08 outubro 2011

ἀνάγκᾳ δ’ οὐδὲ θεοὶ μάχονται - Nem mesmo os deuses lutam contra a necessidade

A Grécia resiste



Fotos: divulgação





"!Liquiden a la banca!" Homenagem a Enric Duran

Enric Duran

“A todas las personas que viven y luchan con la cabeza bien alta, superando los miedos y los malos momentos; a todo el mundo que ha hecho de la desobediencia a los poderes dominantes su manera de vivir; a todo el mundo que crea que AÚN ESTÁ A TIEMPO DE LEVANTARSE y decida pasar de los pensamientos a los hechos. A todas estas personas es a quienes dedico este libro.


Una lectura que espero que nos sirva, al menos, para hacernos más conscientes de que si creemos en nosotros podemos llegar a hacer mucho más de lo que habríamos llegado a imaginar. Desde algún punto del planeta.

Mi objetivo era financiar, con ese dinero, movimientos sociales y denunciar el sistema financiero. Publicamos la revista Crisis, donde explicamos la crisis en sus distintas vertientes: energética, financiera y alimentaria; cómo se genera el dinero, cómo funcionan los bancos, y documentamos su poder y cómo este afecta a los partidos políticos, a los medios de comunicación, la justicia y las multinacionales.

El siguiente paso es la campaña Podemos vivir sin capitalismo. Apostar por BANCAS ÉTICAS, crear COOPERATIVAS, poner de acuerdo a gente que tiene pisos vacíos con gente que los necesita y se compromete a restaurarlos u ofrece cualquier otro servicio, repoblación de pueblos abandonados, que descongestionaría las ciudades y facilitaría los lazos sociales”
Enric Duran

“Liquidar la banca” o “Insumisión a la banca” es el título del libro en el que Enric Duran expone los motivos de su acción contra la banca, la filosofía detrás de las campañas en las que participa y las alternativas que existen al Sistema actual.

Enric Duran se hizo famoso por haber conseguido 492.000 euros en créditos de 39 bancos distintos y hacer publico cómo lo consiguió el mismo día que se distribuyeron 200.000 ejemplares gratuitos del periódico CRISIS, costeado con parte de ese dinero.

Declaró su insumisión a la banca y su intención de no saldar la deuda y se ocultó en paradero desconocido durante más de medio año. Su reaparición coincidió también con la entrega de PODEMOS, otro periódico gratuito que profundizaba en otros modelos viables de funcionamiento social y económico.

Fue entonces cuando fue detenido, pasó 3 meses en la cárcel y hoy sigue dedicándose a la acción social y es el reclamo de un colectivo amplio que, más allá de la notoriedad de la estafa, trabaja desde hace años localmente dando respuestas a los retos sociales. 

En “Liquidar la banca” (“Abolim la banca” en catalán) se explica la biografía de Enric Duran y los antecedentes de su acción para poder entender el POR QUÉ y no simplemente el cómo, que son los detalles superficiales en los que se fijaron la mayoría de los medios de comunicación en vez de en generar un fuerte DEBATE SOCIAL. Las reflexiones profundas se evitan porque, en un momento histórico en que los estados liberales han inyectado millones a los bancos para reparar sus errores y mala gestión, es mejor no remover las aguas del cuestionamiento y de descubrir otras opciones de vida.

Enric Duran habla en el libro de la crisis energética y sus implicaciones, del optimismo tecnocrático, de dónde le surgió la inspiración, de lo que le aportó el documental EL DINERO ES DEUDA, de todos los planteamientos durante el proceso de conseguir los créditos y de realizar las publicaciones y, sobre todo, de sus intenciones y de qué querían demostrar a la sociedad.

Fonte: El blog alternativo -  http://www.elblogalternativo.com/

Download grátis
"Liquidar a la banca"


07 outubro 2011

Frederico Füllgraf - Koch-Grünberg, pioneiro do cinema na Amazônia

Taurepang, 1911

Ensaio


Em 1911, quando o boom da borracha, na Amazônia, já descrevia uma curva descendente, o antropólogo alemão, Dr. Theodor Koch-Grünberg, empreendia sua terceira expedição à selva amazônica.

Talvez os céus lhe tivessem dado um crédito de sobrevida, porque, mal completara vinte e quatro anos de idade, vinculara-se à descabeçada e acidentada expedição de Hermann Meyer, iniciada em 1896 em Buenos Aires, rumo à foz do Rio Xingu. Sobrevivente, retornou à Alemanha e escreveu seu doutorado. Em 1903,  partiu para sua primeira expedição pessoal à Amazônia, internando-se em territórios onde cem anos antes o naturalista Carl F. Philip von Martius concluía sua “Viagem pelo Brasil” (http://fuellgrafianas.blogspot.com/2010/11/o-beijo-de-boreas-parte-i.html).

Agora, Koch-Grünberg explorava o Rio Japurá e o Rio Negro, até a fronteira da Venezuela. A expedição durou dois anos e, de volta à Alemanha, o antropólogo a documentou com o livro, Zwei Jahre Unter Den Indianern. Reisen in Nord West Brasilien, 1903-1905. (Dois anos entre os índios. Viagens no noroeste do Brasil, 1903-1905, com farta e fascinante cobertura fotográfica. 


Naqueles dias, um tal Fitzgerald, seringalista peruano, procurava atalhar caminho entre dois rios, o Varadero de Fitzcarrald, para levar sua borrache em menos tempo para Manaus. Nas matas perto dali, nascia a etnografia audio-visual de Koch-Grünberg: as gravações em cilindros metálicos, às quais se somavam as impressões visuais de seu convívio com os índios do Alto Rio Negro, com os quais montou uma espécie de “ateliê das selvas”.



A terceira expedição de KG partiu de Manaus, em 1911, até o Rio Branco e de lá rumou à Venezuela. Em 1913, KG alcançou o Rio Orinoco depois de explorar nesse percurso, a pé e de canoa, várias regiões ainda hoje de difícil acesso. Ao voltar a Manaus, escreveu seu livro mais importante, Vom Roraima Zum Orinoco (De Roraima ao Orinoco), publicado em 1917, mas só outros100 anos depois no Brasil (cf. Livraria UNESP). 

Durante esta expedição, com a duração de dois anos, nascia o primeiro filme na História da Amazônia – “Aus dem Leben der Taulipang in Guyana” (Da vida dos Taurepang na Guiana),
As bem humoradas anotações que seguem, descrevem os percalços da filmagem, realizadas por KG e seu assistente, H. Schmidt, e foram por mim traduzidas da edição original de “Vom Roroima zum Orinoco”.

 Minha afirmação, de que KG é autor dao primeiro fillme amazônico (http://www.cronopios.com.br/site/colunistas.asp?id=2690), suscitou polêmica e contradisse a crença generalizada na Amazônia, reverberada pelo escritor Márcio Souza, segundo a qual o português, Silvino Santos, teria sido o pioneiro, com seu filme rodado em 1912 no Putumayo, contratado pelo “cauchero”, Julio Cesar Aranã.

Theodor Koch-Grünberg

O diário das filmagens

"As chapas fotográficas que me foram fornecidas por uma grande e famosa empresa berlinense, são uma encrenca. A consistência das chapas de Isolar deixa muito a desejar. Ainda que eu proceda com o maior cuidado, revelando somente durante a madrugada e enxaguando o material em água fresca do arroio da montanha, em várias delas a emulsão se desprende em grandes nacos de pele. Bom número de imagens se perde e terá que ser re-fotografada. O banho de sulfato duplo de alumínio e sódio, que eu executo rigorosamente segundo o manual, comprime a camada flácida demais em um sem número de rugas, tornando as fotografias imprestáveis. Toca de forma notavelmente ridícula ao especialista em trópico, quando lê, impresso em três idiomas na embalagem deste material, "a prova de trópicos“, que: "a temperatura do revelador não deverá exceder 20 graus centígrados”. É muito raro encontrar água com  temperatura tão baixa nos trópicos, que pelo menos se mantenha baixa até conseguirmos revelar uma dúzia de chapas.

[....] Já as gravações fonográficas me proporcionam alegria compensadora. Eu trouxe um cilindro já gravado e costumo tocar as gravações para habituar as pessoas à percepção de que o aparelho reproduz a voz humana. "---- és minha doce, pequena mulher“, da peça "O Conde de Luxemburgo“ de Lehár, e trechos  ("---mas, que coisa, o que é que deu na Rosa“ -  do  charmoso  regional da Renânia, "No Bósforo“, de Paul Lincke, são canções que eles sempre voltam a pedir e não demora até essas crianças com tino musical entoarem as melodias, com divertida  mutilação do texto alemão.

[...] É preciosa a ajuda que o cacique Pitá me dá neste trabalho. Com sofrível acompanhamento de Pirokaí, ele mesmo entoa os cânticos de dança dos Makuschí para o funil [do fonógrafo], também o Parischerá, o Tukúi, o Muruá, um Oarebã, somente dançado de dia, e outro, que é dançado de madrugada. Com suas vozes luminosas, agradáveis, duas meninas entoam canções envolventes, como acompanhamento da ralação de mandioca (...)



 


[...] A meu pedido, o cacique arrasta o curandeiro Katúra à cena. Inicialmente, este resiste a cantar para a ´mákina´, como todos os índios costumam chamar minhas engenhocas mágicas. Desconfiado, Katúra pergunta por que eu quero levar sua voz comigo. Eu lhe prometo presentear uma grande faca. Isso o convence,  mas desde que a gravação seja feita em todo segredo e que, depois, seus cânticos não sejam reproduzidos `às pessoas´. Provavelmente teme [expor-se e]  perder sua influência. Pitá enxota todos os visitantes da maloca [...]  – in:  Theodor Koch-Grünberg,  Do Roraima ao Orinoco, edição alemã, 1917, vol. I, 51-53

"O que devo relatar sobre os dias seguintes ? Eles foram belos, também de paz, não menos laboriosos, é certo, como na minha primeira estada em Koimélemong. – Contudo, não foram os ´selvagens´ que nos fizeram sofrer, nem os mosquitos, que a cada dia surgiram em menor número. Não - foi uma das mais modernas conquistas da civilização, há vinte anos sequer imaginada pelos exploradores – o Kinematógrapho!


Kynematographo

Carregar sua pesada caixa, é um suplício diário e, de entrada, esforço aparentemente inócuo. Apesar de observarmos atentamente as recomendações, a película costuma emaranhar-se após alguns metros. A exposição à luz torna este pedaço de filme imprestável, tendo que ser cortado e queimado, para que os índios não cometam besteira com a sobra [tóxica]. Generosas, essas pessoas aguardam pacientemente debaixo de calor tórrido, suspendem respeitosamente suas danças e seus afazeres, até que eu consiga carregar um novo chassis.  Eu retomo a manivela e a geringonça trava novamente. Assim, muito material, tempo e paciência são desperdiçados. Sem perda de tempo, após sua impressão os filmes têm de ser retirados do chassis, embalados em folha de alumínio e acondicionados em latas metálicas. Quase nu, estou alapado na barraca improvisada de câmara escura, tomando um banho turco, na acepção mais aleatória do termo, pois do lado de fora já se faz meio-dia com 35 graus à sombra. Freqüentemente, só conseguimos repousar muito depois de meia-noite e, mesmo dormindo, continuamos a manivelar [o cinematógrafo]...

(...) Estou completamente estendido no chão, que reflete um calor de chapa de fogão.  Observo as brincadeiras das crianças, ou converso com meninas e mulheres inteligentes, que tomam aulas de alemão comigo. Elas quase torcem a língua na tentativa de repetir a fonética das pesadas palavras, que lhes parecem duras, devido à profusão incomum de consoantes. Suas divertidas gargalhadas parecem não ter fim. Querem saber o nome de tudo em alemão: da lua e das estrelas, de todas as  partes do corpo. Elas me perguntam o nome do meu pai, da minha mãe, da minha esposa e dos meus filhos, se eu resido na montanha ou na planície, quais os animais que vivem sobre a terra, na água e no ar da minha terra natal; se lá as pessoas têm de morrer, se também existem Piasángs (curandeiros) e muito mais. Ato contínuo, me pedem para cantar.  E o cenário é como o de Uaupés. E que belas canções eu canto !  "Annemarie, wo willst du hin / Anamaria, pra onde queres ir“, ¨Saufen ist das Allerbest/ Beber é o melhor que há...“, "Ich ging mal bei der Nacht / Uma vez fui de madrugada ...“ – canções que certamente os missionários não cantam para elas! [...]" (Koch-Grünberg 1917, Vp, Roroima ao Orinoco / Do Roroima ao Orinoco, Tomo 1, 80-81).


Cenas de Taulipang (1911)


Imagens: Philips Universität Marburg, Museum für Völkerkunde Berlin

José Carlos Gallas - Tradução da "Dedicatória" (Zueignung) no Fausto de J.W. Goethe





José Carlos Gallas

Tradução da Dedicatória com a qual Goethe inicia o seu Fausto. Tentei amarrar o poeta com seus próprios decassílabos, mas o idioma português não se presta à construção de palavras compostas, e assim tive de ir até ao limite máximo de sílabas métricas permitidas pela boa sonoridade, os dodecassílabos. Onde sobrar ou faltar algum rabinho para tanto, aí estará o limite dos meus cuidados. Não estão perfeitos, os versos traduzidos, mas também não suficientemente ruins para que aos tupiniquins fiquem perdidos.


ZUEIGNUNG
(J.W. Goethe –  Faust. Der Tragödie erster Teil).

Ihr naht euch wieder, schwankende Gestalten,
Die früh sich einst dem trüben Blick gezeigt.
Versuch ich wohl, euch diesmal festzuhalten?
Fühl ich mein Herz noch jenem Wahn geneigt?
Ihr drängt euch zu! Nun gut, so mögt ihr walten,
Wie ihr aus Dunst und Nebel um mich steigt;
Mein Busen fühlt sich jugendlich erschüttert
Vom Zauberhauch, der euren Zug umwittert.


DEDICATÓRIA
(J.W. Goethe – Fausto, Primeira Parte da Tragédia).

De novo vos mostrais, figuras  vacilantes,
Que noutro tempo meu olhar turvado vira.
Mas devo então tentar reter-vos como dantes,
Quer-vos inda meu coração, que já delira?
Impondes-vos! Bem seja, restai presentes,
Qual vapor e névoa que a meu entorno gira;
Meu peito sente-se juvenil e agitado
Do mágico sopro que convosco é chegado.

Ihr bringt mit euch die Bilder froher Tage,
Und manche liebe Schatten steigen auf;
Gleich einer alten, halbverklungnen Sage
Kommt erste Liebe und Freundschaft mit herauf;
Der Schmerz wird neu, es wiederholt die Klage
Des Lebens labyrintisch irren Lauf,
Und nennt die Guten, die, um schöne Stunden
Vom Glück getäuscht, vor mir hinweggeschwunden.

Junto a  imagem trazeis de dias tão felizes;
Surge de novo a sombra vaga, esmaecida,
Qual prisca saga que com  incertos matizes
Jovens amores traz e amizade esquecida;
E renova-se a dor que repete os sofreres               
Do labirínteo, incerto percurso da vida.
E nomeia as almas que da sorte enganadas,
Roubadas suas horas, de mim foram levadas.

Sie hören nicht die folgenden Gesänge,
Die Seelen, denen ich die ersten sang;
Zerstoben ist das freundliche Gedränge,
Verklungen, ach! der erste Widerklang.
Mein Lied ertönt der unbekannten Menge,
Ihr Beifall selbst macht meinem Herzen Bang,
Und was sich sonst an meinem Lied erfreuet,
Wenn es noch lebt, irrt in der Welt zerstreuet.

Já não escutarão meus cantares seguintes
As almas para as quais os primeiros cantei.    
Varrida está a amistosa multidão de antes,
Idos, ah!, os ecos primeiros! Eu bem sei
Que meu canto se eleva à multidão das gentes;
Mesmo seu aplauso, por que o temo, dizei?
E aqueles que antes escutavam  meus versos, 
Se vivos estão, pela terra andam dispersos.

Und mich ergreift ein längst entwöhntes Sehnen
Nach jenem stillen, ernsten Geisterreich,
Es schwebt nun in unbestimmten Tönen
Mein lispelnd Lied, der Aeolsharfe gleich,
Ein Schauer fasst mich, Träne folgt den Tränen,
Das strenge Herz, es fühlt sich mild und weich:
Was ich besitze, seh ich wie im Weiten,
Und was verschwand, wird mir zu Wirklichkeiten.

Me invadem saudades há muito não sentidas
Daquele silente e sério reino d’empós;
Eleva-se agora em notas indefinidas,
Qual da harpa eólica, minha trêmula voz;
Junto novo pranto às lágrimas já vertidas,
E o peito rude leve trago, já não algoz:         
O que possuo me parece que se evade, 
E as coisas idas tornam-se realidade.


J. C. Gallas Patow

Veja o Faust (1926) expressionista de F. W. Murnau

24 setembro 2011

A internet está matando a arte de contar estórias

November 5, 2009

The internet is killing storytelling

Narratives are a staple of every culture the world over. They are disappearing in an online blizzard of tiny bytes of information


Click, tweet, e-mail, twitter, skim, browse, scan, blog, text: the jargon of the digital age describes how we now read, reflecting the way that the very act of reading, and the nature of literacy itself, is changing.

The information we consume online comes ever faster, punchier and more fleetingly. Our attention rests only briefly on the internet page before moving incontinently on to the next electronic canapé.
Addicted to the BlackBerry, hectored and heckled by the next blog alert, web link or text message, we are in state of Continual Partial Attention, too bombarded by snippets and gobbets of information to focus on anything for very long. Microsoft researchers have found that someone distracted by an e-mail message alert takes an average of 24 minutes to return to the same level of concentration.
The internet has evolved a new species of magpie reader, gathering bright little buttons of knowledge, before hopping on to the next shiny thing.

It was inevitable that more than a decade of digital reading would change the way we do it. In a remarkable recent essay in the Atlantic Monthly Nicholas Carr admitted that he can no longer immerse himself in substantial books and longer articles in the way he once did. “What the net seems to be doing is chipping away at my capacity for concentration and contemplation,” he wrote. “My mind now expects to take in information the way the net distributes it: in a swift-moving stream of particles.”

If the culprit is obvious, so is the primary victim of this radically reduced attention span: the narrative, the long-form story, the tale. Like some endangered species, the story now needs defending from the threat of extinction in a radically changed and inhospitable digital environment.
Last year Hollywood veterans and scientists from the Massachusetts Institute of Technology teamed up to create a laboratory aimed at protecting the traditional tale from oblivion: the Centre for Future Storytelling. However ludicrous that may sound, they have a point. Storytelling is the bedrock of civilisation. From the moment we become aware of others, we demand to be told stories that allow us to make sense of the world, to inhabit the mind of someone else. In old age we tell stories to make small museums of memory. It matters not whether the stories are true or imaginary.
The narrative, whether oral or written, is a staple of every culture the world over. But stories demand time and concentration; the narrative does not simply transmit information, but invites the reader or listener to witness the unfolding of events.

Stories introduce us to situations, people and dilemmas beyond our experience, in a way that is contemplative and gradual: it is the oldest and best form of virtual reality.
The internet, while it communicates so much information so very effectively, does not really “do” narrative. The blog is a soap box, not a story. Facebook is a place for tell-tales perhaps, but not for telling tales. The long-form narrative still does sit easily on the screen, although the e-reader is slowly edging into the mainstream. Very few stories of more than 1,000 words achieve viral status on the internet.

Meanwhile, a generation is tuned, increasingly and sometimes exclusively, to the cacophony of interactive chatter and noise, exciting and fast moving but plethoric and ephemeral. The internet is there for snacking, grazing and tasting, not for the full, six-course feast that is nourishing narrative. The consequence is an anorexic form of culture.

Plot lies at the heart of great narrative: but today, we are in danger of losing the plot. Paradoxically, there has never been a greater hunger for narrative, for stories that give shape and meaning to experience. Barack Obama was elected, in large measure, on the basis of his story, the extraordinary odyssey that begins in Hawaii and ends in the White House, taking in Chicago and Kenya along the way.

The news stories that compel us are not the blunt shards of information, but those with narrative: the tragic mystery of Madeleine McCann; the enraging saga of parliamentary scandal; the strange decay of Gordon Brown’s premiership. Reality television, The X Factor, Strictly Come Dancing, all are driven by personal narratives as much as individual talent.

Our fascination with other people’s stories is as great, if not greater, than any time in history. This year I am judging the Costa biography of the year award. The astonishing range of biographical writing is testament to our appetite for narrative. Reading several dozen lives, one after the other, has been fascinating, but also unfamiliar, and exhausting. Like Carr and, I suspect, many others, I too have become used to absorbing lives in Wikipedia-shaped chunks.

What is needed is a machine that can combine the ease and speed of digital technology with the immersive pleasures of narrative. It may not be far off. Japan has recently seen an explosion in the popularity of thumb novels, keitai shosetsu, book-length sagas that can be uploaded to the screen of your mobile phone, one page at a time.

These mobile telephone tales are written in the language of the net: scraps of text-speak, slang and emoticons, but these are still unmistakably narratives, stories with a protagonist, a beginning and an end. They are also hugely popular: sales of books in Japan are dropping, but half the Top Ten fiction bestsellers started on mobile telephones. Here is proof that the ancient need for narrative, hardwired into human nature, can sit comfortably with the wiring of the newest technology.

Narrative is not dead, merely obscured by a blizzard of byte-sized information. A story, God knows, is still the most powerful way to understand. In the beginning was the Word, and the Word, in the great narrative that is the Bible, was not written as twitter.

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Manoel de Andrade - Amazônia


Manoel de Adndrade


Antes da pátria, eras úmida promessa…

semente primordial
árvore mãe

planta continental
arvoredo, floresta, selva palpitante.

Hoje canto tua vertical beleza
o mogno gigantesco, sua estatura secular
seu colossal diâmetro
canto essa caudalosa geografia
essa multidão de vidas que sustentas
canto o itinerário sazonal da seiva
e essa infinita linfa…
parto de infinitas criaturas.
Canto teu verde planetário

e no teu imenso respirar,
canto o nosso pão de oxigênio…
Canto a ti… Amazônia
bosque inquietante da esperança…
e eis porque denuncio esse machado cruel sobre teu peito…
essa fruta milenar, dia a dia devorada.

Antes da grande nação…já eras tu…
a nação primogênita
filha dos filhos da mata.
A infância da pátria foste tu,
sílaba aborígine, idioma tupi
cerâmica, canoa e tacape
ritual, dança e canção.
Foste tu a raiz, sangue ameríndio
o parto da nacionalidade.
Hoje canto os povos da floresta
e o desencanto dessa memória esquecida.
Falo de sobreviventes
de tribos desgarradas
de aldeias tristes
de sonhos desmatados
de segredos e tradições pirateadas
das águas lavadas na bateia do mercúrio.

Amazônia….Amazônia…quem deterá o teu martírio
uma vida tão diversa num adverso viver…
Falo dos teus hectares de sangue
da lâmina cruel, da pira ardente
dessa cartilha de serras, rifles e archotes
dessa morte plural
na diversidade de aves e primatas
roedores, felinos e serpentes.
Falo de uma terra de cepos
de raízes degoladas
de caules retalhados
de castanheiras preservadas… a morrer de solidão.
Falo da linha negra do fogo
e desse cemitério de troncos defumados.

Falo da floresta sitiada
por uma legião de máquinas assassinas
falo de estradas e picadas clandestinas
de súbitas clareiras
desse assalto interminável… lento e invisível.
Falo de grileiros, posseiros, garimpeiros, bandoleiros
e de terras demarcadas sob a mira das pistolas.
Falo de dragas e crateras
das águas manchadas e dos rios estropiados.
Falo da vida degradada pelas pastagens da ambição.

Amazônia…Amazônia…
com que verde vestiremos nosso mapa
acuados pelo apetite voraz das motosserras,
por uma fronteira incinerante que avança insaciável.
Acuados pelo gatilho mercenário da violência
e pelo estigma oficial da impunidade.

Passo a passo e esse avizinhar-se do colapso…
quantos fóruns se abrirão para “resolver” essa tragédia!?
Crimes silenciados na cumplicidade regional dos gabinetes…
gritos sem eco nas vozes da omissão…
acenos sem resposta nos protocolos renegados…
e o poder dos maiorais contra tudo o que respira.

Deixaste ali teu heróico testemunhoteu seringal sagrado
teu rosto solidário.
Contigo… caiu o tronco ensangüentado…
Tua alma…teu nome…Chico Mendes,
sobrevivem em deslumbrante hiléia,
na invisível bandeira das espécies
e na memória da pátria agradecida.

Depois chegaste tu…Dorothy Stang…
estrangeira, franzina e destemida
desafiando víboras e chacais
e defendendo a floresta com a paz do nazareno.
Em Anapu ergueram teu calvário
mas hoje ergo aqui, no jardim humilde da poesia,
a tua estátua de missionária imperecível.

Amazônia… Amazônia…
Quantos ainda cairão para que sobrevivas?
Com que vozes cantaremos a esperança
enlutados pela ausência dos que ousaram manter suas denúncias?
quem te fará justiça?
quem suspenderá esse cerco que te aperta lentamente?
como conter teu holocausto
e a agonia silenciosa das espécies?
E eis porque canto o desencanto da árvore secular que tomba
e essa sinistra paisagem de troncos decepados…
E falo da imensa copa baqueada…
seus frutos, seus aromas
remédios e resinas,
seus colares e adereços…
Falo de samambaias e orquídeas
de cipós e de bromélias agonizantes.
De garras, patas e plumagens…
de berços destroçados, de ninhos mortos
e dessa maternidade em lágrimas.

Falo do patrimônio ambiental da pátria
da grilagem descarada
de negociatas e falsos documentos.
Falo da destruição diária e sorrateira
de pastagens criminosas
e de uma ingrata agricultura.
Falo da natureza usada e abandonada
de uma terra arrasada
e de um deserto verde que cresce…dia a dia.

Eis tu…e eu te chamo legião…
o mundo te observa e nos pergunta: por quê???
e todos nos perguntamos: até quando???
os que irão nascer perguntarão quem foste tu e por que tanto desamor…
os céus vigiam teus passos,
rastreiam teus crimes
e a tua sombra imensa que avança para o norte…
Sabem de ti o rei e os seus vassalos…
conhecem teus látegos de aço
tua tocha incendiária
teus cúmplices e tuas vítimas
tuas mãos manchadas com o sangue da floresta…
Somos os que te acusamos
nessas sementes queimando
nessas pétalas feridas
nesses pássaros sem ninho…
Somos os que assistimos, impotentes, esse indigesto banquete,
tua dieta vegetariana
e a euforia com que brindas o lucro e o bom negócio
nessa taça transbordante de cinzas, de sangue e de lágrimas…

Amazônia… Amazônia… sem lei, sem testemunhas…
e essa oficial improvidência…
Nada que te ampare…
nada..
Talvez um vento reverso
uma chuva perene que apague essa queimada.
Talvez um decreto impossível
uma lei implacável
a mão de Deus, quem sabe…
a espada da justiça pra sangrar os que te sangram…
algo que feche essa ferida
algo que estanque essa agonia.
Quem sabe, o refluxo imperdoável do teu próprio martírio…
uma malária cruel…
algo que empeste essa ganância…
antes… bem antes
que essa segunda geração de abutres choque também os seus filhotes.