der kolumbianischen Regierung, traute seinen Ohren nicht, als Arango die multinationalen Bergbaufirmen, die US-Regierung, die soziale Ungleichheit und den „Staatsterror der Regierung“ attackierte – eine scheinbar unredliche Verleugnung des bemühten kolumbianischen Rechtsstaates, doch niemand in der Santos-Regieriung wir noch leugnen wollen, daß dieser Rechtsstaat erst seine wirkliche Legitimation erhält, wenn er endlich mit dem skandalösen Landeigentumsverhältnissen  aufräumt, weil immer noch 1,15 Prozent der Besitzer Herren über 52,2 Prozent des kolumbianischen Bodens sind. Damit fing ja vor 50 Jahren der Konflikt an, der Kampf der armen campesinos war die Stunde Null der FARC.

Santos´“dritter Weg“

Santos ist nicht gleich Uribe. Der der Agraroligarchie entstammende und von korrupten Politikern und Warlords umgebene ex- Präsident und sein kultivierter Nachfolger aus angesehenen Politiker- und Verleger-Familien Bogotás (die Familie Santos begründete Kolumbiens renommierte Tageszeitung, „El Tiempo“) sind sich spinnefeind. Rechtsanwalt und Journalist Aurelio Callejas, ein Santos-Freund, will sogar von einer Verschwörung gegen den Präsidenten wissen und hat beim Generalstaatsanwalt Anzeige gegen Uribe und seine „Front gegen den Terrorismus“ wegen angeblicher Umsturzpläne und Hochverrat erstattet.
 “La Tercera Vía: una alternativa para Colombia” [Der dritte Weg: eine Alternative für Kolumbien], heisst das 1999 erschienene, sozialdemokratisch angehauchte Werk Juan Manuel Santos´, das sich der Mitarbeit des damals amtierenden, britischen Prime Ministers Tony Blair erfreute. Zehn Jahre später, veröffentlichte Santos im spanischen Verlag Planeta, „Jaque al Terror: los años horribles de las FARC“ [Schachmatt gegen den Terror: die grauenhaften Jahre der FARC] – eine Chronik der erbarmunglosen Schläge die der Narco-Guerrilla während seiner Amtszeit als Verteidigungsminister Uribes versetzt wurden. Die Liquidierung der legendären FARC-Comandantes ging komplett auf Santos´ Konto. Das Vorwort dazu schrieb der preisgekrönte zeitweilige Fidel Castro Verbündete, im Mai 2012 verstorbene mexikanische Schriftsteller, Carlos Fuentes. Das Eröffnungszitat entlieh Santos einem dezidiert sozialistischen Nobelpreisträger: Dem Portugiesen José Saramago. Dieser hatte prophezeit: “Sollte Kolumbien es schaffen, sich vom Horror der Guerrilla zu befreien, hat es das Zeug für eine grosse Nation“.
Angetrieben von dieser moralischen Rückendeckung, lenkte Santos in den Friedensappell der Guerrilla ein, sehr wohl wissend, daß er es mit einem bös angeschlagenen, doch noch nicht bezwungenen Gegner zu tun hat.

Zynismus statt Reue

Laut der Meinungsumfrage Gran Encuesta, vom September 2012, erwarten 78% der Kolumbianer daß die FARC für ihre Verbrechen zur Rechenschaft gezogen werden, doch bezweifeln immerhin 41 Prozent, daß die Guerrilla sich überhaupt auf dauerhaften Frieden einlässt. Die arrogante Ansprache Arangos in Oslo bekräftigte die Befürchtung: Mit keinem Wort wurden die Opfer des Krieges oder die im Dschungel ermordeten Geiseln erwähnt.

Die kolumbianische Gesellschaft zahlte einen hohen Blutzoll für die fünfzigjährige Konfrontation: Bis 2008 hatte der Staat den Tod von 3.515 Polizisten und 9.222 Soldaten zu beklagen, dazu kamen 30.500 Verletzte, 1.250 Gefangene (darunter Befreite und Hingerichtete) und 128 vermisste Militärs. Die FARC erlitten 26.500 Tote, 48.000 Gefangene und 25.000 „demobilisierte“, also geflohene und freiwillig ergebene Guerrilleros. Zwischen 80.000 und 100.000 Zivilisten gelten als tot oder vermisst, ca. 5,0 Millionen wurden landesweit vertrieben.

Doch selbst in den eigenen Reihen etablierten die FARC das Schlachthaus-Statut: Von Pol Pot´scher Paranoia besessen, wurden seit 2009 zwischen 400 und 600 verdächtige Guerrilleros umgebracht. Dokumentiert sind jedenfalls 180 Exektionen auf Anordnung Hernán Darío Velásquez, alias „El Paisá”.  Weitere 112 Morde und 300 Erschiessungen werden jeweils den inzwischen umgekommenen comandantes “Mono Jojoy“ und  „Iván Ríos“ zugeschrieben. Von Geisel-und Gefangenen-Füsilierungen ganz zu schweigen. Doch die FARC kennt keine Reue.



Millarden schwere Narco-Guerrilla

Die sture Leugnung der Gewaltverbrechen könnte der Guerrilla das
politische Genick brechen. Dazu kommen nun die Entschlüsselungen der Sicherheitsorgane und Finanzexperten über Ihr Drogengeschäft: Dank ihrer Waffenmacht haben sich die FARC zu einem der grössten Drogenkartelle entwickelt, das die Kokainherstellung und ihren Vertrieb mit erpresseerischen Methoden der Mafia kontrolliert:
10.000 US-Dollar je Woche für den Schutz eines Laborbetriebs,
13.000 US-Dollar je Flugzeug-Landung – die FARC kontrollieren 57 Landepisten und 70 Flughäfen,
20 US-Dollar je befördertes Kilogramm Kokain,
10 US-Dollar Monatssteuer je geschütztem Hektar Anbaufläche.
1 US-Dollar Gebühren je Gallon beschiffter Rohstoffe
5 US-Dollar je erzeugtes Kilogramm Kokain.

Nach Schätzungen der kolumbianischen Staatsanwaltschaft beläft sich die mit dem Drogengeschäft jährlich erzielte „Deviseneinfuhr“ der FARC auf stolze 1.0 Mrd. US-Dollar, realistischere Berechnungen vermuten gar das Doppelte; eine halbe Milliarde allein für die Überwachung der Kokainherstellung, berichtet die Weltbank.

Internationale Ermittlungen nach FARC-Unternehmen


Die kolumbianische  Staatsanwaltschaft leitete deshalb erstmalige Ermittlungen über die FARC Guthaben in Überseee ein. Dreissig Prozent des schmutzigen Geldes werden in Kolumbien vermutet, der Löwenanteil sei jedoch in profanen, kapitalistischen Unternehmen der Transport-, Bau-, Hotel- und Gebrauchsartikel-Branchen in Lateinamerika, den skandinavischen Ländern, aber auch in Deutschland angelegt. Sinn der Untersuchung ist, die FARC mit den Funden zu konfrontieren und sie zu Wiedergutmachungen an der vom Terror geschädigten Zivilbevolkerung zu verpflichten.


Doch die Einnahmen der FARC begrenzen sich nicht auf den Drogenhandel, übrige Quellen sind Lösegeldempfang für Entführungen, Landraub und Viehdiebstahl. Die Staatsanwaltschaft schätzt 300.000 Hektar bebautes Land und 106.934 Stück Vieh in Händen der Narco-Guerrilla, die die ursprünglichen Eigentümer mit Gewalt von ihrem Besitz vertrieb. Gegen Landraub gingen 21.000 Beschwerden bei den Sicherheitsbehörden ein, 5,2 Millionen Meschen wurden von der Narco-Guerrilla und rechtsgerichteten paramilitärischen Verbänden vertrieben.

„Akzeptable Minimalzugeständnisse“


Jedoch, die Regierung selbst hat sich brutaler Gewaltanwendung zu verantworten. Die
Staatsanwaltschaft ermittelt z.B. über das Schicksal von mindestens 1.000 Verschwundenen während der Amtszeit Santos´ als Verteidigungsminister. Der Staatspräsident gab im November 2011 auch öffentlich zu, daß das Militär Hinrichtungen und standrechtliche Erschiessungen von Regimegegnern zu verantworten habe, weshalb 27 höhere Offiziere fristlos entlassen und Ermittlungsverfahren eingeleitet wurden.

Die schwierigste Hürde der Gespräche in Havanna ist deshalb die Aushandlung sog. „akzeptabler Mindestzugeständnisse” . Die kolumbianische Öffentlichkeit jedenfalls erwartet daß die FARC ihre eigenen Verbrechen anerkennen, dafür hinter Gittern bestraft werden und ihre Opfer entschschädigen.


Vom Militär unter Druck gesetzt, dem ultrakonservativen Uribe-Kreis angefeindet, und einer ramponierten Popularität von 40 Prozent, braucht Santos die Befriedung Kolumbiens für seine Widerwahl in zwei Jahren. Die Narco-Guerrilla weiß das nur zu gut, und versucht rücksichtslos Zugeständnisse heraus zu pressen. In letzter Minute, machten sich die FARC z. B. die Forderung kolumbianischer Menschenrechts-Organisationen zu eigen, die ihre Teilnahme an den Friedensverhandlungen verlangen. Diese hatte Staatspräsident Santos auch zugesichert, jedoch erst in der Umsetzungsetappe der in Havanna ausgehandelten Einzelmaßnahmen. Für die Aufnahme der Impulse aus der Bevölkerung, kooperiert das Parlament seit Monaten mit mehr als 400 Organisationen im Lande – die sog. „Mesas Regionales de Paz“ / Regionale Rundtische für den Frieden. Insgesamt 800 Altionsvorschläge von 2.300 Bürgervertretern wurden  an Hochkommissar Sergio Jaramillo  übergeben, der sie an Regierung und FARC weiter geleitet hat. Doch genau die aktive Bürgerbeteiligung an den Friedensverhandlungen könnte für die FARC mit einem Eigentor ausgehen. 

Die Linke weltweit muss endlich Abstand nehmen von dieser dekadenten und kriminellen Vereinigung.


 Fotos:ilustração

15 outubro 2011

"Eillen", la guerrillera holandesa


Fotos: Peter van Huystee Film, La Semana, divulgação


Nota: Füllgrafianas reproduz a presente reportagem de La Semana, em que pese seu apuro investigativo e consistente,  mas reservando-se o direito de discordar de algumas opiniões emitidas pelo semanário colombiano. 

PORTADAEl diario de Tanja Nimeijer muestra la sórdida realidad de las Farc. SEMANA estuvo en Holanda y reconstruyó la historia de esa guerrillera que tiene conmocionada a Europa.
Sábado 8 Septiembre 2007
El ataque del Ejército fue tan sorpresivo, que los miembros de las Farc sólo atinaron a correr para salvar sus vidas. Esa mañana del 18 de junio, en límites de los municipios de Macarena y Uribe, un comando de la fuerza de tarea Omega llegó hasta el campamento de Carlos Antonio Lozada, miembro del Secretariado de las Farc, en un tupido paraje de la cordillera Oriental. Tras una débil resistencia quedaron en medio de un improvisado cambuche tres muertos y apenas el rastro de su comandante, quien huyó gravemente herido.
Aún no se había disipado el humo del combate cuando los militares entraron al lugar y encontraron el portátil del jefe guerrillero que contenía información, estratégica del grupo subversivo. Pero a pesar del valor de la información esa no sería la mayor sorpresa. En medio de las pertenencias que dejaron los guerrilleros en su estampida, estaban varios cuadernos escritos en holandés. Intrigados ante lo que parecía confirmar que había europeos en las filas guerrilleras, los soldados los enviaron a Bogotá, donde ofíciales de inteligencia ordenaron traducirlos. Y cuando leyeron el texto en español, la impresión fue mayor. Los cuadernos contenían el diario de una joven holandesa que había pasado de la simpatía ideológica -común en muchos jóvenes europeos sensibles e incautos- a la militancia armada. 
La noticia conmocionó a Colombia, pero mucho más a Holanda. Los diarios de ese país comenzaron a buscar a la familia de esa muchacha que había decidido internarse en las selvas colombianas para perseguir un difuso sueño revolucionario. Todos se preguntaban cómo había llegado a tomar una decisión tan arriesgada como absurda. Camilo Jiménez, corresponsal de SEMANA en Alemania, viajó a Denekamp, su pueblo natal, para reconstruir el proceso que la llevó a esa utopía en la que, hoy por hoy, se encuentra atrapada.


La holandesa se rebela


Tanja Nijmeijer, especialista en lenguas romances de la Universidad de Groningen, era en sus años más jóvenes una chica dulce, esbelta y sensible. Es la mayor de los hijos de la familia Nijmeijer, o más precisamente, los Nijmeijer de la calle Brink. Es una familia protestante, de clase media, que vive en una bella casa muy cerca del centro de pueblo próspero y tan tranquilo que un gato herido en un techo podría ser primera página del periódico local. Éste, a su vez, está muy próximo a la frontera alemana y en medio de una inmensa planicie del noreste de Holanda que en esta época del año parece una verdadera colcha de retazos verdeamarillos. Hoy Tanja, que lo dejó todo para viajar a Colombia y realizar su anhelo de luchar aquí por "la justicia social", es a sus 29 años todo menos una niña ingenua.


Convencidos de ello están los periodistas Jan Blaauw y Remco In't Hof, de Holanda, y el reportero belga Lieven Sioen. Conocieron a Tanja a mediados de 2001, poco tiempo antes de que ésta abandonó definitivamente su país con el propósito -como no se cansó de repetírselo a los tres- de ayudar a toda costa a las víctimas de la violencia, la injusticia y la desigualdad en Colombia. Con la firmeza que la caracterizaba, les habló de la miseria en las zonas rurales de Colombia, de la displicencia de la clase alta ante la situación social, de la corrupción de los órganos del Estado, de la impunidad y del terror que los señores del poder -paramilitares, militares, guerrilleros- han infundido en las almas de los pobres. No argumentaba estructuradamente. Más bien, buscaba desde su sensibilidad siempre imponer su forma de ver el mundo. Quería dejar rodar su vida en el ritmo de sus convicciones. Y a pesar de las negativas de sus padres, se había prometido a sí misma que antes de la Navidad de ese 2001 volvería a Colombia.


De groningen a pereira, 2000-2001


Volvería, pues ya en 2000 había estado en el país. Era entonces estudiante en la facultad de lenguas de la Universidad de Groningen. Y tras obtener un pregrado, había iniciado una especialización en lengua española. Ansiosa, como la mayor parte de sus compañeros, de hacer un semestre de intercambio en el exterior, hizo una solicitud para realizar un año de prácticas en América Latina. Muy pronto recibió la oferta que la llevaría por primera vez a Colombia: viviría en Pereira, en la casa de una familia, y daría clases de inglés en un colegio privado. No tardó mucho en decidirse por esa aventura.


Casi un año después, en julio de 2001, Remco In't Hof, que trabajaba como reportero del diario regional holandés Nieuwsblad van het Noorden, tuvo noticias de ella. In't Hof, a quien tiempo atrás su periódico le había encomendado la misión de internarse en el submundo juvenil de Groningen, se había convertido en un experto de la escena alternativa de la ciudad. Su deambular por los vericuetos del submundo underground de la ciudad le había permitido verlo todo: comunidades de jóvenes holandeses viviendo en casas ocupadas, agitando las banderas del altermundismo, la anarquía, la izquierda radical y el antiimperialismo. Había pasado noches enteras en antros en los que artistas y activistas conjuraban la transformación del mundo con protestas, panfletos y masivas acciones de altruismo. Y había fraguado una considerable red de contactos. Uno de estos se acercó a él a mediados de 2001 y le habló de una activista local que viajaría a Colombia en agosto para participar en las Caravanas Internacionales por la Vida. La chica vivía en una 'casa tomada' (squat) de la calle Eerste Drift. El tema podría interesarle; podrían ayudarle a localizarla; se llamaba Tanja. El periodista no dudó un instante. La llamó, y concretaron una cita en el primer piso del squat de la Eerste Drift.


La que había sido el hogar de Tanja antes de partir por última vez rumbo a Colombia ya no es una 'casa tomada' en cuyo primer piso funcionaba un inmenso negocio en que se fabricaban y se vendían ropa, zapatos y comida, todos libres de componentes animales, sino el taller de trabajo y la casa de un artista plástico llamado Pablo. Él le contó a SEMANA, con su voz carrasposa y su tufo a cerveza bávara, que ese squat fue desalojado por la Policía en 2006. Desde entonces, come, duerme y elabora allí inmensos bisontes y ratas de alambre para vivir. En la sala del segundo piso tuvo lugar el 13 de julio de 2001 la entrevista de Tanja con el periodista Remco In't Hof.


Se encontraron en el primer piso de la casa frente a Salmonella, el expendio de comida no animal del squat. Tanja le contó al periodista que trabajaba en un puesto de distribución gratuita de comidas en el centro de Groningen y que ésta era una acción de protesta. Afirmó su convencimiento de que en Colombia, donde había estado un año y había visto la situación de los desfavorecidos, había muchas cosas que hacer. ¿Y por qué debía hacer esto un europeo? Porque aunque no se crea, decía Tanja, un pasaporte europeo y el poder de los medios y las organizaciones en Europa son excelentes instrumentos de presión. Insistió en que la caravana en la que había participado en Colombia era una acción con fines humanitarios y que detrás de su realización no se escondían pretensiones políticas. Y confesó que iba a preparar un informe sobre sus experiencias y presentarlo en una conferencia por la paz que se celebraría en septiembre en algún lugar de Europa.


San Pablo, sur de Bolívar, agosto, 2001 
No fue muy distinto lo que Tanja, ya en agosto del mismo año, le diría a Lieven Sioen, reportero del diario belga Standaart y enviado especial a Colombia como observador de la Caravana por la Vida. Al principio de agosto, Sioen arribó al aeropuerto El Dorado, donde representantes de ONG colombianas lo recogieron para llevarlo a un albergue juvenil en el centro de Bogotá. Dice el belga de 38 años que cuando llegó fue inmediatamente presentado a los coordinadores colombianos de la caravana, a más de 50 representantes de ONG provenientes de Italia, España, Bélgica y Suecia, y a unos pocos jóvenes europeos que habían decidido unirse por cuenta propia. De todos ellos, sólo una chica hablaba neerlandés. Así conoció a Tanja Nijmeijer.


Permanecieron tres días en el albergue, según Sioen, preparando el viaje: hubo que hacer un gran mercado, acordar estrategias de reacción ante cualquier eventualidad que se produjera, e incluso, cuenta él, tuvieron que escuchar a un profesor universitario que les explicaba la actualidad colombiana con un discurso salpicado de observaciones doctrinarias de izquierda.


Sioen afirma que la holandesa le pareció muy joven, y rápidamente notó su buen manejo del español. La oyó hablar del impacto que había producido en ella su experiencia en Pereira. Escuchándola, dice él, Tanja no daba la impresión de ser la clásica chica inocente que no sabía de qué hablaba ni qué quería. Se refería al shock que le había causado ver la forma como la familia con que había vivido en Pereira se refería a los pobres. ¿Y qué pensaba esta europea idealista de las acusaciones hechas durante años a la guerrilla? Sioen recuerda que, sin esfuerzos, Tanja admitía ser consciente del repudio de la sociedad colombiana hacia los actos de violencia de las Farc. A primera vista, para ella el terrorismo, las violaciones de los derechos humanos y el tráfico de drogas en el que están involucradas las Farc eran hechos indiscutibles.


El bus que llevó a todos los participantes de la caravana hasta Barrancabermeja salió de Bogotá la madrugada del 4 de agosto. Una vez en el sofocante calor del Magdalena Medio, los integrantes de la caravana se refugiaron en un hotel y en las instalaciones del sindicato de Ecopetrol. Campesinos, habitantes de la ciudad, miembros de organizaciones cívicas y políticos locales desfilaron por el salón de conferencias en el que durante dos días la caravana estableció una especie de audiencia pública. Tanja, cuenta Sioen, llevó un registro exhaustivo de los testimonios que dejaban todos los conferencistas, la mayoría provenientes del sur de Bolívar. Múltiples denuncias de masacres civiles, destrucción de viviendas, desalojos y del predominio de la impunidad debieron de quedar consignadas en su cuaderno de notas.


Pero el momento que recuerda con mayor claridad el periodista de Standaard ocurrió el día en que la angustia se hizo dueña de la caravana. Se acuerda de una embarcación con cupo para 100 personas que los aguardaba en el puerto de Barrancabermeja y del espíritu activo y comprometido de Tanja durante los primeros días de viaje por el Magdalena. El navío ya había pasado por numerosas comunidades, y se había repartido ropa, alimentos, material escolar y herramientas entre la población. El 6 de agosto, sin embargo, a su llegada al casco urbano de San Pablo, en el sur de Bolívar, la caravana se paralizó.


Fue recibida por una inesperada masa de gente que se oponía a la continuación del viaje. La muchedumbre impidió el desembarque de los pasajeros y la embarcación fue acorralada por lanchas. Cuenta Sioen que debieron pasar la noche en el barco. El temor dominó profundamente a la tripulación. También a Tanja. La angustia produjo fuertes discusiones a bordo del barco. Empezaron a aparecer fotógrafos que dirigían las cámaras hacia los pasajeros, y éstos a taparse los rostros, no fueran esas fotos a condenarlos a muerte. Los testimonios de Tanja y del belga concuerdan en la indignación por los chantajes, las manifestaciones -según ellos, ficticias- y el bloqueo de la caravana. Sioen debió abandonar el grupo inmediatamente a bordo de una lancha en la que viajó con Eduardo Cifuentes, entonces Defensor del Pueblo. Y dejó en la embarcación a quien él olvidaría por años después de saber por los medios que se había vuelto guerrillera, a Tanja, atemorizada, indignada y con el corazón en llamas.


Groningen, finales de agosto, 2001 
Después de su intensa experiencia en la caravana, Tanja volvió a Holanda sólo por tres motivos: para decirle a su familia que se había prometido regresar a Colombia; para finalizar sus compromisos en la universidad y sellar el fin de su vida en la ciudad; y para realizar con un reportero del UK de Groningen una entrevista que ya antes de su viaje al Magdalena Medio había sido concretada.


Jan Blauuw, quien se mantuvo en contacto con Tanja durante la participación de ésta en las caravanas, recuerda el día en que ella lo visitó en su despacho del UK para contarle su historia. La describe como una chica lista, educada y sencilla. Incluso conjetura que detrás de su decisión de volver a Colombia antes de la Navidad de 2001 no se escondían intereses distintos al de reaccionar a todo lo impactante que había tenido que presenciar en Colombia.


Caminando por las callejuelas aledañas a la redacción del UK, Blaauw comenta emocionado los avances diarios que hace la prensa holandesa en el caso de Tanja. Las reacciones de sorpresa del gobierno, que no tenía la menor idea de su suerte en la selva colombiana. La negativa de los habitantes de su ciudad natal a hablar ante los medios. La desaparición de la familia Nijmeijer la misma noche en que se publicaron los diarios de alias 'Eillen' y su repentino comunicado en el que exigen silencio. Los interrogantes surgidos en relación con la presencia de las Farc en Europa. Las frecuentes menciones del PC3 en las páginas de reconocidos diarios holandeses. Las ridículas especulaciones de algunos sobre un supuesto proyecto de las Farc para reclutar europeos. Y, por supuesto, las confesiones de la familia Nijmeijer: el enfado de los padres con las decisiones de Tanja, el intercambio de e-mails, las llamadas de auxilio a la Embajada de Holanda en Colombia y a la Cruz Roja, las negociaciones para llevar a cabo un encuentro entre madre e hija en territorio venezolano, la visita de la madre de Tanja a la selva colombiana, las fotos.


Sin embargo, lo que más sorprende a Jan Blaauw es que los medios de su país sigan insistiendo en responder al interrogante de si la guerrillera holandesa era o no una niña ingenua. Blaauw insiste en que no. Pero la pregunta es más compleja. Más importante es, sin duda, saber interpretar las acciones de Tanja. ¿Por qué terminó envuelta en la lucha armada de las Farc? ¿Fue su propio compromiso el que la llevó a hacer aquello que no hacen los cientos de activistas que anualmente visitan Colombia y que viven las mismas experiencias? ¿O tuvieron en este caso efecto las estrategias propagandísticas de la guerrilla en Europa?


Hoy, cuando se conocen los diarios de la guerrillera holandesa (ver recuadros) parece claro que esa motivación altruista ha quedado atrás. Su texto, en ocasiones desgarrador y en otras indignante, muestra a una guerrilla desmoralizada y convertida en un grupo delincuencial en el que la promiscuidad sexual y los privilegios de la cúpula de la comandancia reniegan de las virtudes de su supuesto mensaje. La importancia del diario radica en que se trata de la voz de una europea que llegó movida por una concepción abstracta del drama colombiano y que descubrió que en la realidad las Farc no son el grupo de libertadores que venden en Europa.


La joven Tanja es el ejemplo más vívido de la parábola de un ideario revolucionario que ha sido resquebrajado por la crueldad y el terror. En su diario se puede leer cómo del movimiento insurgente en busca de justicia social que esperaba encontrar en Colombia, llega a una guerrilla llena de injusticias, explotaciones y arbitrariedades. Su ilusión de niña aventurera en busca de ayudar al prójimo se desvaneció rápidamente al ver que los privilegios de los comandantes, las condiciones paupérrimas de la tropa, los vejámenes en los castigos, la falta de ideas y formación, las difíciles condiciones de vida, y sobre todo, la incoherencia ideológica de una guerrilla que se alza en armas para salvar el pueblo y es el primero que lo oprime en sus filas.


El diario de Tanja es, en el fondo, el diario de una decepción. 
Fonte: Semana.com
Primeira entrevista de Tanja Nimeijer



O documentário de Leo de Boer, 2010


Las mujeres en las FARC