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29 maio 2014
¡Premio Nacional de Música & Literatura 2014 a Patricio Manns!
Ezra Pound - Contra la usura
CANTAR
XLV.
Con
usura no tiene el hombre casa de buena piedra
Con bien cortados
bloques y dispuestos
de modo que el diseño lo cobije,
con
usura no hay paraíso pintado para el hombre en los muros de su
iglesia
harpes et lutz (arpas y laúdes)
o lugar donde la
virgen reciba el mensaje
y su halo se proyecte por la grieta,
con
usura
no se ve el hombre Gonzaga,
ni a su gente ni a sus
concubinas
no se pinta un cuadro para que perdure ni para tenerlo
en casa
sino para venderlo y pronto
con usura,
pecado contra
la naturaleza,
es tu pan para siempre harapiento,
seco como
papel, sin trigo de montaña,
sin la fuerte harina.
Con usura
se hincha la línea
con usura nada está en su sitio (no hay
límites precisos)
y nadie encuentra un lugar para su casa.
El
picapedrero es apartado de la piedra
el tejedor es apartado del
telar
con usura
no llega lana al mercado
no vale nada la
oveja con usura.
Usura es un parásito
mella la aguja en manos
de la doncella
y paraliza el talento del que hila. Pietro
Lombardo
no vino por usura
Duccio no vino por usura
ni Pier
della Francesca; no por usura Zuan Bellini
ni se pintó “La
Calunnia”
No vino por usura Angélico; no vino Ambrogio
Praedis,
no hubo iglesia de piedra con la firma: Adamo me
fecit.
No por usura St. Trophime
no por usura St.
Hilaire.
Usura oxida el cincel
Oxida la obra y al
artesano
Corroe el hilo en el telar
Nadie hubiese aprendido a
poner oro en su diseño;
Y el azur tiene una llaga con usura;
se
queda sin bordar la tela.
No encuentra el esmeralda un
Memling
Usura mata al niño en el útero
No deja que el joven
corteje
Ha llevado la sequedad hasta la cama, y yace
entre la
joven novia y su marido
Contra naturam
Ellos trajeron putas a
Eleusis
Sientan cadáveres a su banquete
por mandato de usura.
26 abril 2014
Frederico Füllgraf - Chernobyl: crônica do dia depois
(texto publicado em Gazeta do Povo, abril de 2006)
Radioatividade era a maldição. Não tinha forma, cheiro, nem cor. Era o inimigo amoitado, fantasmático, porque onipresente. Medusa gasosa, deus volátil, todo-poderoso, no vicejante jardim de um bairro de Stuttgart a nuvem radioativa de Chernobyl já desencadeava a metamorfose diabólica. Pessegueiros, pereiras e cerejeiras em flor, saltavam das páginas da literatura, do livro de “Gênesis” até Baudelaire, como metáforas letais da árvore do pecado, do fruto proibido, das flores do mal... – todos intocáveis.
Crônica
Manhã de 26 de abril de 1986, tingida de laranja esmaecido por acanhados raios de sol primaveril.
Eu caminhava em direção a uma padaria, em Bremen, noroeste da Alemanha, quando numa banca deparei com as manchetes dos principais jornais, que sacudiram os restos do meu entorpecimento: "Aconteceu o improvável - o acidente do milênio – explode usina nuclear na Ucrânia!“.
Alvoroçado, naquela manhã esqueci um importante compromisso profissional, e o editor que me esperava, relevou, dizendo que estava colado aos noticiários da tevê.
Os trens alemães atrasaram - incidente não previsto na agenda de um país regrado, sisudo, que naquele dia se esquecera de seus princípios, narcotizado pela onda de choque. O primeiro balanço advertia: 28 mortos em Chernobyl. E uma nuvem com 40 toneladas de um coquetel de substâncias radioativas rumava para oeste, na direção da Europa Central.
Os trens alemães atrasaram - incidente não previsto na agenda de um país regrado, sisudo, que naquele dia se esquecera de seus princípios, narcotizado pela onda de choque. O primeiro balanço advertia: 28 mortos em Chernobyl. E uma nuvem com 40 toneladas de um coquetel de substâncias radioativas rumava para oeste, na direção da Europa Central.
Imaginando-me o único brasileiro no olho do furacão, liguei para o Brasil, que dormia o sono dos distraídos. Despertei namorada e amigos, soletrando o nome da catástrofe. Insistiram em que eu voltasse no primeiro avião. Infelizmente eu não podia abandonar minha missão, pois – venenosa ironia - encontrava-me em turnê pela Alemanha, estreando o filme documentário "O veneno nosso de cada dia", co-financiado pelo governo José Richa, sobre o impacto humano e ambiental do uso de agrotóxicos no Brasil.
Um solilóquio sobre o absurdo paralisou-me - quem se importaria com malformações de crianças nascidas nos campos de algodão do Paraná, enquanto o céu, na Europa, vomitava radioatividade sobre a cabeça de centenas de milhões de pessoas?
Um solilóquio sobre o absurdo paralisou-me - quem se importaria com malformações de crianças nascidas nos campos de algodão do Paraná, enquanto o céu, na Europa, vomitava radioatividade sobre a cabeça de centenas de milhões de pessoas?
De posse da estória toda, ruminei sobre crenças que da noite para o dia se fazem pó. Por exemplo: a capciosa estatística conjurada pelas "comunidades científicas", asseverando a “probabilidade 1:1.000 000 000“, de um acidente grave em usinas nucleares. No dia 26 de abril de 1986, esta fantasia irresponsável jazia por terra, junto com os mortos de Chernobyl.
Lembrei-me de Jane Fonda estrelando o thriller “The Day After”, prenúncio cinematográfico do acidente de Three Miles Island, mas intuí que comprara um ingresso para um “filme“ pior.
Contudo, a turnê agendara compromissos e tinha que continuar.
Durante a longa viagem para Stuttgart transitei por cenários de uma guerra desesperada contra um inimigo invisível. Nas curvas do Reno, imaginei desatados os fantasmas de Wagner. Da janela do trem divisei imagens do colapso, já banalizadas pelos filmes-B de ficção científica: matraqueado metálico de helicópteros no céu; barreiras policiais bloqueando as estradas; carros esvaziados de seus ocupantes por comandos de robocops com roupa de proteção futurista e máscaras de oxigênio; a estridência das sirenes advertindo acidentes; luzes de alarme piscando em azul, vermelho e amarelo; contadores Geiger subindo e baixando sobre corpos humanos; gado cercado nos pastos como “fator de risco”, confinado em estábulos.
Durante a longa viagem para Stuttgart transitei por cenários de uma guerra desesperada contra um inimigo invisível. Nas curvas do Reno, imaginei desatados os fantasmas de Wagner. Da janela do trem divisei imagens do colapso, já banalizadas pelos filmes-B de ficção científica: matraqueado metálico de helicópteros no céu; barreiras policiais bloqueando as estradas; carros esvaziados de seus ocupantes por comandos de robocops com roupa de proteção futurista e máscaras de oxigênio; a estridência das sirenes advertindo acidentes; luzes de alarme piscando em azul, vermelho e amarelo; contadores Geiger subindo e baixando sobre corpos humanos; gado cercado nos pastos como “fator de risco”, confinado em estábulos.
No dia seguinte, durante o café da manhã, no hotel, o bombardeio incessante dos boletins de advertência: “elevada dosagem de bequeréis medidos no solo da Floresta Negra. O consumo de laticínios da região está terminantemente proibido“.
E naquela tarde de domingo, 27 de abril, confrangido, ali na sala da casa do deputado Verde, Willi Hoss, com as janelas para o jardim hermeticamente fechadas, senti-me prisioneiro de um cenário mais macabro que “Primavera Silenciosa”, o romance documental de Rachel Carson sobre devastação e morte nos campos dos EUA, após seu bombardeio com milhões de toneladas de pesticidas.
Radioatividade, contudo, era a maldição. Não tinha forma, cheiro, nem cor. Era o inimigo amoitado, fantasmático, porque onipresente. Medusa gasosa, deus volátil, todo-poderoso, no vicejante jardim de um bairro de Stuttgart a nuvem radioativa de Chernobyl já desencadeava a metamorfose diabólica. Pessegueiros, pereiras e cerejeiras em flor, saltavam das páginas da literatura, do livro de “Gênesis” até Baudelaire, como metáforas letais da árvore do pecado, do fruto proibido, das flores do mal... – todos intocáveis.
Aquele medo de respirar, o terror de expor-se ao céu que não mais protegia!
Anoitecia, e o cinza que deitava sobre a linha do horizonte pareceu-me o ocaso dos deuses da máquina infalível.
Vinte anos depois, quatro mil mortos (“oficiais”) em Chernobyl - em Angra dos Reis, seriam quantos?
25 abril 2014
30 março 2014
11 março 2014
Manoel de Andrade lança "Nos Rastros da Utopia"
A inédita e monumental viagem poético-política
pela América Latina dos anos 1970
Olá amigos, ao convidá-los para o lançamento do meu livro, quero dizer que NOS RASTROS DA UTOPIA é, acima de tudo, a longa crônica de um poeta que sonhou com o impossível, e cruzou tantas fronteiras acreditando que pudesse mudar o mundo com seus versos. É também um convite a viajar por caminhos e por um tempo fascinantes, em que o sonho e a esperança comandavam os rumos da História. Um tempo em que se repartia a vocação solidária de um mundo melhor. Este livro é o quinhão da utopia que me resta.
Manoel de Andrade - poeta.
Manoel de Andrade - poeta.
Curitiba, março de 2014
04 março 2014
06 fevereiro 2014
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