20 setembro 2013

Frederico Füllgraf - Setembro, atrás da Cordilheira

Foto: divulgação

Crônica

Primeiras impressões, esboçadas à chegada . 
A lembrança dos 40 anos do golpe, em 2013, 
preenche o silêncio de um ano atrás.
Pelas frestas, contudo, a dor, a indignação 
e a esperança não param de escorrer.

Em setembro, ainda faz frio nestes descampados, a menos de setenta quilômetos da Cordilheira. Em dias de céu varrido de nuvens, caminhando umas cinco quadras desde minha casa, consigo divisar a cratera nevada do Antuco, o vulcão mais próximo. Então minha coluna vertebral sofre as dentadas prazerosas de um frenesí, que recordo como experiência de minha infância, quando um evento jubiloso e há muito esperado se anunciava pela intuição; neste caso, a escalada dos 2.500m do “baixinho”, Antuco, que não demorará. Será meu treinamento de fôlego e aclimatação? Tenho encontro marcado com o deserto de Atacama, na fronteira com Salta, onde me aguardam o Socompa e o Llullaillaco, ambos com 6.000 e 6.700m de altitude. Ali perto está a cova do meu personagem, o “alemão morto”.

Um nativo me disse que começa a esquentar somente em novembro, “entonces llega el verano”, como se não mais existisse a primavera. Entendo como generalizada a percepção perdida das velhas estações do ano como experiência elementar dos ciclos da vida, com suas lentas transições de temperatura, transmutação da vegetação e da luz. 

As alterações climáticas são um fenômeno planetário. A perda da memória também.

Chama atenção a profusão de chaminés nos telhados das casas, todos de lata, os telhados e as chaminés. Apenas excepcionalmente vê-se, aqui e acolá, em casas de apelo burguês, algumas telhas francesas ou coifas, jamais, porém, chaminés de tijolos, como as que conhecemos a leste da Cordilheira.

As casas são construções sofríveis, ora comoventes, ora risíveis caixas de fósforo. Seu acabamento frágil evoca o pitoresco estilo fueguino das casas de Ushuaia, com paredes e telhados de lata, espécie de perpetuação das cabanas dos caçadores de lobos marinhos e baleias, no literal fim do mundo, daqui ainda muito distante, geograficamente, mas assaz influente esteticamente. O hábito esdrúxulo do uso de metal para isolamento térmico é tão descabeçado como os telhados de Rio Branco, capital do Acre, que se vê antes do pouso do avião. Lá, alcançam temperatura para frigir ovos, aqui substituem a geladeira quase supérflua, devido ao rude clima invernal em seis meses do ano. No território da anedota, a conspiração panamericana de algum produtor de telhados de zinco contra toda sorte de arquitetura sustentável se impõe como teoria provável. Do Acre à Terra do Fogo reina a insustentável paródia do viver.

A propósito do fim do mundo: muito antes da chegada dos conquistadores espanhóis, os povos do Altiplano peruano chamavam estas paragens de “Chili”, porque a partir do norte era difícil alcançá-las por terra ou por mar. Chili queria dizer, "onde a terra acaba".

Da minha casa, os moradores anteriores levaram a estufa. Demorei alguns dias para entender que estufas não fazem parte do inventário fixo de uma residência. Estufas compra-se, instala-se e, algum dia, leva-se com a mudança. Por isso, sobre o vazio deixado pela estufa levada, um toco de chaminé, que em sentido inverso some telhado afora, aguarda a nova estufa. Melhor dizendo: eu e chaminé a aguardamos, o queixo batendo de frio.

Alternando com alguns dias luizidios, o frio úmido que se instalou na casa lambe-me os ossos, sensação angustiante nunca dantes experimentada. Minha companheira emprestou-me um estufa à querosene. Quando acaba o combustível, tenho que caminhar umas vinte quadras até o posto de gasolina mais próximo, para reabastecer-me.

Já fazia noite enquanto eu caminhava rumo ao posto. A iluminação que caía dos postes recortava sofrivelmente as sombras do casario baixo e lúgubre à beira da calçada.

Era a noite de 11 de setembro. Pela janela sem cortinas e venezianas, de uma casa pobre, escorria uma luz descorada sobre a calçada, convidando-me a parar. Com olhar indiscreto e envergonhado, distingui uma oficina de móveis. Algumas ferramentas descansavam sobre peças inacabas; do marceneiro, contudo, nenhum sinal.

Oficinas de carpintaria e marcenaria soem ter conotações bíblicas, talvez aquele cenário oferecido pela janela sobre a calçada evocasse imagens da forçada educação religiosa recebida em minha infância que, por ter sido obrigatória e autoritária, tivera efeito contrário, fazendo-me contemplar ao longo da vida com justificada reserva aquele escultor galileu de cruzes de madeira e salvador da Humanidade. Quem sabe Bertolt Brecht, ao cobrar em um de seus poemas, “onde pernoitaram os operários egípcios, depois de concluírem a obra da última pirâmide?”, tenha oferecido um entendimento mais correto, a dimensão histórica e materialista dos ofícios e seus protagonistas, a que dignifica aos que dão forma ao mundo com suas mãos e ferramentas, desenhando palácios, erguendo muralhas, esculpindo móveis - que fosse a estante para o único livro que naquela noite fria resgatava a memória do dia maldito, que partiu em duas a história do país “onde a terra acaba”!

Meu pensamento espontâneo dialogava com a oficina, perguntando-lhe, o que aquele pobre marceneiro sentira toda vez que, há quase quarenta anos, o calendário anunciava um novo 11 de setembro. Se montava cadeiras e mochos por encomenda do inimigo, nas quais – ele sabia – seria amarrado e torturado um vizinho subitamente desaparecido, ou se, ao contrário, incitado pelo violento protesto de Judas, o subversivo, com cada ferida que seu formão abria no lenho virgem, dava forma aos seus pensamentos, esculpia sua esperança.

Aquele moveleiro também sentia que, desde 11 de setembro de 2001, quando desabavam as torres de Nova York, uma estranha orquestração tenta habituar o mundo a assistir das arquibancadas à celebração do “9/11” como efeméride do atentado ao coração do império? Ano após ano, borrando, apagando mais um pouco a memória do 11 de setembro de 1973, ocorrido em Santiago, preparado pelo mesmo império, com conspirações, dinheiro e armas, contra o governo eleito de um médico idealista, que desejava libertar seu país do jugo de colônia fornecedora de commodities minerais – primeiro o salitre, depois o cobre - e sempieterna devedora da banca internacional?

Na capa de El Mercúrio de 11 de setembro, nenhuma referência à data fatídica. Incrédulo e impaciente, folheio o jornal para frente e para trás – e nada! Mas então, escondido no canto esquerdo inferior da terceira página, o único comentário, constrangido, à data, escrito com pena liberal, conclui: “Los verdaderos derrotados son los que quedan sin un lugar en la historia. Y fueron ellos los combatientes… En cambio los del ´si´, perdieron el plebiscito, pero siguieron administrando grandes cuotas de poder – y lo hacen hasta hoy”.

“Lo que pasó en aquel entonces no me afecta, nací despues del 1973, eso pertenece al pasado…”, responde-me uma jovem vizinha com desdém, no qual ecoa certa preguiça para espantar as brumas do esquecimento. Sua resposta sincera soa representativa, nas ruas, nas feiras, nas rádios e na TV, nenhuma palavra, ruído, canção que destoem do silêncio – um silêncio quase fantasmal, não fosse uma senhora da alta classe média, que luta nos tribunais para que a Avenida 11 de Setembro, assim carimbada pelos golpistas, volte a chamar-se Avenida Providencia, como é conhecida e sempre será lembrada. Silêncio de sepultura, não fossem também alguns jovens de Santiago, cuja agenda do “11” é a catarse, o protesto desorganizado, frequentemente expressado com paus e pedras. Às quais voltam a impor-se no dia seguinte os berros dos brokers da bolsa de valores, com aquele esgar neurótico estampado em suas faces, ou o editorial de El Mercúrio, cobrando maior rigor na repressão aos manifestantes.

Então deparo-me com a estória de uma mulher.

Há trinta anos, em Calama, no extremo norte do país e, por coincidência, à beira de meu caminho, rumo à Salta, Violeta Berríos revolve a areia do deserto, em busca de mais alguma vértebra, um estilhaço de fêmur – um dente que fosse! – de seu amado, Mario, fuzilado em outubro de 1973, durante a passagem de uma sinistra caravana.

No Maghreb, as caravanas beduínas transportavam o sal desde os portos do Chifre da África, e eram festejadas em todos os oásis onde aportavam para descansar. No Atacama, a caravana do Gal. Sergio Arellano Stark aproximara-se por terra e pelo ar, cuspindo chumbo. Entrou para a História como a “Caravana da Morte”, fuzilando vinte e seis jovens mineiros, estudantes e jornalistas, apenas em Calama. Os algozes não chegaram com ordem judicial de prisão, não interrogaram suas vítimas: desembarcaram, abrindo fogo. Em seguida, dispersaram os cadáveres mutilados, esquartejados, pelos quatro pontos cardeais, para que servissem de carniça aos chacais – tamanho o ódio daquele senhor general, cujo sobrenome em alemão significa “forte”.

Desde então, vinte e seis mulheres chafurdam na areia do deserto em busca de alguma articulação que combine com o osso que, após exame de perícia, guardam em suas casas como relíquia de seus amados – filhos, pais, maridos, namorados - que algum dia desejam sepultar com dignidade.

São as “colectadoras de huesos” do Atacama, cuja escatologia é um teimoso e comovente culto à memória – fresta nos grãos de areia do deserto, por onde espreita a indelével História.

13 setembro 2013

Alfons Luna: Fondos musicales en los centros de tortura de Pinochet

Ilustrações: divulgação


Las canciones de Julio Iglesias, George Harrison o Nino Bravo a todo volumen servían de fondo a las torturas en la dictadura de Augusto Pinochet, pero al mismo tiempo los presos buscaban alivio en la música.

Alfons LUNA
Miércoles 11 de septiembre de 2013 | 16:39

Augusto Pinochet / jaimelago.org


“My Sweet Lord”, de Harrison, “Un millón de amigos”, de Roberto Carlos, “Venceremos”, “Libre”, de Nino Bravo, o varias canciones de Julio Iglesias sirvieron para ahogar los gritos de las torturas o directamente para molestar a los presos, explicó a la AFP la profesora de la universidad de Manchester (norte de Inglaterra), Katia Chornik.
“Son canciones que me han mencionado los presos que he entrevistado, nombres de canciones que han aparecido más de una vez. Pero hay que pensar que el numero de gente que estuvo presa bordea los 40.000. Hubo más de mil recintos y yo me concentro en nueve”, dijo la investigadora.

Katia Chornik estudia el papel de la música en los centros de detención, cárceles y campos de concentración de la dictadura de Pinochet (1973-1990), de cuyo golpe de estado se cumplen 40 años este miércoles.

“Empecé a investigar hace una década. Empecé a investigar la música en los campos nazis y me di cuenta de que había una situación que me tocaba mucho más cerca -mis padres estuvieron presos-, que era la de los campos chilenos”, narró.

En algunos recintos la música seguía cuando los agentes habían cumplido su horario, seguía a todo volumen“, explicó. Por ejemplo, “había un centro de tortura en la calle Irán de Santiago de Chile que los agentes llamaban “la Discotheque”: el objetivo era acallar los gritos de los prisioneros”.

En “la llamada ‘no-touch torture’ o tortura sin contacto que fue desarrollada por Estados Unidos desde los años 50 y que todavía se ve en el contexto de la guerra del terror, se usan música y sonidos como forma de saturar los sentidos y provocar desintegración psicológica“, explicó.

Carlos Reyes, fotógrafo chileno exiliado en Londres, pasó dos años en cárceles en Chile y explicó a la AFP que “muchas veces cuando habían sesiones de tortura ponían música muy fuerte”.

“Lo que había en la radio. Cualquier música que estaba de moda. En los campos de concentración nos ponían música militar para marchar, para cantar, te obligaban a cantar”, narró Reyes. “La música era parte las 24 horas del día”.
Al mismo tiempo, la música consolaba a los detenidos.

“Entre los presos se cantaba mucha música latinoamericana, pero elegían con cuidado los temas”, evitando aquellos de tinte político que pudieran traerles problemas, narró Chornik.
Algunos músicos llegaron a seguir con su actividad en los campos, como Ángel Parra, el hijo de Violeta Parra, que compuso “La pasión según San Juan, Oratorio de Navidad” en el campo de Chacabuco.

“La música fue una parte importante en aquel periodo. Nos ayudaba mucho a celebrar cosas. Yo cantaba, no era parte del coro, pero cantaba, todo el mundo lo hacía, nos hacía mucho bien“, recordó para la AFP Cristina Navarrete, una médico chilena que se exilió a Londres, donde todavía vive, y que estuvo internada en el campo de concentración de Tres Álamos, en Santiago, donde se formó un coro. AFP

English

Chile's Pinochet regime used Julio Iglesias and George Harrison songs as 'torture soundtrack,' researchers claim



Music played at high volume during torture was part of the psychological suffering endured by some of his thousands of political opponents who were detained when Pinochet seized power in 1973.
According to former prisoners, Harrison’s “My Sweet Lord”, the soundtrack to Stanley Kubrick’s film A Clockwork Orange and songs by Spanish crooner Iglesias were played for days at a time.
University of Manchester researcher Dr Katia Chornik has investigated the use of music in Pinochet’s notorious torture houses, concentration camps and prisons. One former prisoner told how her jailers would sing the Italian pop hit “Gigi l’Amoroso” as they were taking her to the interrogation room, and carry on singing whilst they were torturing her.
PA
Fonte: The Independent, 13/09/2013




El Mercurio y "Operación Colombo": querella criminal contra Agustín Edwards

Ilustrações: divulgação

12/09/2013 |
La acción judicial fue interpuesta por Juan Carlos Chávez Pilquil, hijo de un detenido desaparecido en la llamada Operación Colombo, que intentó cubrir la desaparición de 119 personas afirmando a través del diario La Segunda, propiedad de Edwards, que había sido un enfrentamiento. El tílulo del reportaje fue: "Exterminados como ratones".

El día que se cumplen 40 años del golpe cívico-militar y se conmemora a las víctimas del terrorismo de Estado ejercido por la dictadura, Juan Carlos Chávez Pilquil, hijo del joven actor y estudiante de derecho Ismael Darío Chávez Lobos, detenido el 26 de julio de 1974 y luego desaparecido, interpuso la primera querella criminal en contra de Agustín Edwards, dueño -de la cadena de diarios de El Mercurio, como autor intelectual del delito de homicidio, según informa el portal Observatorio Ciudadano (OC) en reportaje de Paulina Acevedo Menanteau.

La acción judicial es interpuesta en favor de 119 personas, en su mayoría jóvenes - diez de ellos eran menores de edad - e incluida una mujer embarazada, detenidas por agentes de la DINA y cuyo paradero es hasta el día de hoy desconocido. Un caso investigado en la justicia chilena como "Operación Colombo", montaje destinado a ocultar estas desapariciones y que incluyó la publicación de dos listas con sus nombres en medios extranjeros, O Día en Brasil y Lea en Argentina, donde se daba cuenta de la aparición de cuerpos de "guerrilleros" chilenos en Argentina, tras supuestos enfrentamientos y con la policía, reproducidas por medios locales. Entre los nombres está el del padre de Juan Carlos, de 22 años.

El vespertino La Segunda -del consorcio El Mercurio fue el primero en publicar la noticia en Chile, con un titular que viola toda ética y entregando información que sabía falsa: "EXTERMINADOS COMO RATONES: 59 miristas chilenos caen en operativo militar en Argentina". Luego lo harán también Las Últimas Noticias y el propio Mercurio, haciéndose cómplice de estos asesinatos, dice la información de OC.

Por eso, entre otros motivos que argumenta, la querella sindica a Edwards como "autor intelectual-mediato, en su condición de colaborador directo de la represión iniciada por agentes del Estado al servicio de la Junta Militar, a partir del 11 de septiembre de 1973, del delito de homicidio calificado de las personas que pasamos a enunciar", entregando la lista de estos 119 chileno/as ultimados, con fecha de desaparición, militancia, edad y actividad.

Motivaciones de la querella

Juan Carlos tenía solo 26 días de vida cuando secuestraron a su padre, y en tribunales explicó que con esta querella busca honrar la memoria y perseguir las responsabilidades civiles en estos hechos. "Con esta querella buscamos establecer la responsabilidad de Edwards como autor intelectual de este crimen tan deleznable, como es el caso de los 119, siendo él uno de los gestores del golpe", señaló.

Agregando que es "también un homenaje al presidente Salvador Allende y a todas las víctimas de la represión de la dictadura. Vengo a decir al señor Edwards y a todos quienes estuvieron involucrados que esto recién comienza, que vamos a perseguir a todos los civiles involucrados en la gestión del golpe de Estado y los crímenes de lesa humanidad, a todos los que han encubierto estos crímenes y han participado en estos montajes para eludir su responsabilidad", finalizó.

Fonte: Cambio 21 

05 julho 2013

Máxima del día: "Los occidentales pierden el alma, mientras los otros pierden la risa."

Ilustrações: divulgação



Quotes of the day: "History repeats itself, first as tragedy, second as farce" (Karl Marx)



Frederico Füllgraf - "Estrés pós-traumático"


Fotos - AP, divulgação

Diálogo nada improbable sobre un acto heroico. 


Octubre del 2010, una villa minera en Atacama, Chile.
Suena el teléfono en casa de uno de los mineros rescatados.

- Samuel, ¡te llaman desde el extranjero!
- ¿Quien es?
- Un señor, dice llamarse Estíbe… Estíbe Yópse, algo así… debe de ser argentino por el acento   djjjj… de los italianos…
- ¿Hola, quién?
- Mr. Araya?
- ¡Hablando! ¿Quién?
- Steve Jobs, California, America!

(Araya tapa el fono, exclama para la esposa: - Chola, América, dice el cabro, como si no fuéramos también de acá… – ¡que chocho!)

- Hello, mister Araya?
- Hablando…
- Have you got…
- ¿?
- (Oh, shit, fagot the guy is spaniard!..) - Hold on, just a moment!…

(ruídos en la línea…)

- Hola, señor Araya, le habla Necio Corvalán, en nombre del presidente de la empresa más grande de teléfonos inteligentes del planeta…
- ¿Corvalán? ¡A la putcha! ¿Pariente del finado compañero, aquel?
- ¿Cómo dice?

(silencio)

-          - Perdón, olvídese, ya veo que es muy joven, no se acuerda…
-          - Pero sí nos acordarmos de preguntarle si está contento con el Iphone que le enviamos como bienvenida a la superfície…
-          - ¿Ái quanto, dice ud.?

(otra vez silencio…)

-          - Señor Araya, mi empresa le mandó un teléfono celular de última generación, y…
-          - Hombre, ¡muchas gracias! Pasa que todavia no abrí los paquetes, son muchos los brindis, me entiende… Sesenta y ocho días…
-          - Verdad, uds. son recordistas, se merecen una página en el Guiness…
-          - Es lo que dicen, pasa que nadie avisó que sería una competición…
-          - Pero ahora le damos el premio…
-          - ¿Conoce las minas, ud.?
-          - No, felizmente…, digo: infelizmente… Soy de Santiago – Santiago de Cuba…
-          - Discúlpeme, ¿de Cuba, dice? ¡Un día quiero irme allá!
-          - ¡Olvídese de esa isla asquerosa!
-          - ¿Pero por quéeeee? Tan linda gente… ¿Y ud. por qué la encuentra asquerosa?

(mutismo)

-          - Oiga, Corvalán, volviendo al tema de la mina, le explico que el mundo sería un agujero negro sin el cobre que le sacamos a la cordillera…
-          - Ah, los cables, claro… ¿Cómo la pasaron allá, abajo?

 (silencio elocuente)

-          - Señor Araya, ¿sigue en línea?
-          - Escúcheme, Corvalán, tengo que despedirme, me regalaron un viaje a Grécia, me voy con mi mujer… Eso que nunca supimos qué Chile hay al sur de La Serena… Ella está loca por irse, pero basta imaginarselo y a mí me duelen los excesos de luz en los ojos…
- Pero en CNN se parecía bárbaro con aquellos anteojos design

(silencio más pesado)

-          - Oiga, senõr Araya…
-          - Corvalán, le explico que celular ya lo tengo, lo tenía todo el tiempo conmigo en la mina, pero no había señal…
-          - Ahora no habrá más cuestión, Araya, porque justo le mandamos un Iphone con señal amplificado y alimentado por célula fotovoltaica – ¿solar, me entiende?
-          - Compadre, pero si no hay un pendejito de sol en aquel agujero de 700 metros! Si fuesen cargables con cobre por lo menos hubiéramos sacado más de los retratitos…
-          - Formidable, en eso estaba… – retratos, fotos!
-          - ¿Cómo dice?
-          - Sí, le quería pedir que mande unas fotos del instantáneo de su arribo a la superfície, si quiere, de Grécia también, por supuesto… Sobre los derechos hablamos enseguida…
-          - Perdoneme, Corvalán, es que enseguida tengo que irme derechito a la cama, ¿se fija la hora, no? Aparte no tendré un peso pá pagar la cuenta del aparato ese…
-          - Señor Araya, ¡espere! No le cuesta un grano y es por vida, puede usarlo cuanto quiera y por nuestra cuenta, en compensación le pedimos exclusividad…
-          - ¿Para?
-          - Para nuestra portada en la web…
-          - ¿Qué cosa?
-          - La red, Araya, Internet… Y necesito un mensaje suyo, de audio, para primera plana…
-          - ¿Pero qué quiere que les cuente? ¿Que anduvimos sucios, hambrientos, con olor a chancho y con calor infernal por sesenta y ocho días? ¿Qué nos pusimos locos, que a veces dudamos de la existencia del Santísimo?
-          - No se preocupe, ¡eso no le interesa a nadie! Lo que tiene que contar a la gente le decimos nosotros, acá lo tengo todo ya escrito…
-          - Oiga, Corvalán, si quiere saber la verdad, es que bajamos y subimos del infierno…
-          - ¡Increíble!… - ¿cómo lo sabía?
-          - ¡No entiendo!
-          - Le explico: el mensaje suyo, es decir, el que Apple le escribió para ud.  se lee así – “Si algún dia tengas que bajar al infierno, no te olvides de tu Iphone – tu garantía on-line para un retorno seguro!” – Qué le parece - ¿en el blanco, no?
-          - Bromistas, uds, eh? Además eso seria una mentira,  los celulares se apagaron, todos…
-          - Claro, porque no tenian un Iphone…
-          - Escúcheme, Corvalán, me cuesta hablar, yo quería guardarme unas palabritas para agradecer en la misa, con mis compañeros…
-          - Claro, fotos de la misa, ¡excelente idea! Los creyentes de América se pondrán contentos que uds. adoran su mismo Diós…
-          - De eso no estoy seguro…

 (voz femenina al fondo: ´Samuel, ahora sí habla un argentino!´…)

-          - ¿Está ahi todavia, Araya?
-          - Si, pero me llaman de Buenos Aires por el celular, el Boca viene a jugar con el ColoColo para prestarnos un homenaje… Y Real Madrid también…, quieren que nos vayamos todos a España – Por encima presionan, quieren comprar nuestra história p´á una película de Joliú, ¿cachay? Nos estamos poniendo locos… O es que nos están poniendo locos… La verdad es que no entiendo nada - ¡treinta años en la mina y ningun cabro se interesó, y ahora todo ese almacén!
-          - ¡De argentinos metepatas entendemos nosostros, los cubanos! … ¿Llaman al Iphone, por lo menos?
-          - No, ya le dije que el Ái… , bueno, el celular mágico, suyo, no lo so saqué de su caja…

(suspiro enojado al otro lado)

-          - … Y, oiga, ¡eso de los “metepatas” no es cierto! Verdad que acá no los quieren mucho a los hermanos, pero nunca nos olvidamos que los porteños recibieron de brazos abiertos a miles de chilenos cuando el pinocchio, aquel, desató la matanza por acá…
-          - De eso no entiendo, Araya... Ahora repita: “Si algún día tengas que bajar al infierno…”
-          - Ya veo que de infiernos no se enteró mucho, Corvalán…
-          - ¡Araya!
-          - Oiga, Corvalán, tengo que acostarme, a las ocho de la mañana viene el psicólogo, por las reacciones adversas…
-          - ¿Qué pasó?
-          - Es que seguimos en la mina, ¿me entiende?
-          - Está bromeando, Araya, ¡si yo lo vi a ud. en vivo, saliendo de la cápsula!
-          - Verdad, lo vió bien, pero también es verdad que no salí…
-          - ¿Por casualidad insinúa que estoy loco?

(risas también elocuentes; de Araya)

-          - Mire, Corvalán, eso lo llaman de “pos-evento”… Estrés pos-traumático, si me entiende… Seguimos en el fondo de la mina… A veces eso me confunde, y por eso viene el psicólogo ayudarme para subir a la superfície… A cada día unos metros, ¿se entiende?

(silencio, constreñimiento)

-          - ¿Hola, Corvalán?
-          - Araya, veo que ud. se merece unas vacaciones…
-          - ¡Pues eso le decía yo!

(voz femenina, ahora encolerizada:  ¿Qué caray quiere ese gringo que no te deja en paz, Samuel? ¡Dame ese teléfono!...)

-          - Araya, ¿qué pasa?
-          - Escúcheme, señor, acá le habla la señora Araya…
-          - ¡Mucho gusto, señora! Veo que su marido está estresado y le pido que insista, porque solo falta grabar el mensaje sobre el infierno…
-          - Pues le habla una esposa chilena que se arrodilló setenta días por su marido en frente a la Pachamama. Son uds. que lo ponen estresado, y ahora le pido con educación - ¡vayase ud. al infierno - lo comprendió bien, míster!

(clic… - sonido típico de llamada subitamente cortada).



27 junho 2013

Frederico Füllgraf - Brasil: un grito por mucho más que 20 centavos


Versión impresa en lkos kioscos

En el área internacional, vea por qué en Brasil el grito actual es por mucho más que los veinte centavos que iba a subir el precio de la locomoción colectiva. ¿Es que no les gusta más el fútbol a estos jóvenes? No. Ellos estimaron que con la fortuna gastada en los estadios sería posible construir, por ejemplo, 20.860 guarderías infantiles o 123 hospitales modernos en Brasil.


Texto: Frederico Füllgraf

Frederico Füllgraf - Dos ventanas chilenas. Buscándote.



Fotos: F.Füllgraf

14 junho 2013

Frederico Füllgraf - Reportagem em Cambio 21, Chile


As fotos de Evandro Teixeira 
e o primeiro diagnóstico da morte de Pablo Neruda

Edição impressa, pgs. 15-17

Link para acompanhamento da edição eletrônica:


El revés de la trama: fotos inéditas de Neruda    publicadas por Cambio21 derrumban teorías               sobre su muerte. Abogado y sobrino apuntan                                a "pruebas claves"

13/06/2013 |
Por Teresa Frías
Cambio21 publicó en exclusiva las fotos del Premio Nobel una vez muerto. Y las imágenes no coinciden con la declaración de defunción de Neruda, uno de los primeros hechos que los abogados pretenden dilucidar.

El caso Pablo Neruda sigue siendo uno de los emblemáticos que aún no encuentra fin, y sin duda la inexactitud de las causas de su muerte, sumado a que no existe registro de quién estuvo a cargo de su cuidado médico el día de su muerte en la Clínica Santa María, han complicado aún más la investigación que lleva a cabo el juez Mario Carroza.

Sin embargo, las inéditas fotografías publicadas por el semanario Cambio21 son otra arista que podría definir el futuro de la investigación. De hecho con las imágenes tomadas por el periodista brasileño Evandro Teixeira en septiembre de 1973 se refuta el informe de defunción firmado por el doctor Roberto Vargas Salazar.

Es más: en una nota publicada el 24 de septiembre 1973 en el diario Jornal do Brasil, sus enviados especiales a Santiago, Paulo César Araújo y Evandro Teixeira, citan un diagnóstico completamente diferente del informe firmado por el doctor Vargas. Escriben que Neruda había "muerto debido a una infección urológica crónica y flebitis, como lo diagnosticó el médico Sergio Draper Juliet.

El corresponsal extranjero de Brasil en Chile, Frederico Füllgraf entrevistó al fotógrafo Evandro Teixeira y en su crónica relata cómo Teixeira logró esquivar los obstáculos para obtener imágenes del Premio Nobel sin que lo supiera ni siquiera Augusto Pinochet.

Además el profesional revela que el periodista estaba asombrado de que sus imágenes "nunca habían sido objeto de investigación en Chile, desde que el magistrado Mario Carroza abrió el caso Neruda".

En su entrevista, Teixeira dice que "Neruda estaba tirado en una sala cualquiera, con Matilde Urrutia a su lado". Y agrega que "cuando llegué al sótano del hospital, allí estaba el cuerpo de Neruda sobre una hamaca. Matilde estaba sentada a su lado, estaban solos. Fue una escena para llorar. Pedí permiso: "Doña Matilde, mis sentimientos, soy el fotógrafo de Jorge Amado", poeta y escritor brasileño amigo del literato chileno.

Matilde le contesta: "Hijo mío, Jorge Amado es nuestro hermano, siéntase tranquilo". El local en donde sacó la mayoría de las fotos de esa crónica era la morgue. Sin embargo, la contraseña algo glamorosa. "Soy el fotógrafo de Jorge Amado" funcionó con Matilde Urrutia, quien permitió a Teixeira pasarse el día 24, todo, fotografiando; incluso la preparación del cuerpo de Neruda.

De la clínica, Teixeira acompañó el traslado del poeta muerto hasta "La Chascona", su casa en Santiago, toda destruida por los militares, a los pies del Cerro San Cristóbal), donde se instaló el velatorio. Con dos noches sin dormir, el día siguiente, 25/09, el fotógrafo documentó el funeral de Neruda hasta el Cementerio General de Santiago. "Subí a la tumba y saqué fotos de Neruda bajando a la tierra: yo lloraba y fotografiaba...".

Y es aquí donde inmediatamente surgió la pregunta del porqué se demoraron tanto que estas imágenes entraran al informe del juez Carroza.

Las incongruencias del caso

Como lo demuestra el expediente del juez Mario Carroza, el día 23/09/ 1973, el médico Roberto Vargas Salazar estuvo ausente de la Clínica Santa María, pero al día siguiente, 24/09, firma un certificado de defunción que indica una "caquexia cancerosa" a Neruda, reducido a "40 Kg de peso". A pesar de sacadas de perfil, NO es lo que ilustran las fotos de Teixeira, Más bien parecen confirmar los recuerdos de Manuel Araya: Neruda pesaba por lo menos 100 kilos, insiste su exchofer.

Un detalle debería interesar al juez Mario Carroza: la nota del 24/09/1973 del "Jornal do Brasil" - "Neruda morre em Santiago" - rescatada en formato digital desde Brasil, vuelve a insistir en el rol desempeñado por el médico Sergio Hernán Draper Juliet.

El boletín médico que le había prometido el presunto "director" de Clínica Santa María a Teixeira, dice que Neruda falleció "víctima de infección urológica (o urinaria) crónica y flebitis, conforme diagnosticó en la tarde del día 23 el médico Sergio Drapper," otra referencia completamente desconocida en Chile. Con este presunto diagnóstico, ahora la justicia de Chile tendrá tres versiones diferentes de la causa de muerte del poeta para apreciar: "infección urológica crónica y flebitis" (Dr. Sergio Draper, 23/09/2013), "caquexia cancerosa" (Dr. Vargas Salazar, 24/09/1973-), y "paro cardíaco por inyección" (El Mercurio, 24/09/1973-).

¿Es la Clínica Santa María un laberinto? Hay que recordar que en esa misma clínica murió el Presidente Eduardo Frei Montalva en enero de 1982. Las investigaciones señalan que murió por envenenamiento.

En conversación con Cambio21 el abogado del caso, Eduardo Contreras, dijo que "obviamente se comparten las dudas que aquí se expresan", agregando que "aún faltan muchos antecedentes del caso. Las fotos revelan una realidad distinta a la que se presenta en el estado de defunción de la clínica".

"El juez ha actuado con eficiencia, se ha dado lugar a todos los actos importantes que hemos hecho. Ahora estamos dependiendo de las pericias médicas. Se han enviado muestras para realizar el ADN de Neruda, por ende aún quedan muchas cosas por hacer", relata el abogado.

Además comparó el caso del Premio Nobel con el del Presidente Frei Montalva asegurando que "a pesar que tuvieron casi 10 años de diferencia existen muchas coincidencias entre ambos, partiendo por la clínica, los métodos y las incongruencias de los médicos".

"A estas alturas con la tecnología se podrán visualizar datos que no teníamos, principalmente por el tiempo que ha pasado desde la muerte", reconoce Contreras.

Por su parte, sobrino de Pablo Neruda, Rodolfo Reyes en entrevista conCambio21 declaró que "el reportaje es muy adecuado para la investigación del caso Neruda, ya que hará tomar conciencia a mucha gente que sabía la versión oficial de la "desnutrición caquexia. Por nuestra parte habíamos informado al Tribunal que el tío Pablo, no se encontraba desnutrido, sin embargo la contribución del reportaje y fotografías es categórica. Tengo el libro de Evandro Texeira y soy captado por su lente en dos fotografías del año 1973" (durante el velorio).

Además mencionó que "el caso empezó siendo un poco difícil de resolver, pero con mis colegas Elisabeth Flores Perez y Paola Reyes Romero, hemos conformado un buen equipo jurídico en que hemos trabajado arduamente en la investigación".

"Asimismo con el correr del tiempo, el aporte investigativo, el nuevo conocimiento y circunstancias de los hechos, las pericias médicas en laboratorios especialistas en el extranjero, la investigación policial respecto de la participación médica lo han ido clarificando y se está desentrañando una potencial verdad jurídica, y confío que se encontraran los culpables en la muerte de Neruda", reclama Reyes.

Además menciona que "confío en que el caso será posible de resolver, es mi deber moral y familiar colaborar al máximo en esta investigación. El paso de los años no será impedimento para conocer la verdad sobre la verdadera muerte o asesinato de Neruda".

Por último recalcó que •es muy importante la labor del periodismo y el interés de la prensa que muchas veces contribuyen con hechos y vivencias nuevas, lo cual hace más fácil la investigación".